Revista pornográfica é achada perto do corpo de Pedrolina

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Mulher foi encontrada morta em um matagal às margens na L4 Sul. Polícia ainda procura suspeito do crime

 

Mais um crime bárbaro chocou o DF. Desta vez, a vítima, Pedrolina Silva, 50 anos,foi achada morta em um matagal às margens da L4 Sul, nessa terça-feira (03/09/2019), no local onde há uma trilha de terra batida, próximo ao Centro Universitário Unieuro. Carcaça de animal pode ser vista em toda parte. O cadáver estava a cerca de 1,5 km da via. Bem perto, havia uma revista pornográfica, possivelmente deixada por quem cometeu o crime. De acordo com fontes da polícia, isso pode indicar que a mulher sofreu abuso sexual, mas só os laudos poderão confirmar essa possibilidade.

O corpo estava de bruços, só de calcinha e uma camiseta listrada manchada de sangue. Pedrolina desapareceu no domingo (01/09/2019), após sair para se encontrar com uma amiga, e foi achada morta na terça. Vizinhos e amigos ainda tentam entender os motivos de tamanha crueldade. Até agora, nenhum suspeito foi preso. Estivemos no endereço onde a auxiliar de serviços gerais morava havia cerca de três anos, na quadra 3 do Paranoá Parque.

O apartamento da vítima, no quarto andar, está vazio. Na porta, trancada por grade, há um tapete com a palavra “welcome”, ou bem-vindo, em português. As janelas estão fechadas. Desde a notícia da tragédia, um familiar apareceu no local, mas os vizinhos não souberam dizer de quem se trata.

Os moradores do mesmo bloco de Pedrolina receberam a notícia com profunda tristeza. “Ficamos muito surpresos. Ela era amigável, trabalhadora. Pouco ficava na rua de conversa. Vivia só e não era de receber visitas. Saía todo dia cedo e voltava à noite. A rotina, pelo que nós percebíamos, se resumia de casa para o trabalho e vice-versa”, disse Rosimar Lopes Coelho, 66, morador do 2° andar no mesmo prédio da vítima.

Outro vizinho, do bloco da frente, o vigia João Vargas Teixeira, 53, comentou que na última semana falou rapidamente com a auxiliar de serviços gerais enquanto ela saía para ir ao mercado. “Todos se conhecem na região. Ela passou e eu estava na rua conversando. A Pedrolina me cumprimentou e logo voltou com as compras. Era uma mulher tranquila. Nunca a vimos em nenhuma confusão. Também queremos entender o que aconteceu com ela”, ressaltou.

Pedrolina vivia o melhor momento da vida. Há dois meses, havia pegado as chaves do seu apartamento no Paranoá Parque, e, no final de 2018, formou-se em serviço social pela Universidade Católica de Brasília. Funcionária de uma farmácia em Taguatinga Norte, alimentava muitos outros sonhos, que acabaram interrompidos de forma brutal.

O assistente social Cláudio Alves de Almeida, 48, conhecia Pedrolina há cerca de oito anos. Os dois cursaram juntos o curso de serviço social na Católica e se formaram no ano passado. Ele, que tinha contato próximo com a vítima, disse que todos estão chocados com a morte da amiga.

“Conversávamos diariamente. O nosso grupo da faculdade nunca se afastou. O mais impressionante nisso tudo é que ocorreu com ela exatamente o tema que nós mostramos no nosso trabalho de conclusão de curso: ‘A violência contra a mulher negra no DF’. Assim que eu soube do desaparecimento, disponibilizei meu número para receber notícias sobre o paradeiro da Lina. Estávamos angustiados sem notícias e infelizmente recebemos a pior delas”, comentou.

Cláudio afirmou ainda que Pedrolina estava solteira e não se relacionava com ninguém atualmente. “Não sabemos o que pode ter motivado essa crueldade que fizeram com a nossa querida Lina. Acreditamos que, nesse caso, foi um bandido que encontrou naquele momento uma oportunidade. É ruim saber que essa violência existe e está tão próxima a nós”, destacou.

Ainda segundo Cláudio, a família está muito abalada. “Conversei com a dona Alice, mãe da Lina, por telefone, mas ela está desolada. Não conseguia falar. O filho que denunciou o desaparecimento da mãe no domingo mesmo, também está procurando forças para seguir.” O assistente social descreveu a amiga como uma pessoa feliz e guerreira. “Tinha o coração enorme. Muito humana. Falar dela é fácil. Sempre preocupada com o bem-estar dos que a cercavam. Tinha uma maneira linda de levar a vida e sua alegria era contagiante. Já nós faz uma falta imensa”, acrescentou.

Claunice Telles, 49, conta que havia combinado de buscar Pedrolina na parada entre 10h15 e 10h30. “Ela morava sozinha e acabava passando muitos fins de semana sem companhia. Eu a convidei para passar o dia comigo e minha família no clube e, como moro no Gama, marquei de buscá-la na L4 Sul”, contou.

Claunice diz que chegou ao local no horário combinado e não a viu. “Liguei três vezes, e só dava caixa postal. Pensei que ela tivesse desistido de última hora e não conseguiu me avisar por falta de bateria.” Instantes antes, Pedrolina enviou áudio pelo WhatsApp para Claunice, dizendo que havia chegado à parada.

Ao tomar conhecimento da morte da amiga, Claunice entrou em choque. “De certa forma me sinto culpada, porque se eu não tivesse feito o convite, nada disso teria acontecido. Ela vivia o melhor momento, havia conquistado muitas coisas”, disse, emocionada. Pedrolina era separada e mãe de um homem de 30 anos, casado e morador de Ceilândia.

Corpo em matagal

A execução de Pedrolina ocorre no momento em que a cidade acompanha em choque os desdobramentos do caso do maníaco Marinésio Olinto, 41 anos, que confessou ter matado duas mulheres e é suspeito de ser o autor de outros homicídios.

No caso de Pedrolina, após as investigações, policiais tiveram acesso a imagens de câmeras de segurança que mostram um homem, às 9h43, correndo e subindo um barranco rumo ao ponto de ônibus onde ela estava. O criminoso agarra e imobiliza a auxiliar de serviços gerais. Ela ainda tenta resistir, mas é rendida. Na sequência, o suspeito a arrasta para um matagal.

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