Hospital erra a identificação do corpo e mulher é enterrada em outra cidade

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Equipe do Complexo de Saúde São João de Deus, em Divinópolis, esqueceu de afixar etiqueta no invólucro; sepultamento ocorreu a 55 km da cidade de origem

 

 

O corpo de uma mulher, vítima de covid-19, foi trocado no Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), em Divinópolis, e enterrado como outra pessoa em Conceição do Pará, a 55 quilômetros.

O caso aconteceu nesta terça-feira (22/6) e só foi descoberto quando o Serviço Municipal do Luto informou à família que haveria atraso no sepultamento.

Os familiares de Júnia Máxima aguardavam no cemitério Parque da Colina, em Divinópolis, para o sepultamento, marcado para as 10h, quando a funerária mudou o horário para as 13h.

“Minha tia foi até o hospital, chegando lá foi descobrir. Pediu para ver o corpo, porque bateu a dúvida”, relata a filha, Ana Lívia Máxima Araújo. Uma foto foi tirada para a identificação.

A família já estava novamente no cemitério quando foi informada que o corpo no hospital não era o de Júnia Máxima. Ela foi levada erroneamente para Conceição do Pará. Entretanto, a informação inicial era de que o transporte teria ocorrido para Pitangui.

Já em Conceição do Pará, os familiares foram até à delegacia para saber qual medida seria adotada para a remoção do corpo. Ele foi velado de caixão lacrado, já que a outra mulher também morreu vítima da covid-19.

Ela foi sepultada em Santana da Prata, zona rural de Conceição do Pará.

O corpo foi desenterrado e identificado como sendo o de Júnia Máxima. Eles estão o removendo para Divinópolis e será sepultado ainda hoje no cemitério Parque da Colina.

A família registrou ocorrência contra o CSSJD e deverá acioná-lo judicialmente. “Minha mãe sempre foi muito boa, ajudou muitas pessoas e não merece isso. Ela morreu às 22h e não velamos até agora. Nem um velório digno a gente pode fazer. A gente entende por ser um protocolo de COVID, mas isso que aconteceu é um absurdo”, lamentou.

Quadro clínico

Júnia deu entrada em 1º de junho na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com problema arterial. No dia 3 ela foi transferida para a ala do Hospital São Bento Menni, uma extensão da UPA durante a pandemia.

Lá, contraiu a COVID-19 e o quadro de saúde se complicou. Ela era hipertensa.

Com o novo diagnóstico, ela foi levada para o Complexo de Saúde São João de Deu (CSSJD) em 16 de junho.

No domingo (20/6), o quadro de saúde dela piorou e ela foi intubada no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Júnia teve falência múltipla dos órgãos e morreu na segunda-feira (21/6), por volta das 22h.

Hospital admite erro

A diretora-presidente do CSSJ, Elis Regina Guimarães, gravou um vídeo reconhecendo o erro. A identificação do corpo é feita em três etapas. Uma delas é afixada no peito, a outra no tornozelo. Devido aos protocolos da COVID-19, uma terceira é feita no invólucro.

“Lamentavelmente, num erro de processo, a identificação dessas mulheres não ocorreu neste terceiro momento, que seria a identificação desse invólucro”, relata.

Essa terceira identificação é para evitar que o plástico seja aberto para a identificação da pessoa e ocorra alguma contaminação. A funerária do outro município e a equipe do hospital não observaram e liberaram o corpo.

Elis disse que todas as medidas para a correção foram tomadas ainda pela manhã. Uma outra funerária foi contratada para o translado.

Kits de segurança foram entregues para quatro membros da família que foram transportados pelo hospital até a cidade em questão.

“Ele será trazido, como bem o outro será liberado para a outra cidade ainda hoje para que os velórios aconteçam”, informou.

Os funcionários que trabalhavam no turno foram identificados e serão demitidos. Além disso, as equipes assistencial e de qualidade estão reunidas para que sejam refeitos os protocolos e procedimentos para que exista uma nova checagem na liberação dos corpos.

“A única coisa, neste momento, que o São João de Deus pode fazer, efetivamente, é tomar todas as providências para que isso não aconteça e pedir desculpas para as duas famílias, bem como para a população de Divinópolis.”, finalizou a diretora-presidente.

Serviço do Luto

A Prefeitura de Divinópolis atribuiu o erro ao hospital. Disse que o Serviço Municipal do Luto foi acionado pela família na manhã desta terça-feira (22). Por volta das 9h40, a equipe esteve no CSSJD com a finalidade de realizar os trâmites.

Ao chegarem lá, foi solicitado aos agentes que aguardassem, pois funcionários da unidade hospitalar estavam com dificuldade para localizar o corpo.

“Em razão da demora e diante de outras demandas, os agentes do Serviço de Luto dirigiram-se a outro hospital para translado de outro corpo para fins de sepultamento, informando aos funcionários do Complexo de Saúde São João de Deus que logo que o corpo fosse localizado iriam voltar para realizar o translado e sepultamento”, informou a prefeitura.

A nota da prefeitura informa que, após apuração feita pela vice-prefeita Janete Aparecida (PSC) e pela gerência do Serviço Municipal de Luto, foi identificado que o corpo teria sido sepultado em Pitangui. Entretanto, ele foi levado para Conceição do Pará.

Mudança no decreto

Com objetivo de impedir que erros como este aconteçam novamente, a Prefeitura de Divinópolis irá alterar o decreto nº 14.397/21. A partir de agora, toda pessoa que falecer em decorrência do COVID-19 poderá ser sepultada apenas mediante prévio reconhecimento por um familiar ou, na falta deste, de pessoa autorizada, com as apresentações e cuidados necessários.

A prefeitura ainda lamentou a morte de Júnia Máximo. “Pela liderança participativa no segmento feminino e importante participação na estruturação do movimento comunitário em Divinópolis, com participação ativa na defesa dos moradores dos bairros”.

Ela ocupou a presidência da Federação das Associações de Moradores, Bairros e Conselhos Comunitários Regionais de Divinópolis (Fambaccord) e do Conselho Municipal de Segurança. Era ex-assessora parlamentar da Câmara Municipal.

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