Um super Projeto social empodera mulheres em situação de vulnerabilidade

Curso de corte e costura social promove empoderamento e profissionalização feminina de forma gratuita. Até o fim do ano, a expectativa é profissionalizar 150 alunas

 

Entre as máquinas de costuras, bordados e tecidos, as alunas da primeira turma de qualificação profissional, do projeto Ação Social Caminheiros de Antônio de Pádua (Ascap-BsB), aprendem técnicas de confecção que garantem muito mais do que renda. A iniciativa é destinada a mulheres marginalizadas ou em situação de vulnerabilidade emocional e socioeconômica.

“Antes, estava sempre triste em casa, mas quando comecei a vir para cá, voltei a sorrir”, destaca Lucicleide Mesquita, 50 anos, moradora do Setor O. “Fazer o curso fez bem para o meu coração, para a minha alma. Nunca sequer tinha costurado, foi a primeira vez aqui e quem ver o resultado final (das peças) nem acredita que cheguei aqui sem saber nada”, afirma.

O projeto nomeado de “Fortalecimento do protagonismo social, da saúde emocional e qualificação profissional em comunidades do DF” tem o objetivo de formar até 150 mulheres. Para a iniciativa, a Ascap recebeu uma emenda de R$ 150 mil destinada pela senadora Leila Barros, repassada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A presidente da Ascap, Salvelina Pereira Cabral, salienta que a ideia do projeto “é mostrar que a solidariedade ao próximo não deve ser apenas sentimento, mas uma atitude”.

Agripina Oliveira,  de 68 anos, conseguiu ganhar um dinheirinho com o curso
Agripina Oliveira, de 68 anos, conseguiu ganhar um dinheirinho com o curso(foto: Edis Henrique Peres/CB)

 

Salvelina reforça que o empoderamento é o grande diferencial proporcionado pela chamada costura social. “Fazemos um trabalho com muita vontade de ajudar e servir. Nossa vontade é ampliar o nosso atendimento, oferecer mais cursos, atender mais pessoas e dar mais apoio psicológico”, conta. A Ascap pretende montar a infraestrutura de um galpão para ampliar as atividades.

Na avaliação de Marilucia Lopez, 41, moradora de Ceilândia, a chance de fazer o curso é a retomada de um sonho de infância. “Sempre quis ser estilista e trabalhar com costura, mas acabei ficando sem oportunidade. Quando surgiu o curso, decidi que ia agarrar a chance com tudo. Agora, quero me aperfeiçoar ao máximo e, no futuro, quem sabe até teremos um desfile com roupas que eu mesmo desenhei e costurei?”, se anima.

O entusiasmo que Marilucia sente para lutar por seu objetivo é graças ao apoio que recebe. “Temos essa força devido às pessoas que mostram para a gente que podemos realizar os nossos sonhos, podemos ir atrás do que queremos”, assegura. É essa rede de apoio que também faz a diferença para Marlene Almeida, de 61 anos. “Criamos amizades aqui para a vida toda, tinha gente que morava perto da minha rua e eu não conhecia. Agora mantemos esse laço”, conta.

“Colcha de sentimentos”

Designer de moda e professora do curso, Suzete Pereira Cunha detalha que, ao todo, o curso tem 60 horas, são praticamente dois meses de duração. Essa primeira turma teve nove alunas, pois teve um caráter mais experimental. Mas ainda teremos mais nove turmas, para finalizar as 150 pessoas capacitadas”, garante. Suzete diz que o curso é uma etapa inicial da costura para as mulheres. “Aqui elas constroem muitos laços de amizade, formam essa colcha de retalhos de sentimentos, vão desenvolver autonomia econômica e uma vitrine para os seus trabalhos. Além disso, elas têm um orgulho muito grande de terem participado e se formado, é uma satisfação elas terem esse conhecimento”, descreve a professora.

Agripina Oliveira, 68, moradora de Ceilândia, conhecia algumas técnicas, mas no curso aprimorou seu serviço. “Aprendi a questão de modelagem de bolso, de zíper, costura reta e triangular. Tudo isso ajuda muito, porque tem coisas que a gente já sabe e outras que a gente pensa que sabe, mas aqui aprimoramos. Este mês já deu até para eu tirar uma renda com o que aprendi no curso”, garante.

Enquanto compartilha a experiência do curso, Adalgisa Gonçalves, 69 anos, é tomada pela emoção. “Foi ótimo porque fizemos muitos amigos. Desde os meus 16 anos sempre quis fazer costura, mas me casei, tive filhos, e fui deixando de lado. Agora acordei para isso. Para ir atrás de tanta coisa que eu quero, sair de casa, ter essas amizades”, pondera.

Jane Meire Lima, 55, aproveitou para confeccionar bolsas, que coloca debaixo do braço e mostra com orgulho. “É uma chance para se ter uma renda. E minha mãe, Antônia, que hoje tem 75 anos, é costureira. O engraçado é que eu nunca aprendi o ofício com ela, embora quando pequena ficasse na máquina ajudando-a a pregar os botões nas roupas. Hoje, anos depois, estou no curso. Ela ficou super contente quando soube que eu estava aprendendo a costurar. Minha mãe sempre fala que nunca é tarde para a gente aprender”, finaliza Jane. Os interessados podem buscar informações no blogue http://www.ascapbsb.blogspot.com ou pelo pelo telefone 61 9 93096740 (WhatsApp).

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