Atrás de emprego, centenas de pessoas formam fila em mercado

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Uma pessoa passou mal e outras acampam há dias para conseguir uma das 80 vagas ofertadas pelo comércio que será aberto no Guará II

 

Na manhã desta quinta-feira (14/11/2019), cerca de 400 pessoas formam uma fila enorme para emprego no supermercado Melhor, na QE 44 do Guará II, que será inaugurado no dia 01 de dezembro deste ano. São 80 vagas para 12 funções, todas em serviços de base: faxineiro, operador de caixa, repositor, prevenção e perdas, entre outros. De acordo com o gerente do RH, José Maria, ter o ensino médio completo já é o suficiente para buscar um lugar.

Na fila, 30 pessoas entram por vez, deixando os currículos e preenchendo formulários. O trabalho de montagem já começa na próxima quinta-feira (21/11/2019), após os currículos serem analisados neste fim de semana.

O esforço e a vontade para conseguir um lugar no mercado de trabalho fizeram com que uma das pessoas na fila passasse mal. Uma mulher de 43 anos teve uma crise e a pressão baixou. Na espera desde segunda-feira (11/11/2019) à tarde, ela busca emprego há cerca de 5 anos. A desempregada dormiu no local e, pela falta do remédio, acabou enfraquecendo. Uma equipe do Samu a atendeu.

Quem estava na fila, que dava voltas no quarteirão como um caracol, trouxe barracas e cadeiras para aguentar. Há pessoas que esperam a oportunidade de entregar o currículo há dias, como é o caso de Geraldo Magela de Castro, o primeiro. Com 63 anos, ele chegou às 5h de segunda-feira (11/11/2019). Há um ano desempregado, Geraldo se define como um workaholic, expressão para viciados em trabalho.

“Eu não posso ficar parado. Vim logo que vi o anúncio e revezei com um rapaz para me manter na fila desde o início. Minha cunhada mora aqui perto. Ia só para tomar banho e me alimentar, e voltava para cá”, contou Geraldo.

Sendo um dos primeiros, ele ajudou até a organizar a fila, onde pessoas, como Emerson Eustórgio Costa, 49, tinham até barracas. Acampado há dois dias, ele procura emprego há cerca de seis meses. “É cansativo, não é fácil. Mas esperança a gente tem que ter”, ressalta Emerson.

Esperança que também refletia em Davi Samuel, 38, desempregado há três anos. De cadeira de rodas, faltava pouco para se inscrever quando falou com a reportagem. “Virei a noite. Estou desesperado atrás de trabalho. As pessoas sabem: está difícil. Mas minha noiva me mandou boa sorte e estou aqui tentando”, declarou.

O último da fila, na manhã desta quinta-feira véspera de feriado, foi Júlio César de Mello, de 39 anos. Ele conta ter ouvido sobre a oportunidade em um carro de som que passou perto de sua casa nesta semana. Desempregado há um ano e um mês, ele já tentou três entrevistas em colégios, por ter experiência de auxiliar escolar e vigilante. “Espero encontrar algo rápido”, disse.

Na saída, depois da entrega do currículo, havia um lanche servido aos candidatos. “É o mínimo que podemos fazer. Tem gente que está aí há dias no sol”, destacou o gerente geral do mercado, Cláudio Mota, de 41 anos.

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