GDF rastreia novos pontos de risco na Rodoviária do Plano Piloto

Equipes da Novacap e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) passam pente-fino em toda a estrutura do terminal, parcialmente interditado desde esta quinta-feira (27/6). Bloqueio no trânsito provoca congestionamento nas imediações do local

 

 

Anos de desgaste e falta de manutenção transformaram a Rodoviária do Plano Piloto em sinônimo de perigo. Chão desnivelado, banheiros destruídos, fiação à mostra, infiltração e escadas rolantes e elevadores sem funcionar são alguns dos problemas encontrados pelas 700 mil pessoas que passam pelo terminal diariamente. Após o Governo do Distrito Federal (GDF) anunciar que a estrutura está com risco iminente de desabamento, estacionamentos e duas vias do terminal foram totalmente bloqueadas. Agora, o espaço passa por avaliações e novas interdições não são descartadas.
Laudo da Novacap revelou que a Rodoviária corre risco de colapso, como aconteceu em fevereiro do ano passado, no viaduto da Galeria dos Estados. “Equipes da Novacap e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) trabalham para analisar toda a estrutura, que é gigantesca. Além disso, temos pontos que só são acessíveis por câmeras; por isso, o processo é mais demorado”, afirmou o secretário de Obras, Izídio Santos.

Apesar das interdições, as obras ainda não começaram. Em nota, a Subchefia de Relações com a Imprensa do Palácio do Buriti explicou que o Executivo aguarda aprovação do Tribunal de Contas do DF (TCDF) para alterar o modo de licitação das intervenções estruturais — de normal para emergencial. A expectativa do GDF é de que a medida seja feita até a próxima segunda-feira. Em seguida, os trabalhos deverão ser iniciados “o mais rápido possível”.

Trânsito

As interdições ocorreram na plataforma superior do terminal. O trecho entre o Conjunto Nacional e o Conic ficou totalmente bloqueado para o tráfego. Os estacionamentos também permanecem fechados. No lado oposto aos shoppings, apenas veículos leves podem circular, e uma das três faixas teve o sentido invertido. As mudanças devem durar 30 dias e serão revertidas após o escoramento de toda a estrutura.

Nesta quinta-feira (27/6), houve engarrafamento no início da manhã e no fim da tarde. No entanto, o diretor de Policiamento e Fiscalização do Departamento de Trânsito (Detran), Francisco Saraiva, ressaltou que o tráfego fluiu de forma lenta, mas nada atípico. “Tudo ocorreu dentro da normalidade. Tivemos congestionamentos, que fluíram normalmente com o tempo. Esperávamos uma situação pior”, ressaltou.

A orientação do Detran é de que os motoristas usem vias alternativas para acessar a área central de Brasília, como L2, L4 e W3. Com os estacionamentos bloqueados, a sugestão de Francisco é de que os condutores parem os veículos no Conjunto Nacional ou no Conic. Os veículos pesados, como caminhões e ônibus, foram orientados a circular nas vias N1 e S1. “O nosso conselho para quem realmente precise usar as faixas com alterações é ter calma e paciência”, disse.

Os ônibus que usavam a plataforma superior também tiveram a rotina alterada. Agora, os passageiros desembarcam no piso inferior. No total, 10 equipes do Detran permanecem na Rodoviária para orientar motoristas e controlar o tráfego, caso necessário. Nesta quinta-feira (27/6), não houve registros de acidentes, e o trânsito fluiu sem grandes problemas na volta para casa. Entretanto, a medida não agradou os comerciantes.

O proprietário de uma loja da plataforma superior queixou-se que as interdições atrapalham a chegada de clientes. “Ficamos fechados este ano por causa de outra reforma. Tivemos um prejuízo enorme, e o meu medo é de que a situação volte a se repetir”, lamentou o comerciante, que preferiu não se identificar.

Transtornos

Os problemas da Rodoviária do Plano Piloto são perceptíveis. O desnível do teto da plataforma superior é visível, e os pedestres andam com pressa, temendo que a estrutura ceda. Os banheiros estão destruídos e as poucas cabines com vasos sanitários ainda têm divisórias. Os elevadores e as escadas rolantes não funcionam. O especialista em engenharia e diagnóstico do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) Rafael Martins ressaltou que o relatório divulgado pela Novacap enfatiza que a Rodoviária recebeu manutenção nos últimos 20 anos. No entanto, como a estrutura tem mais de 40, os problemas do passado se manifestam até hoje. “Por muito tempo, o espaço foi totalmente negligenciado, e isso onera as atuais intervenções. Não tem como esconder esse custo, que uma hora ele aparece”, criticou.

O especialista destacou que as falhas da estrutura devem ser tratados de forma imediata. “Todos esses problemas poderiam ter sido diluídos ao longo da história. Do ponto de vista da engenharia, essa manutenção não tem um aspecto corretivo, mas preventivo”, avaliou. Rafael ainda comentou que, além da questão das reformas, o governo precisa observar outras estratégias para o terminal, como a engenharia de tráfego e a dinâmica da cidade.
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