Reflexo de GAG x engasgo: pediatra ensina a distinguir possíveis situações durante a introdução alimentar

 

Na descoberta de sabores e texturas, os bebês precisam se adaptar aos novos estímulos e o corpo pode apresentar algumas reações a essa novidade; especialista orienta como agir nesses momentos

 

Brasília, 5 de julho de 2022 – Quando as necessidades nutricionais de um bebê aumentam e o leite materno passa a não ser mais a única fonte de sustento, é normalmente iniciada a introdução de alimentos complementares. A transição, de maneira geral, começa aos seis meses de idade e existem diversos métodos de realizá-la, sendo os mais conhecidos: o Tradicional e o BLW (Baby-Led Weaning, que significa “desmame guiado pelo bebê”). Independente da técnica escolhida, é muito importante que os pais estejam preparados para reconhecer possíveis reações do corpo da criança, como o GAG – que vem do termo em inglês “gag reflex”, cuja tradução é “ânsia de vômito”.

 

De acordo com o médico pediatra Dr. Henrique Gomes, o GAG é ocasionado por um aumento de sensibilidade da área atrás da boca, que envolve o palato, a úvula e a base da língua. “O GAG ocorre quando uma grande quantidade de alimento chega e o bebê não consegue engolir. Desta forma, ele põe o alimento para fora. O reflexo acontece com maior frequência na criança que come papinha ou quando ela se alimenta só, colocando grandes porções na boca ou mesmo comendo rapidamente”, explica.

 

Esta resposta é uma proteção natural que ocorre para evitar o engasgo ou a deglutição de objetos estranhos. A sensibilidade para o grau de intensidade do reflexo varia de pessoa para pessoa, mas é mais comum até os quatro anos de idade, quando as funções orais amadurecem. Em resumo, o GAG é uma reação do próprio organismo para que a criança seja capaz de cuspir a comida, ajudando, assim, o bebê a não engasgar.

 

Ao contrário do que muitos pensam, ele é diferente do engasgo, pois o GAG é necessário no processo evolutivo até o amadurecimento dos músculos orais. Já o engasgo, é caracterizado por uma falha no processo de deglutição, seja de origem física ou psicológica, com obstrução total ou parcial da via aérea. Geralmente, o reflexo de GAG se apresenta com regurgitação alimentar e tosse, não sendo necessário maiores intervenções. O engasgo, por outro lado, é considerado uma emergência médica.

 

Normalmente, os responsáveis não precisam fazer nada além de observar. “O reflexo de GAG não dura mais do que 15 segundos. Mas é importante observar se o bebê vai conseguir se livrar daquele alimento. Portanto, confiança e paciência são importantíssimas nesta fase. As crianças menores, que ainda estão na fase de introdução alimentar, ‘se educam’ a comer mais devagar devido à esta resposta”, orienta o Dr. Henrique Gomes.

 

Como identificar os sinais do engasgo:

 

  • Tosse silenciosa, ânsia de vômito ou choro incessante;

  • Respiração rápida e ofegante;

  • Bebê não conseguir respirar, com lábios azulados e pele pálida ou com vermelhidão;

  • Ausência de movimentos respiratórios;

  • A criança faz um esforço muito grande para respirar ou sons incomuns;

  • Tentar falar, mas não emitir som algum.

 

Sobre o Dr. Henrique Gomes – Médico pediatra da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal desde de 2008, Henrique é pós-graduado em Lato Sensu em Doenças Funcionais e Manometria do Aparelho Digestivo no Hospital Israelita Albert Einstein. Residência médica em pediatria pelo HMIB (2006 e 2007), além de atuação na área de gastropediatria pelo HBDF (2008 e 2009), o profissional atua na área de Gastroenterologia Pediátrica, especialidade que auxilia o pediatra na assistência de crianças e adolescentes portadoras de sintomas relacionados ao aparelho digestivo, como náuseas, vômitos, diarreias, alergias aos alimentos, dores abdominais, constipação intestinal, entre outros.

Atualmente é médico pediatra da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal desde de 2008; médico pediatra do Grupo Santa (Hospital Santa Lúcia Sul e Taguatinga) e médico pediatra das clínicas PedCare e Le Petit.

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