Câncer infantojuvenil representa a primeira causa de morte por doença do grupo etário no país

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Campanha Setembro Dourado visa conscientizar a alertar a população acerca do diagnóstico precoce

 

A primeira causa de morte, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), por doença na faixa etária de 5 a 19 anos, recebe, neste mês de setembro, a campanha acerca da importância de seu diagnóstico precoce e tratamento. Chamado Setembro Dourado, o objetivo é convocar as atenções para a seriedade do câncer infantojuvenil. “O diagnóstico precoce da doença aumenta as chances de cura em até 70%”, desenvolve a oncologista da Oncoclínicas Brasília, Lucélia Melgares.

De acordo com os dados do Inca, o número representa de 1 a 3% de todos os casos de câncer diagnosticados e tem, em média, mais de 8 mil novos casos por ano. Segundo a médica oncologista e hematologista pediátrica Isis Magalhães, diretora técnica do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), tal enfermidade em crianças e adolescentes apresenta características biológicas distintas de quando desenvolvida em adultos. “Por serem predominantemente de natureza embrionária, são constituídas de células indiferenciadas, normalmente de crescimento rápido e células tumorais que atingem outros órgãos além de seu local primário, ou, como podemos dizer, trata-se de uma doença sistêmica”, esclarece a profissional.

Os tipos que mais prevalecem nessa faixa etária, como destaca Isis, são as leucemias, linfomas e os que atingem o sistema nervoso central. O tratamento, por sua vez, pode ser feito através de quimioterapia e transplante de medula óssea para as leucemias, quimioterapia e radioterapia associada ou isolada nos casos de tumores sólidos. O sucesso, contudo, está relacionado ao estágio em que a doença começa a ser tratada. “Com o uso de protocolos multi-institucionais baseados em quimioterapia sistêmica, é possível alcançar taxas significativas de cura. Em alguns tipos como a leucemia linfoide aguda, o mais comum, as taxas de cura chegam hoje a 80%”, pontua a médica.

Sinais iniciais

Como explica a especialista Lucélia Melgares, o câncer infantojuvenil é considerado uma patologia rara que apresenta características distintas. “Sua causa pode ter alguma relação com alterações embrionárias e/ou alterações genéticas como determinadas síndromes” alerta a profissional. Por esse motivo, é importante que os profissionais de saúde, principalmente, o pediatra geral, estejam atentos a algumas formas de apresentação do câncer na infância, tendo em vista que, às vezes, apresentam sintomas semelhantes aos de doenças comuns na infância.

No caso de leucemia, de acordo com Lucélia, os sintomas mais comuns são: febre por mais de 7 dias sem causa aparente, dor de cabeça persistente e progressiva, predominante a noite e podendo estar acompanhada de vômito, dores ósseas progressivas, sangramentos inexplicáveis, surgimento de manchas roxas no corpo sem antecedentes de trauma, palidez palmar ou conjuntival grave. “Já no caso de suspeita de tumor cerebral, os pais devem ficar de olho nos seguintes: dor de cabeça, persistente e progressiva, predominante à noite ou logo ao acordar podendo ser acompanhado de vômito, estrabismo com aparecimento súbito, proptose (olho estufado), alteração na visão, desequilíbrio ou alteração ao andar”, acrescenta.

A oncologista destaca ainda que, sintomas como perda de peso ou de apetite, massa no corpo sem sinais de inflamação, massa palpável no abdômen, hepatomegalia e esplenomegalia (aumento do tamanho do fígado e do baço), podem ser um indício de tumor abdominal. “Além desses, um sinal importante é a apatia. Caso a criança perca a vontade de brincar ou diminua o ritmo das atividades de entretenimento já é preciso ligar o alerta”, reforça. A recomendação é que, diante de qualquer um dos sintomas, seja feita uma avaliação criteriosa da criança, com exame físico detalhado, bem como exames laboratoriais e de imagem e análise do histórico familiar. “Quando diagnosticada em fase inicial, é possível um tratamento menos agressivo, preservando a qualidade de vida dos pacientes”, orienta Lucélia.

Tratamento

Infelizmente, ainda não se pode falar em prevenção quando se trata de câncer infantojuvenil. Isso porque, conforme revela a diretora técnica do HCB, diferentemente do que ocorre no adulto, não existe evidência sobre exposições ambientais específicas estarem relacionadas ao desenvolvimento da doença nessa faixa de idade. Assim, Isis reitera que a ênfase atual deve ser dada ao diagnóstico precoce, preciso e ao tratamento adequado. Descoberto, há a necessidade de exames específicos e necessários para identificar os subtipos de cada neoplasia, sua extensão ou estadiamento para planejamento do tratamento adequado. “Os protocolos podem aliar várias modalidades de terapia, sendo que a cirurgia e a radioterapia também podem ser usadas em sequência à quimioterapia”, aclara a especialista.

É importante lembrar ainda que, o tratamento deve ser feito em um centro especializado, com estrutura física e profissional especificamente voltada para o atendimento infantojuvenil. “Aproximadamente 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros de referência. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado”, afirma Janaina Jabur, médica oncologista do Hospital Anchieta. Ela acrescenta ainda que, normalmente, os tumores em crianças e adolescentes costumam ser mais agressivos. Em contrapartida, respondem melhor aos tratamentos.

Ao término do tratamento, Isis Magalhães informa que, nos primeiros 5 anos, a criança e o adolescente devem ser acompanhados para os riscos de recaída do tumor, bem como para monitorar os efeitos tardios do tratamento e conscientizar sobre práticas de vida saudável para prevenção de câncer na fase adulta.

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