Arena importante do automobilismo brasileiro pode fechar as portas este mês
O kartódromo do Guará, situado a cerca de 15 km do Plano Piloto, área central de Brasília, pode fechar as portas. O ultimato foi dado pela Administração Regional do Guará que, em Maio deste ano, lacrou a área e solicitou a desocupação pelos pilotos que não teriam autorização para continuar exercendo suas atividades no Kartódromo.
A decisão chocou os mais de 200 pilotos e mecânicos que estão na área. Surpresos com a medida tomada pelo poder público, eles lamentam o fato de que nunca foram ouvidos ou sequer recebidos pelo GDF. Com a decisão, homens, mulheres e crianças apaixonados pelo automobilismo viram sair de cena um sonho que começou em 76, quando a pista foi inaugurada. São 34 anos de investimento e dedicação ao kartódromo, onde todo o conjunto da obra teve a contribuição pessoal de cada integrante da Associação de Kartistas e Mecânicos de Brasília.
Atualmente o local conta com 60 boxes, ocupados por pilotos, mecânicos e escolinhas de formação nessa modalidade que cumpre a tradição de promover jovens de sucesso. Com o fim da atividade, crianças que praticavam esse esporte sempre aos Domingos, e toda a família kartista, irão ficar sem local para suas brincadeiras e os sonhos de futuro morrem junto. O piloto Nelsinho Piquet, que teve sua formação no Kartódromo do Guará, em declaração feita a imprensa, fez um apelo em favor dos pilotos de Kart. Disse que a área é reconhecida pela Federação Internacional de Automobilismo e pediu que o GDF mantenha o Kartódromo aberto, até que o processo seja concluído. Os kartistas querem a mesma coisa. Eles temem que, ao deixar a área, tudo vire ruína .
O piloto Felipe Massa também iniciou no Kart na pista do Guará. Nomes que deram ao Brasil tantos títulos como Rubens Barrichelo também pilotaram na pista, e agora vêem parte de suas histórias de vida perder uma referencia importante na carreira de sucesso. Até agora tudo o que os pilotos sabem quanto ao futuro do Kartódromo é por meio de matérias veiculadas na mídia. Em nota, a administração regional do Guará informou que uma nova concessão está em andamento e que o local será usado em função de acordo entre a Administração Regional e a Federação de Automobilismo do DF. Os pilotos correm contra o tempo, não nas pistas, mas no apelo, na articulação com quem possa mediar para que sejam recebidos pelo Governador Ibaneis. Já pediram apoio político, mas os interlocutores apresentaram versões contraditórias . Durante cerca de 20 anos, a área foi administrada pelo consorcio Guará Motor Clube, que não teve a concessão renovada.
O convênio está sendo investigado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, a pedido da Controladoria, por suspeita de irregularidade. A ordem foi pela desocupação ordenada e fechamento do espaço que é público. Na última reunião realizada pelas equipes, choro, emoção, desesperança. Os pilotos querem ser ouvidos, querem ter o direito de continuar cuidando do Kartódromo até uma solução definitiva. Histórias de vida com o Kart. Seu João viu o começo de tudo. Era década de 70 e pelo jartódromojá circulavam nomes como Nelson Piquet. Segundo ele, esse é o esporte que mais gerou campeões no cenário mundial. “Aqui são pessoas donas de seus deveres, que pagam seus impostos. É lamentável ver que o único pedaço do CAV preservado é o Kartódromo em razão de uma sucessão de desgovernos” , disse ele. Felipe foi piloto, campeão de Kart. Diz que o esporte ajudou na sua formação como cidadão. “Estamos há mais de 3 meses sem esse espaço. Fizemos um investimento pesado. Vou perder tudo, sem direito a indenização porque somos ratados como invasores. Nós não somos invasores”. Para Tulio Paiva, o desejo dos mais de 200 profissionais que estão sendo colocados para fora do Kartódromo é fazer parte do processo .
“Nosso apelo é para que o governo nos ouça, estamos aqui como ocupantes de boa fé. É inadmissível que o governo feche os ouvidos para as lideranças do Guará e para Associação de Kartistas de Brasilia”.
Confira o vídeo exclusivo:
Segundo Túlio, a atividade no Guará é altamente reconhecida pela comunidade internacional . Ele analisa que, se os pilotos forem de fato invasores como atesta o GDF, a atividade seria ilegal. E, sendo ilegal, a Federação de Esporte não reconheceria as conquistas de pilotos que saíram dessa praça do Guará . “Isso significa na prática apagar a história, rasgar os títulos de pilotos que brilharam em pistas do mundo inteiro”, finaliza.
