Reunião de líderes na Câmara para debater Previdência termina sem acordo

Também não está certo que a votação em 1º turno da matéria se estenda até sábado (13/7)

 

 

A reunião de líderes na Câmara para debater a reforma da Previdência terminou sem acordos na manhã desta terça-feira (9/7). A oposição não aceitou iniciar a pauta com debates, em vez de destaques. No primeiro caso, a discussão se estenderá até quarta (10/7), quando se iniciará a votação. No segundo, a votação será aberta já com discussões ponto a ponto.
Também não está certo que a votação em 1º turno da matéria se estenda até sábado (13/7). Os parlamentares contrários ao governo se reunirão e, no início da tarde, por volta de 14h30 o colegiado fará um novo encontro, mas não há muita expectativa de mudanças nos discursos.
O líder do Podemos, José Nelto (GO) argumenta que uma sessão de debates seria mais produtiva que de destaques, até porque teria mais tempo dispensado às discussões no primeiro caso. “Havendo acordo, inicia-se hoje a votação da reforma da Previdência e vamos para os debates. O parlamento é um processo de debate. Não somos donos da verdade. Votos, nós temos. Mas temos que ter cautela. Por que votar a matéria atropelando a oposição? Temos que respeitar. A oposição insiste em obstrução. Debater ponto por ponto. É o que permite o regimento da casa”, observou.
Para os opositores da reforma, o governo não tem votos para passar a matéria, e o mais provável é que a sessão seja suspensa e só retorne no segundo semestre. É o que afirma o líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ). “Não aceitamos a proposta do governo. Vamos nos reunir e vamos dar uma resposta para qual procedimentos propomos para a parte da tarde. O que percebemos é que o governo não tem os votos para aprovar a matéria. E por isso propõe jogar a votação para hoje à noite ou amanhã de manhã”, afirmou.
“Talvez o governo ainda aposte em liberação de emendas para chegar nos 308 votos. Um expediente que já deveria ter sido extinto no Brasil. Pelo visto, não liberou as emendas para todos os parlamentares. Por isso, o governo sente a necessidade de jogar a reforma para amanhã pela manhã. O governo blefa, diz que tem votos. Mas não tem. Por isso, vamos avaliar se não é o caso de apresentarmos a obstrução e testarmos os votos (do governo)”, disse Molon. “Vamos resolver nessa reunião, mas não aceitamos, no Colégio de líderes, a proposta de retirar a obstrução que goi feita para a oposição. Queremos um amplo debate para mostrar à população brasileira que é inaceitável uma proposta de reforma que retire R$ 20 bilhões de professores e policiais, para dar R$ 83 bi para ruralistas, que foi o que se fez de madrugada nessa casa”, acrescentou.
Sobre a possibilidade de a reunião se estender até sábado, Agnaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria, descartou. “O que existe é um sentimento de vencer o tema essa semana”, afirmou. “Estamos tentando vencer a obstrução. Se não houver entendimento, vamos para o regimento e vamos votar. É muito mais racional e saudável você, em vez de perder tempo com obstrução, debater o tema. É isso que estamos propondo. Um amplo debate, dois movimentos de obstrução e a votação. Vamos vencer o dia de hoje e depois falar de amanhã. Vamos vencer o primeiro turno e, depois, o segundo é mais rápido, com um quadro muito mais definido”, avaliou.
A líder do PSL na Câmara, Joice Hasselmann, por sua vez, demonstrou otimismo em sua fala. A parlamentar disse ter apostado R$ 100 em m bolão do DEM que a reforma passará com 242 votos, o mesmo número de votos do impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Ela também afirmou que a oposição se surpreenderá com o número de votos e que até parlamentares contrários ao governo votarão na reforma. Ela espera, ainda, votar a matéria em 2o turno essa semana.
“Dá pra votar o 2o turno sim, com esforço concentrado, com discussão e começo de votação entre hoje e amanhã, devolvemos para a comissão esse texto e quinta-feira, liquidamos essa fatura no plenário. Ou vai no acordo com um debate longo, com obstrução reduzida, ou tem obstrução, vencemos e votamos. É possível vencer a obstrução. Calculamos entre três e quatro horas. A oposição que aguarde. Vai ser uma surpresa até para a oposição. Aliás, teremos votos até da oposição”, ameaçou.
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