Documentário escava origem e tradição do Festival de Brasília

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Luiz Estevão

De uma geração que ia muito ao cinema, mas não tinha, por exemplo, o conforto das grandes plataformas de streamings de hoje, para ver ou rever o que queria na hora em que quisesse, seja na TV ou em qualquer vitrine, o jovem brasiliense Lino Meireles virou rato de locadora e frequentador assíduo do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB). De cinéfilo a cineasta, ele assina o documentário “Candango: Memórias do Festival”, um dos quatro longas-metragens selecionados para a Mostra Brasília da 53ª edição evento, em exibição na plataforma Canais Globo.

Em 2010, já estudante de cinema, disciplinado, se comprometeu a assistir todas as mostras competitivas de longas e curtas de cabo a rabo. Seis anos depois, veio um insight: “Encontrei um amigo, que morava no Rio, e conversamos sobre um episódio que ele tinha vivido 20 anos antes no festival, com a exibição de seu primeiro curta-metragem na mostra competitiva. Pensei em quantas destas histórias poderiam ficar esquecidas. Em 2017 seria o festival número 50. Algo bateu”.

 

Dali para frente foi só trabalho. Montou uma equipe, arregaçou as mangas e começou a filmar depoimentos de pessoas da cidade, despretensiosamente, sobre o Festival de Brasília. Logo estava contagiado com o carinho dos entrevistados diante da mais antiga e emblemática festa do cinema nacional. “Aí alçamos voos mais altos, fora da capital. Conversei com pessoas que considero lendas. Era inacreditável bater um papo com elas. Isso só ocorreu pelo afeto com o Festival. Foi sorte grande, pelo menos pra mim”, diz com modéstia.

O resultado dessa aventura foi o documentário “Candango: Memórias do Festival”, em que é diretor, produtor e roteirista. Com cerca de 70 entrevistas feitas com personalidades das mais diferentes gerações e perfis, de cineastas a produtores, claro, passando por atores e críticos de cinema, jornalistas e realizadores da mostra brasiliense, o projeto revela ser um precioso material sobre a identidade audiovisual brasileira.

 

“O fato de ser o primeiro, talvez o único, documentário de longa-metragem já realizado sobre um festival de cinema, também é marcante”, avalia o cineasta Lino Meireles. “Se o filme é bom ou ruim, depende do gosto de cada um, mas ele surge com certa carga de significância e importância por ser pioneiro”, orgulha-se.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.brc

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