Turismo e comércio esperam lucrar com período de férias no DF

Período de recesso escolar é o momento de aproveitar dias de descanso ou procurar atividades para entreter os filhos. Setores de turismo e comércio esperam lucrar com o público que planejou viagens ou pretende se divertir e comprar na capital

 

Com o fim do mês se aproximando, começa a contagem regressiva para as férias de julho. E não é apenas quem estará de folga que aguarda o período. Os setores de turismo e o de comércio esperam lucrar. O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-DF), Hugney Velozo, afirma que a expectativa é de crescimento de 5%. A alta, no entanto, está abaixo dos anos anteriores, quando chegou a 20%.
Ele explica que o aumento nos preços das passagens aéreas influenciou nessa diferença. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o valor dos bilhetes subiu 18,98% em junho, sendo o maior impacto individual do mês para o grupo dos transportes (0,06 ponto percentual), conforme dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15).
Aos que querem sair do país nesta época, a Disney, nos Estados Unidos, é campeã de escolhas. “Para Argentina e Uruguai, no entanto, o custo-benefício é melhor. A América do Sul tem sido bastante procurada”, diz Hugney. Mas são os destinos nacionais, especialmente as capitais nordestinas, a preferência dos brasilienses. Para atrair os consumidores, as empresas de turismo renegociam com fornecedores a redução de tarifas hoteleiras e oferecem o parcelamento. “Para quem procura economizar mais, é possível buscar lugares mais próximos, como hotéis-fazenda no interior de Goiás”, pondera o presidente da Abav-DF.
Contando os dias para descansar, a bancária Anna Débora Oliveira, 47 anos, não vê a hora de fechar as malas e seguir viagem para Guarajuba, no litoral baiano. Como o marido dela está trabalhando, ela irá acompanhada da filha Manuella Dias, 7. Comprou as passagens há cerca de três meses, mas, mesmo com a antecedência, lamenta não ter conseguido um preço muito bom. “Uma irmã minha também vai. As três passagens, ida e volta, saíram por mais ou menos R$ 3,4 mil.”
Anna conta que prefere viajar fora de temporada, mas como Manuella está no 2º ano do ensino fundamental e começou a ter provas, ela precisou se adaptar ao recesso escolar. “Fora de temporada, eu gasto 50% do que paguei para ir em julho”, calcula. Ela optou por parcelar o pagamento dos bilhetes aéreos, mas a hospedagem, em um resort, foi à vista. “Prefiro evitar pagar a prazo, mas nem sempre consigo. Como o hotel foi por um consórcio, deu certo”, relata.
A programação da bancária será de duas semanas na Bahia. Depois disso, elas voltam para casa. “Eu vou aproveitar o restante das minhas férias para fazer fisioterapia, mas tenho que pensar em uma programação para a minha filha, se não, fica entediada dentro do apartamento”, explica. Parques, cinemas e shoppings estão na lista de passeios de fim de semana.

Passeios na cidade

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Francisco Maia, estima que a movimentação em shoppings deva aumentar 10% em julho. “Com a crise e passagens caras, muita gente não viaja. Além disso, Brasília tem crescido muito, em função de eventos e festivais que acontecem nesse período, muita gente prefere ficar aqui”, avalia.
Segundo ele, por volta de 250 mil pessoas devem passar pelos centros comerciais durante as férias. “Nos restaurantes, também aumenta a consumação, provavelmente.” Além disso, ele prevê aumento em contratações para a época, mas não de forma tão expressiva quanto o fim do ano. “Em Brasília, o turismo de negócios é forte, então, se o Congresso Nacional não tiver recesso, a movimentação da cidade e principalmente em hotéis deve ter público garantido”, conclui o presidente.

Atração para a criançada

Nem sempre os adultos conseguem conciliar as férias com a das crianças e, quando isso acontece, é preciso imaginação para que a garotada não fique entediada. Uma opção é contratar pacotes de colônias de férias. Foi o que fez a servidora pública Cristina de Oliveira, 42. Ela investiu cerca de R$ 1,2 mil para que o filho, Rafael, 6, se divirta em dois programas diferentes.
Como a família dela não mora na cidade e Cristina não conseguiu folga do emprego, essa foi a forma de deixar o pequeno em segurança. “Vale a pena, porque, se não fosse isso, talvez tivesse de trazer ele para o meu trabalho. Aos fins de semana, o passeio será por aqui. Como ele ainda é pequeno, vamos ao Zoológico, cinemas e parques”, relata.
Marido dela, o químico João Otávio de Albuquerque, 53, explica que a família já se programou para viajar no Natal. “Não temos o hábito de fazer isso no meio do ano, até porque temos menos tempo”, relata. Em dezembro, o trio vai para a Alemanha e as passagens estão compradas. “Se eu quisesse ir em julho ou agosto, desembolsaria até R$ 5,2 mil. Em vez disso, compramos por R$ 2,2 mil, porque é baixa temporada, época de frio lá”, destaca João.
Até lá, o casal optou por uma programação teatral para o filho. Dayse Hansa, coordenadora da colônia de férias Mapati, explica que os cerca de 60 participantes, com idades entre 3 e 17 anos, terão oficinas de teatro, circo e artes plásticas. Para atrair o público, trouxeram como novidade o trabalho com adolescentes, separados das crianças de até 10 anos. “É uma faixa etária com poucas opções de atividades. Para eles, nós teremos, este ano, uma oficina de DJ, terminando com uma balada”, detalha. “A gente sabe que o período das férias é muito especial para o imaginário das crianças. Se as tarefas forem bacanas, elas vão lembrar para o resto da vida”, completa Dayse.

Alta nos preços

Desde que a Avianca deixou de operar no Brasil, os preços dos bilhetes aéreos dispararam no país. Os últimos dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que, entre abril de 2018 e abril de 2019, a média de tarifa das companhias ficou em R$ 445,85, aumento de 30,9%. Além da diminuição da concorrência, o aumento nos preços dos combustíveis de avião tiveram impacto direto: o querosene de aviação subiu 18%.
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