O governador do DF Ibaneis Rocha é pressionado para evitar desordens no 7 de setembro

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O ex-presidente Michel Temer (MDB) defende um “basta” à polarização política que divide o país

 

Em sua primeira volta a Brasília desde que deixou o poder, o ex-presidente Michel Temer reuniu-se com o governador Ibaneis Rocha (MDB) na Residência Oficial de Águas Claras e o aconselhou a adotar medidas rigorosas de segurança para reprimir atos de violência no 7 de setembro bolsonarista que se aproxima.

Temer está preocupado com o que possa acontecer, e não somente ele. O Congresso e o Supremo Tribunal Federal cobraram de Ibaneis reforço no esquema de segurança com receio de que suas sedes sejam invadidas como pregam nas redes sociais militares da reserva e apoiadores radicais do presidente da República.

“Vou procurar o governador João Doria (PSDB) para sugerir que ele faça o mesmo em São Paulo”, adiantou Temer, assim como governadores de outros Estados onde manifestações estão marcadas. “Eles devem chamar os comandantes das polícias militares e adverti-los de que a ordem pode estar ameaçada”.

Temer tem experiência no assunto. Antes de entrar na política, foi Secretário de Segurança Pública de São Paulo. Como presidente da República, decretou intervenção militar no Rio para conter uma onda de violência que envolvia traficantes de drogas e milicianos. O interventor foi o general Braga Neto, atual ministro da Defesa.

A decisão de Doria de punir um coronel da Polícia Militar por incitar soldados a comparecerem ao ato público na Avenida Paulista foi elogiada por Temer, mas ela por si só não basta. “Os governadores devem dar instruções diretas aos comandantes e ficarem bem atentos até lá”, sugere o ex-presidente.

Temer não acredita no sucesso de uma intervenção militar nem antes nem depois das eleições do ano que vem. Afirma que as Forças Armadas têm compromisso com a Constituição. Mas não descarta que organizações paramilitares e facções das Polícias Militares provoquem tumultos caso Bolsonaro seja derrotado.

Ele vê Bolsonaro cada vez mais só. O 7 de setembro será uma tentativa de Bolsonaro demonstrar força para negociar com os demais poderes em melhores condições. Temer considera consolidada a candidatura de Lula à presidência, mas ainda acredita que poderá surgir um nome de centro.

Sorri quando perguntado se poderia ser ele. Responde que como ex-presidente desfruta de mais prestígio do que antes como presidente. E adianta que em novembro, o MDB promoverá um ciclo de debates para apresentar uma proposta de programa de governo a ser oferecido aos demais partidos de centro.

“Olhando a História, será o terceiro ‘basta’ que o MDB dará”, segundo ele. O primeiro resultou na convocação da Assembleia Nacional Constituinte em 1988. O segundo, no documento “Uma Ponte para o Futuro” que acabou pavimentando o governo Temer, que sucedeu ao governo da presidente Dilma (PT).

Enquanto Bolsonaro sonha com uma ruptura institucional, Temer diz sonhar com a superação da polarização política que tanto mal causa ao país.

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