Tempestades de poeira matam quatro pessoas em São Paulo

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Fenômeno considerado incomum atinge o Brasil pela segunda vez em cinco dias. Na sexta-feira, ventania derrubou muro, que caiu sobre homem. Três pessoas morreram após temporal intensificar queimada em pasto

 

Tempestades de poeira que atingiram o interior de São Paulo, na sexta-feira, deixaram quatro mortos e seis feridos. Em Tupã, a 507km da capital paulista, a força do vento derrubou um muro, que atingiu e matou um homem. Outras três pessoas morreram, envolvidas pela nuvem de fumaça e fogo que se formou após o temporal atingir um pasto em chamas, próximo à cidade de Santo Antônio de Aracanguá, a 37km de Araçatuba. Na tarde do mesmo dia, as rajadas de vento com poeira também causaram transtornos em Goiânia, a 170km de Brasília. O teto de um shopping center foi danificado, e um avião da companhia aérea Gol precisou cancelar o voo na capital goiana e ser deslocado para Brasília. Em Senador Canedo, a 23km de Goiânia, uma ambulante sofreu fraturas nas duas pernas, após uma árvore cair sobre a mulher. Gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do Estado de Goiás (Cimehgo), André Amorim disse que o Distrito Federal pode ser atingido pelo fenômeno nos próximos dias.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) explicou que as rajadas que levantaram nuvens densas de poeira no interior paulista chegaram a 80km/h. A tempestade de areia, conhecida como “haboob”, é provocada por temporais de chuva com ventos fortes, que, ao entrarem em contato com o solo muito seco, encontram resquícios de queimada, poeira e vegetação. Isso acaba por criar uma espécie de “rolo compressor” de sujeita, o qual pode formar paredões de até 10km de altura.

Em entrevista ao site UOL, Pedro Côrtes, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), admitiu que as tempestades de poeira não são comuns no Brasil. Segundo ele, o fenômeno ocorre mais em cidades do interior, quando o vento forte coincide com o intervalo entre a colheita e o cultivo nas lavouras. “Como há uma seca muito severa, e o nível de umidade na superfície é baixo, o solo fica exposto em áreas muito planas, as quais favorecem a circulação de ventos intensos”, explicou.

Antecedente
Em uma semana, foi o segundo dia em que o Brasil registrou o fenômeno. Em 26 de setembro passado, cidades do interior de São Paulo e de Minas Gerais foram afetadas por uma tempestade de poeira. Ventos de até 93km/h foram registrados nas cidades mineiras de Uberlândia, Uberaba e Frutal. A ventania cortou o fornecimento de energia elétrica e levou alguns municípios a decretarem estado de emergência. Na sexta-feira, em Tupã, as rajadas de vento com poeira derrubaram o muro de uma obra no bairro Reserva Tupã. O trabalhador Fábio Alex Marques Castro, 42 anos, sofreu ferimentos graves e morreu após chegar ao hospital.

Em Santo Antônio de Aracanguá, funcionários de uma usina e de uma fazenda usavam tratores e caminhões-pipa no combate a uma grande queimada quando uma forte ventania atingiu a propriedade, levantando uma nuvem de poeira, fumaça e fogo. Parte das equipes não teve tempo de se abrigar e foi envolvida pela tempestade. Três pessoas — dois funcionários de uma usina e um dos proprietários da fazenda — morreram.

Genival Francisco Moreira, diretor de obras da prefeitura de Santo Antônio, explicou que o fogo na fazenda estava quase controlado quando a ventania forte avivou as chamas e levantou a nuvem. Ele contou à Polícia Civil que as pessoas ficaram perdidas dentro da fuligem em chamas e da poeira. Uma das vítimas estava em um trator que foi carbonizado. Cerca de 20 bois da fazenda também morreram queimados ou asfixiados pela fumaça.

93
km/h

Velocidade das rajadas de vento registradas nas cidades mineiras de Frutal, Uberaba e Uberlândia, no último dia 26

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