Professores de escolas privadas acionam MPT contra volta de aula presencial

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Sinproep lamentou a autorização da Justiça para o retomada imediata na rede particular a partir desta quarta-feira (5/8)

 

O Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproep-DF) estuda pedir ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que a decisão sobre o retorno presencial das aulas na capital do país, a partir desta quarta-feira (5/8) seja revista.

O advogado da entidade, Bruno Paiva Gouveia, disse que o sindicato lamenta a decisão judicial divulgada na noite de terça-feira (4/8).

“Entendemos que não é o momento do retorno das atividades presenciais uma vez que ainda estamos no pico da pandemia e a curva não dá sinais de retração. Achamos que o ideal seria o retorno gradual e escalonado como havia sugerido a própria juíza na audiência de conciliação na última segunda-feira (3/8)”, avaliou.

Segundo Gouveia, o Sinproep está em contato com o Ministério Público do Trabalho (MPT). “Estamos dialogando para a gente analisar e estudar a possibilidade de impugnação dessa decisão judicial e se vamos entrar com com mandado de segurança no tribunal, pedindo a suspensão e o retorno gradual das atividades. Estamos avaliando essa possibilidade”, explicou Bruno.

A decisão é da juíza Adriana Zveiter, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. A Corte havia suspendido o retorno das atividades que estava prevista anteriormente para 27 de julho e medida cautelar expedida pelo juiz Gustavo Carvalho Chehab, também do TRT-10, suspendeu a volta às aulas até esta quinta-feira (6/8).

De portas fechadas

Prestes a completar cinco meses sem atividade presencial, as escolas particulares foram autorizadas a receber os alunos novamente. Entretanto, na manhã desta quarta-feira, as unidades de ensino privado continuavam com as portas fechadas, ainda como medida de enfrentamento do novo coronavírus.

Na 912 Sul, o Sigma amanheceu absolutamente vazio. A reportagem esteve no local por volta das 7h15 e, no tempo em que a equipe esteve em frente ao colégio, nenhum pai ou aluno chegou ao local.

No Olimpo, também na 912 Sul,  não registrou movimentação de funcionários ou estudantes.

Lívia Tomazia de Melo, assistente dos gestores do Colégio Sagrado Coração de Maria, na 702 Norte, comentou que a escola não reabrirá as portas nesta semana.

“Nós já havíamos estipulado um calendário de volta da própria escola com datas a partir do dia 10 de agosto para funcionários e outras datas para os alunos. Também fizemos pesquisa com os pais para saber de fato os que mandariam os filhos de volta para a escola. No ensino médio, por exemplo, temos apenas 20% de confirmação. Vamos voltar com toda a segurança necessária, seguindo protocolos e com o revezamento da presença. Tudo para dar confiança aos nossos pais, funcionários e alunos nesse momento.”

Padre Marcos de Ávila Rodrigues, diretor do Colégio Rogacionista, no Guará 2, comentou que a unidade não pretende retomar as aulas presenciais em agosto.

“Nós estamos acompanhando a situação da pandemia pela Saúde. O nosso quadro de funcionários tem 40% no grupo de risco e não vamos arriscar. Fizemos pesquisas com toda a comunidade escolar e, até o momento, entre 15% a 20% dos ouvidos disseram que voltariam à escola. Queremos um retorno com segurança e esperamos o momento oportuno. O ensino remoto está funcionando muito bem no Rogacionista. Sem prejuízos aos professores e estudantes”, disse o religioso.

Ao Metrópoles, o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe), Álvaro Domingues, disse que, como a liminar previa 10 dias para a retomada, esse prazo se encerraria nesta quarta-feira (5/8).

“Nós recomendamos que não houvesse nenhum planejamento antes de vencidos os 10 dias de prazo. Além disso, muitas escolas suspenderam o retorno nessa semana em função de aguardar a decisão da Justiça. O levantamento que temos é que algo em torno de 40 escolas sinalizaram que já planejavam a abertura para esta quinta-feira (6/8). É um número pequeno diante das 570 em Brasília. Esses desencontros de decisões entre as diferentes esferas do poder acabaram criando uma insegurança muito grande”, disse.

Associação de Pais e Alunos do DF (Aspa- DF) entende que, com a volta imediata às atividades presenciais, o GDF, como o grande responsável pela coordenação do retorno às aulas na rede particular, possa demonstrar aos pais como será feito o monitoramento desse retorno, se isso pode ou não impactar no aumento de casos da Covid-19.

“Esperamos que o GDF demonstre para a sociedade como será esse monitoramento. É importante também a gente começar a pensar na questão da educação. De como se dará os planejamentos para que a gente possa acompanhar também o rendimento dos alunos em relação à aprendizagem híbrida, nesse momento”, opinou o presidente da entidade, Alexandre Veloso.

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