Bitcoin perde metade do valor em 6 meses: estamos vivendo um ‘criptoinverno’?

Com a economia global passa por um momento difícil as criptomoedas são as primeiras a perder seu valor justamente por terem alta volatilidade

 

uando as coisas estão indo bem, os investidores gostam de riscos. Mas quando a economia global passa por um momento difícil, como agora, o grande capital prefere se refugiar em investimentos mais seguros.

Assim, no cenário atual, de grande aversão ao risco diante de tantas incertezas na economia, as criptomoedas são as primeiras a perder seu valor justamente por terem alta volatilidade.

Cada vez mais especialistas alertam para a possibilidade de o mundo estar à beira de um “criptoinverno”, conceito usado entre os investidores para se referir a uma queda sustentada no preço das moedas digitais.

Desde o início deste ano, muitos analistas vêm alertando sobre esse risco no horizonte.

Um deles, David Marcus, empresário americano, ex-chefe do setor de criptomoedas do Facebook e ex-presidente do Paypal, deu sinais em janeiro de que o inverno havia chegado. “É durante os criptoinvernos que os melhores empreendedores constroem as melhores empresas”, disse Marcus.

Nesta segunda-feira (10/5) o bitcoin, a maior das criptomoedas, sofreu uma queda acentuada que o levou a acumular uma perda de metade do seu valor nos últimos seis meses.

De uma alta histórica próxima a US$ 68 mil por bitcoin em novembro, a cotação agora caiu para US$ 33 mil.

A queda da principal moeda eletrônica arrastou para baixo o restante do mercado de criptomoedas, que neste ano perdeu cerca de US$ 1 bilhão como um todo.

Por que o bitcoin caiu?

“As criptomoedas são um ativo de alto risco, embora existam pessoas que esperam que o preço suba no longo prazo e elas se tornem um ativo de refúgio seguro”, diz José Francisco López, diretor de conteúdo da Economipedia.

Quando as bolsas caem, diz ele à BBC News Mundo (serviço de notícias em língua espanhola da BBC), “os investidores preferem se livrar dos ativos mais voláteis”.

Empresa de bitcoin na Turquia

Getty Images
“As criptomoedas são um ativo de alto risco, embora existam pessoas que esperam que o preço suba no longo prazo e elas se tornem um ativo de refúgio seguro”, diz José Francisco López, diretor de conteúdo da Economipedia

Em Wall Street, as ações das empresas de tecnologia agrupadas no índice Nasdaq caíram, “seguindo uma correlação com a queda do bitcoin”, explica Diego Mora, analista sênior da consultoria XTB.

Isso acontece porque tanto as moedas digitais quanto as ações de empresas de tecnologia serviram aos investidores “para procurar dinheiro fácil”.

Mas desde que o Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) começou a elevar as taxas de juros, há um interesse maior dos investidores em buscar ativos mais seguros, como títulos do Tesouro ou o dólar.

“Nessas circunstâncias, as pessoas vendem seus ativos mais arriscados”, explica Mora.

Ainda mais quando as perspectivas indicam que as taxas de juros continuarão subindo em diferentes partes do mundo para controlar a inflação.

Além do aumento das taxas de juros (que na semana passada incluiu grandes economias como Reino Unido, Estados Unidos e Canadá), somam-se outros fatores que ajudam a aumentar a incerteza sobre os rumos da economia, como os confinamentos em Xangai devido à covid-19 e à tensão geopolítica devido à guerra na Ucrânia.

De onde vem o conceito de criptoinverno?

Quando o preço das criptomoedas cai constantemente por vários meses, os especialistas falam em criptoinverno.

O conceito refere-se ao que aconteceu em 2018, quando o bitcoin caiu até 80%. Isso semeou pânico no mercado de criptomoedas e fez com que a grande maioria das moedas digitais despencasse junto.

Foi somente em meados de 2019 que os mercados de criptomoedas mostraram sinais de recuperação, alimentados por investimentos recordes de instituições tradicionais, como bancos e grandes fundos de investimento.

 

 

 

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