Paciente realiza o sonho de comer sanduíche 

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Após 70 dias internado no Hospital de Base para tratar de câncer, doente é autorizado a devorar o tão sonhado lanche 

 

Parecia uma criança quando ganha aquele tão sonhado brinquedo. Assim estava Wellington José Pinheiro, publicitário de 60 anos, ao receber num leito do Hospital de Base a bandeja contendo o inusitado pedido que ele havia feito há quase três meses: um combo completo de sanduíche da famosa rede McDonald’s, com direito a hambúrguer, batatas fritas e refrigerante. Médicos e paciente festejaram esse momento tão especial na vida do sexagenário, que luta contra um câncer.

Paciente comemora o gesto de solidariedade dos profissionais que providenciaram o lanche especialA cena ocorreu na última quinta-feira (19), no setor de Hematologia do Hospital de Base do DF (HBDF), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IGESDF). Nesta terça-feira (24), Pinheiro teve alta, comemorada junto com a equipe que desde o dia 7 de junho vinha lhe atendendo. Antes, ele havia passado um mês internado no Hospital Regional de Saúde Leste (Paranoá) diagnosticado com mieloma múltiplo, um tipo de câncer que afeta as células produzidas pela medula óssea.

Quando Pinheiro chegou à Hematologia, foi logo avisando que estava enjoado de comer comida de hospital e pediu um “McLanche Feliz”, popular sanduíche da rede. Pedido  solenemente negado. “Naquele momento ele não estava em condições de comer esse tipo de alimento, porque o quadro respiratório dele não era bom”, relembra a fonoaudióloga Camila Rodrigues, que descartou, mas não se esqueceu do pedido.

Intubação prolongada

“Mas depois de várias semanas, ao avaliá-lo novamente, conclui que o paciente poderia comer o sanduíche. Então, mobilizei meus colegas para realizar o desejo dele”, relatou. Mas o plano de Camila só pôde ser executado depois de quase dois meses do pedido. Nesse período, Pinheiro chegou a ser intubado duas vezes, ficando 27 dias respirando com a ajuda de aparelhos e recebendo alimentação via sonda.

A intubação prolongada levou o paciente a uma traqueostomia. Esse tipo de cirurgia abre a traquéia para ajudar na reabilitação do paciente. Pinheiro, então, passou a ser alimentado pela boca com comida pastosa.

Primeira mordida

Depois de sete dias submetido a essa dieta, o paciente foi decanulado, ou seja, o tubo colocado na traquéia foi retirado. “Aí ele recebeu a liberação médica para comer o lanche que tanto desejava”, contou Camila, feliz em poder realizar o sonho gastronômico do paciente.

O publicitário também se emocionou ao receber o sanduíche. “Quando ela trouxe o lanche eu nem acreditei”, afirmou, emocionado. “Era um combo inteiro para mim. Foi um momento especial demais, desde a primeira mordida”.

Momento compartilhado com parte da equipe de oito profissionais de saúde, entre médicos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas, que cuidaram de Pinheiro no Hospital de Base.  O paciente já retornou à casa dele, mas continuará fazendo sessões de quimioterapia para combater o câncer.

Hematologia no HB

A unidade de Hematologia do Hospital de Base realiza em média 585 atendimentos por mês. São pacientes com leucemia, linfomas e outros tipos de cânceres ocasionados na corrente sanguínea.

A Hematologia conta com 24 leitos. Em média, os pacientes ficam internados durante sete dias. Atualmente, o setor conta com  61 profissionais de saúde entre fisioterapeutas, fonoaudiólogas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e assistentes sociais.

Reportagem: Thaís Umbelino

Fotos: Davidyson Damasceno/Ascom IGESDF

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