Oposição também vai às ruas: para defender a democracia

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Grito dos Excluídos deste ano inclui na pauta o repúdio ao atual governo federal e seu contínuo ataque a instituições da República

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará de atos no dia 7 de setembro. O político afirma também que não estará presente em nenhuma movimentação na data. A justificativa seria a pandemia do novo coronavírus. Por meio de sua assessoria, o ex-presidente afirmou ao Correio que não fez nenhum ato de rua desde o começo de março de 2020 e, em viagem recente ao Nordeste, não realizou eventos fechados pelo mesmo motivo. No entanto, especialistas avaliam que a posição de Lula é uma articulação de bastidor.

Pedro Pitanga, analista de risco político da Dharma Politics, afirma que o ex-presidente tem construído sua imagem político-eleitoral nos bastidores. “Lula é um político experiente e tem tido muita cautela, principalmente com aparições públicas. Parece-me contraproducente uma aparição de Lula antes do que seria o momento ideal para que ele comece suas campanhas públicas”, explica.

Pitanga ainda ressalta que, em um cenário de polarização, o ex-presidente se apresenta como principal antagonista ao presidente Jair Bolsonaro e, os dois juntos evitariam um terceiro nome para a disputa. “Este ponto mostra que um precisa do outro para que nas eleições do ano que vem. Entretanto, a tendência que nós observamos é que Lula permaneça construindo essa narrativa nos bastidores e não de maneira pública”, avalia.

O especialista ainda explica que a experiência de Lula o fez perceber que Bolsonaro, sozinho, tem gerado problemas para sua própria gestão. Segundo Pitanga, a posição de confrontamento de opositores, tomadas pelo atual chefe do Executivo, faz com que o ex-presidente se articule mais discretamente e estimule tanto o apoio político, quanto a conquista de votos.

Para André César, cientista político e sócio da Hold Assessoria, já era esperado que, devido a experiência do ex-presidente, ele não aparecesse nas manifestações desta semana. “Ele está indo muito bem nas pesquisas. Hoje, em tese, ganharia o primeiro turno. Então, ele sabe que não é o momento. O sete de setembro, dadas as condições que estamos vivendo, pode morrer gente. O Lula, um animal político do jeito que é, não vai se opor neste dia”, diz.

César ainda destaca a possibilidade do político aparecer estrategicamente depois. “‘Deixa quieto um pouquinho e depois a gente vê’. Seria um grande erro fazer qualquer posicionamento antes. Não teria porque entrar nessa história agora. Para ele entrar nesse jogo, só depois do feriado”, afirma.

O presidente do Partido dos Trabalhadores de Governador Valadares (MG) , Victor Dell’orto, endossa o ponto do especialista e afirma que não faz sentido esta aparição neste momento, haja visto que tem se posicionado bem nas redes sociais e em agendas pontuais. “O ex-presidente está numa posição confortável nas pesquisas atualmente, com probabilidade de uma vitória ainda no 1° turno. Na minha avaliação, Lula não deve se expôr à toa. Ele tem que se preparar para ganhar as eleições no ano que vem. Nossa base está orientada a ir para as ruas nesse feriado, para marcar posição”, revela.

Grito dos Excluídos

O Grito dos Excluídos é uma tradicional manifestação que ocorre no dia 7 de setembro, e completará 27 anos em 2021. O movimento é realizado por meio de atos em todo o Brasil com o intuito de reunir e reivindicar pautas e pessoas excluídas pelo governo federal. O PT estará nas ruas em apoio ao movimento, para movimentar as bases eleitorais e com críticas a Bolsonaro.

O deputado federal Leonardo Monteiro (PT-MG) reforça a participação do partido e diz que não se calará diante do atual governo. “Mais do que nunca é o momento de lutarmos pelos direitos que estão sendo retirados. Vamos às ruas por milhares de brasileiros com fome e desempregados. Lutaremos contra as privatizações. Nós do PT estaremos firmes com o povo. A base está mobilizada, o povo precisa e quer mudança”, afirmou.

Leonardo Patrick, secretário de Formação Política do PT de Ipatinga (MG), defenderá a democracia nos atos. “Hoje o povo tem sofrido muito com o pior governo desde a redemocratização do Brasil. É natural que os movimentos sociais organizados estejam nas ruas. Essa movimentação não acontecerá só no dia 7 de setembro, mas continuará mobilizando a população para enfrentar o retrocesso social que representa o governo Bolsonaro”, disse.

Marcely Alvarenga, filiada ao partido, militante e ex-candidata a vereadora em Turumirim (MG) afirma que as manifestações pró-governo são sem cabimento, sem lógica e só servirão para ostentar o fanatismo e o ataque à democracia que é o que sabem fazer de melhor. “Nas cidades e nos interiores o povo quer comida na mesa, ir ao supermercado, ao açougue e poder levar alimento para casa, para sua família. O povo quer vacina no braço e a vida como era antes”, critica a opositora que estará junto ao ato no feriado.

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