A CCIR está diante de dois novos casos de intolerância religiosa.  De um lado – o cantor Latino, do outro lado – o vereador de Barra Mansa, Eduardo Pimentel.  

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Em tempos de pandemia, uma total falta de bom senso e sensibilidade, onde atos de intolerância religiosa reverberam em todas as esferas. A falta de conhecimento e interpretações equivocadas afetam os cultos religiosos de matriz africana e seus membros.

O cantor Latino fez uma fala pejorativamente sobre o culto de religião de matriz africana, em entrevista. O tema era sobre espiritualidade, para o Flow Podcast, programa 348, com os apresentadores Monark e Igor, postado hoje, em 15 de Abril, no Youtube.

Latino diz que sofreu um trabalho espiritual, provocando a morte de seu bicho de estimação. “Macumba matou meu macaco”, ainda completa,  “Nessa parada de centro espírita, nesse bagulho aí de macumba… Os caras fazem trabalhos pesados pra infernizar a vida do outro, entendeu? Fizeram um trabalho, sei lá, de ebó, sei lá que p… que chama essa m… aí de macumbaria, né? Eu não acredito nessa p…. .”, argumenta o músico, que se diz bastante espiritualizado, onde inclusive, faz uma célula evangélica em sua casa para se conectar com Deus.

 
– LATINO – Flow Podcast #348
Vereador Eduardo Pimentel, de Barra Mansa, também comete intolerância religiosa.


O Vereador Eduardo Pimentel (PV), no dia 14 de abril, durante sessão da Câmara Municipal de Barra Mansa, se expressou de forma agressiva e preconceituosa na tribuna da casa. Em sua fala reforçou os estereótipos construídos culturalmente contra as religiões de matriz africana, um ato claro de intolerância religiosa, ofendendo representantes e adeptos.

Na sessão na plenária, o vereador faz uma comparação sobre a manifestação do sindicato dos professores, onde diz: “Uma criança quando não concordar com uma correção de prova deve fazer? Tacar o giz do professor? Botar uma galinha preta lá dentro? Que a galinha preta que é usada, que o pessoal fala que usa na macumba, né? Eu sou católico, eu não sei, mas não é? É assim? Bota vela?”

A fala do vereador Pimentel ataca diretamente as religiões de matriz africana que possuem uma enorme influência e importância na construção da sociedade brasileira e do município de Barra Mansa.

Eduardo Pimentel é filho do ex-vereador Gleizer Pimentel. É a 4ª geração consecutiva da família que exerce o cargo de vereador. Eduardo assumiu pela 1ª  vez o mandato de vereador e, após ser eleito com 1.051 votos, empossou no início de 2021.

 
– A partir dos 47m
 
“Casas, terreiros e praticantes são atacados constantemente por conta do racismo religioso, o respeito aos nossos preceitos é um direito adquirido. Não cabe a um membro de um órgão colegiado representativo de um município se expressar dessa forma, é no mínimo, ilegítimo e muito menos uma atitude de um músico popular”, atesta o Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos. 

O sacerdote é interlocutor da CCIR – Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. Que inclusive já acionou uma assessoria jurídica, sob o cuidado do Advogado Gustavo Proença, já está estudando as medidas cabíveis para os dois casos.

 
Eles já deveriam saber que a intolerância religiosa e o desrespeito às crenças religiosas, usando de ofensas e depreciação incentivam a violência física e simbólica contra praticantes de matriz africana.
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