Hábitos alimentares são a chave para compreender diferentes culturas 

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Chef adding the final flourish by adding some liquorice flavoured parsley to the dish. The dish is, pan fried pink duck breast onto a bed of parsnip puree with seasonal autumn vegetables and berries. Colour, horizontal with some copy space, photographed on location in a restaurant on the island of Møn in Denmark.

Preferências alimentares são moldadas pela cultura em que você está inserido e podem fazer com que você se adapte a uma nova cultura com maior facilidade

 

Comer é mais do que algo que fazemos para nutrir o corpo: é um ato social profundamente ligado à cultura em que estamos inseridos. A escolha dos ingredientes, o modo de preparar o alimento e os pratos que compõem a nossa mesa vão muito além de escolhas racionais e simples hábitos. A alimentação é uma ferramenta muito importante para entender a cultura e a história de um povo.

Se pensarmos toda a trajetória da preparação de um prato antes de chegar à mesa, é possível visualizar a história e a tradição de um povo com uma nova perspectiva – é possível descobrir, analisando a base da alimentação, em que cultura a pessoa está inserida. São nos hábitos alimentares que se têm a preservação da memória de uma comunidade. Saber se em um país as pessoas se alimentam de peixe cru ou carne vermelha, bebem vinho malbec ou uma cerveja, é um indicativo dos seus costumes, sua história, seus hábitos e sua economia.

No Brasil, um país continental com diferentes tipos de climas e solos em sua extensão territorial, é possível encontrar uma variedade bem grande de alimentos. Muitas culturas se desenvolveram em diferentes regiões, e cada uma mantém hábitos alimentares bem característicos. Se você mora no litoral do Sudeste, provavelmente, nunca provou um pequi, base de muitos pratos no Centro-Oeste. Além disso, também temos influência da cultura indígena e associamos a ela as culturas africanas e portuguesas.

Cada grupo estabelece seu código alimentar de acordo com as suas tradições, e o ato de comer está intimamente ligado ao ambiente e ao que é imposto a esse grupo social no dia a dia. Este conjunto de práticas já pode ser considerado o patrimônio cultural de uma comunidade. É através dessas práticas que este núcleo de pessoas se fortalece e materializa sua identidade, seja ela de maneira simbólica ou material.

Por conta desses motivos, a cultura alimentar foi pautada no processo de negociação da Lei Aldir Blanc, e, após a mobilização de pesquisadores da área destacando a importância da preservação da cultura alimentar de um povo para sua história, foi aprovada como patrimônio cultural.

Este foi um grande passo para a cultura alimentar ser reconhecida como uma prática que está intrinsecamente ligada às lutas, conquistas e marcos históricos de um povo, tendo seu papel de protagonista na formação cultural respeitado.

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