Medidas de segurança na pandemia mudam a rotina dos shoppings

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Apesar de tantos cuidados, ainda se observa despreparo nessa nova relação de consumo como, por exemplo, entrada de clientes comendo (e sem máscaras), irritação por não conseguir testar algum produto ou até mesmo recusa para utilizar o álcool em gel

 

 

Aos poucos, os shoppings da capital retomam o movimento, porém, agora de uma forma diferente: com a adoção de medidas de segurança. Para garantir a presença dos clientes, os lojistas reforçam condutas de controle de entrada e saída das lojas, além do uso do álcool em gel e desinfecção dos produtos expostos. Ainda, a fiscalização do uso adequado da máscara e a proibição de provadores ou testes dos utensílios do estabelecimento. Os testes de covid-19 nos funcionários também são fundamentais. Mas apesar de tantos cuidados, ainda se observa despreparo nessa nova relação de consumo como, por exemplo, entrada de clientes comendo (e sem máscaras), irritação por não conseguir testar algum produto ou até mesmo recusa para utilizar o álcool em gel.

Em inspeção na última semana, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPFT) também flagrou descumprimento das medidas pelos consumidores durante passeios e compras em centros comerciais. A força-tarefa do MPDFT identificou nas lojas de shoppings a utilização errada de máscara, verificou que o distanciamento social também não estava sendo cumprido em nenhum dos locais e foram observadas aglomerações.

Para o vendedor de uma loja de maquiagem Rafael Oliveira, 24 anos, os descumprimentos das regras trazem insegurança para a classe. “Estamos com medo, porque vemos que as pessoas não estão respeitando as normas. Os clientes passam comendo, sem máscara, tomando sorvete. Nesse caso é muito perigoso, tanto para quem está aqui trabalhando, quanto para eles mesmos”, relata. Na entrada, ele controla o uso obrigatório do álcool em gel, além de limitar a quantidade de pessoas por atendimento. “São permitidas três pessoas por vez”, conta Rafael. Para o vendedor, apesar de necessária, a retomada das atividades deve ser analisada com cautela. “É perigoso quando a pessoa não segue as medidas corretas”, visualiza.

“É difícil essa compreensão. Os consumidores voltaram como se estivesse tudo igual a antes, como se nada estivesse acontecendo. O receio é de as pessoas não respeitarem e a gente ter que fechar de novo as lojas”, reforça a lojista de cosméticos Joyce Mendes, 23. Na loja em que trabalha, a funcionária ainda percebe maus hábitos para prevenção da covid-19, inclusive no desrespeito do limite de pessoas dentro do estabelecimento. “Quando todos os funcionários da loja estão ocupados, com cliente, e chega outra pessoa, temos que parar e limitar a entrada. Às vezes acontece de os consumidores reclamarem e desistirem de entrar na loja”, lamenta. “Outras querem experimentar os produtos e também desanimam da compra com a negativa”, acrescenta Joyce.

Tomar todos os cuidados e obedecer as regras foi uma das maneiras que Rodrigo da Silva, 32, encontrou para ir mais tranquilo ao shopping trocar a película do celular dele. “Ao entrar na loja, passei álcool em gel, além de estar com a máscara, de uso obrigatório”, conta. Ao sair do estabelecimento, ele decidiu passar para comprar um sorvete, mas sem consumir no local. “Vou levar para casa e evitar qualquer contaminação”, explica. A redução no número de pessoas foi outro fator que acalmou Rodrigo. “Está bem melhor do que antes, as pessoas estão respeitando o distanciamento social e vindo em números reduzidos”, observou.

A infectologista Ana Helena Germoglio destaca que, durante a pandemia, a ida aos shoppings deve ser evitada. “Maior risco vai ter quem mais se expuser. Quanto mais cheio um local, mais desprotegido se fica”, aponta. Quem precisar ir a shoppings deve alterar hábitos antigos. “Não é recomendado comer no local ou retirar as máscaras. Além disso, o distanciamento social é a medida mais efetiva para evitar a proliferação do vírus. A especialista ainda orienta: “Nesse momento, é necessário tratar cada indivíduo com uma pessoa que seja um potencial infectado, e adotar todas as medidas de combate ao vírus”, diz.

Contramão

O retorno das atividades comerciais trouxe para a dona da loja Raffas, no Gilberto Salomão, Raffaela Prudente, novos desafios, mas com a ajuda do público, foi possível manter a segurança sanitária. “Tomamos uma série de ações para dar mais confiança aos nossos clientes. Desde o início tive o apoio deles nessa volta. Os consumidores estão tomando essa preocupação de não tocar em nada”, aponta. Mesmo assim, Raffaela mantém uma limpeza constante dos acessórios. “Estamos sempre desinfetando os espaço e os produtos, para garantir uma higienização segura”, conta. “Aos poucos as pessoas estão ganhando confiança em ir ao local”, acrescenta.

Para a conselheira superior do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista) e da Associação Comercial do DF (ACDF), Janine Brito, é necessário estar atento às recomendações de saúde durante a pandemia. “Com a reabertura das demais lojas, temos tentado reforçar essas medidas para que os lojistas e clientes não sejam prejudicados. É importante que os shoppings sigam os protocolos para oferecer segurança aos clientes”, aponta. A apoio dos consumidores nesse processo também é primordial. “É necessário que os clientes estejam atentos às regras e que aprendam a lidar com o momento. Não sabemos quanto tempo essa pandemia vai durar, então é muito importante que todos estejam conscientes”, completa.

 

» Movimentação Brasília Shopping

» Segundo levantamento do Brasília Shopping, no dia da reabertura dos centros comerciais, em 27 de maio, passaram pelo local cerca de 3 mil pessoas. Uma semana depois o fluxo estava em torno de 4,5 mil pessoas por dia, cerca de 20% do movimento antes da pandemia. Desde 7 de junho  — devido à proximidade do Dia dos Namorados — foi notado um novo aumento no fluxo, cerca de 6 mil pessoas por dia, algo em torno de 31% do movimento diário quando comparado ao fluxo pré-pandemia.

 

ParkShopping

» O estabelecimento mantém movimento de cerca de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o diretor regional da Multiplan e responsável pelo ParkShopping Brasília, Marcelo Martins. Desde a reabertura, foi possível constatar que os clientes estão permanecendo menos tempo no centro de compras e indo apenas para resolver

problemas pontuais e urgentes.

 

» Medidas 

» Uso constante da máscara

» Higienização das mãos com álcool em gel

» Distanciamento, nada de aglomerações

» Evitar tocar em produtos dos estabelecimentos

» Não experimentar itens de vestuários

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