A dança das cadeiras já começou! Os velhos políticos e veteranos do DF devem buscar uma cadeira no Congresso

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Possíveis alterações nas regras eleitorais também terão impacto no cenário que se desenrola na batalha por uma cadeira no Congresso Nacional

 

Embora publicamente políticos e autoridades evitem falar sobre candidaturas para as eleições de 2022 e afirmem que não é hora de fazer esse debate, nos bastidores, as movimentações e as articulações para o próximo pleito avançam. No Distrito Federal, conversas esquentaram e partidos e prováveis concorrentes estão se reunindo para debater as possibilidades. No quebra-cabeças que começa a se desenhar agora, chama a atenção a disputa para as oito vagas de deputado federal pelo DF, que estão no radar de diversos nomes.

A corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados será pesada, na avaliação tanto de figuras da política quanto na de analistas do cenário. O número grande de nomes consagrados e indefinições nas regras eleitorais, até agora, são fatores que contribuirão para uma batalha acirrada nas urnas no próximo ano.

Ao menos, quatro políticos fortes da capital federal que disputaram o Palácio do Buriti em 2018 devem buscar uma vaga na Câmara. As candidaturas de Rodrigo Rollemberg (PSB), Alberto Fraga (DEM), Rogério Rosso (PSD) e Eliana Pedrosa são dadas como certas por interlocutores. Os quatro foram bem votados e têm histórico de peso.

Ainda sem partido depois de deixar o Pros, Eliana Pedrosa, que chegou a liderar as pesquisas para o Governo do Distrito Federal (GDF), em 2018, por quase todo o primeiro turno, articula com o PDT para integrar a legenda. As conversas estão avançadas, e o nome dela tem boa aceitação na sigla.

Na avaliação do cientista político André Rosa, o quadro que se desenha aponta para um pleito com muitos consagrados e pouca renovação. “Será uma eleição disputada, e a presença de tantos nomes fortes para concorrer a oito vagas acaba dificultando a entrada de outras figuras. Mesmo que haja trocas, é uma circulação de elites de nomes que sempre estiveram ali”, explica.

Se em 2018 a busca por pessoas de fora da política foi uma das tônicas para o voto, o clima para o ano que vem é diferente, avalia Rosa. “A ideia do outsider foi muito forte na eleição anterior, mas isso mostrou também que político inexperiente pode trazer mais prejuízos do que benefícios. Agora, começa a se discutir a experiência na política, e isso vai influenciar no comportamento do eleitor”, argumenta.

Reeleição

Boa parte dos nomes que estão na Câmara dos Deputados deve disputar a reeleição, o que contribui para embolar o jogo. Com mais holofotes nos últimos quatro anos e mandatos nas mãos, eles rivalizam com políticos que estavam fora na briga pelo eleitorado. Professor Israel (PV), Luis Miranda (DEM), Julio Cesar (Republicanos) e Celina Leão (PP) são cotados para tentar se manter no cargo. Israel deve trocar o PV pelo Solidariedade.

Eleita com maior número de votos e, hoje, licenciada para ocupar a chefia da Secretaria de Governo no Planalto, a ministra Flávia Arruda (PL) deve se lançar ao Senado. Ela é cotada, também, para a disputa pelo GDF, mas, por enquanto, mantém alinhamento com o governador Ibaneis Rocha (MDB). O suplente dela, Laerte Bessa (PL), tentará cadeira na Câmara. Entre os ministros de Bolsonaro, Anderson Torres (PSL), atual comandante da pasta da Justiça e da Segurança Pública, também pode se colocar nessa disputa.

Erika Kokay (PT), Paula Belmonte (Cidadania) e Bia Kicis (PSL) são outros nomes ventilados para o Senado, mas, segundo interlocutores, é cedo para para cravar a tentativa de mudança. As três podem, portanto, decidir tentar a reeleição.

Mudanças

Contribui para deixar o jogo mais complicado e indefinido a avaliação de mudanças nas regras eleitorais pela Câmara dos Deputados. A última reforma aprovada acabou com as coligações, mas está em debate no Congresso o fim do sistema proporcional, com a adoção do chamado distritão. A proposta enfrenta resistência no Senado, porque enfraquece partidos ao eleger diretamente os mais votados (leia Para saber mais).

O distritão favoreceria os nomes consagrados, explica o cientista político André Rosa. “Não existiria a distribuição entre votos pela legenda. Funcionaria como uma eleição majoritária, o que acaba descaracterizando a figura do partido político. Beneficiaria artistas, pastores, atletas e dificultaria a renovação e a eleição de representantes das minorias”, analisa. A proposta perdeu força no Congresso nesta semana.

Alguns esperam a definição das regras para decidir qual cargo disputarão, como o presidente da Câmara Legislativa, Rafael Prudente (MDB). Os planos do distrital são de disputar uma vaga de federal, mas ele espera a confirmação ou não de mudanças para avaliar as chances concretas de se eleger. Casos assim impactam na formação de nominatas para a disputa na assembleia local, segundo representantes dos partidos e prováveis candidatos.

Na Câmara Legislativa, há outros nomes que avaliam tentar a mudança para o Congresso Nacional. O PSol pretende lançar Fábio Felix. O distrital não se decidiu, mas pode ser influenciado se Erika Kokay, de fato, se lançar a outro cargo, pois os dois dividem eleitorado parecido. Leandro Grass (Rede) e Reginaldo Veras (PDT) são vistos como possíveis candidatos.

O que é o distritão?

O chamado distritão está sendo avaliado em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), atualmente, em tramitação na Câmara dos Deputados. A medida, que foi rejeitada duas vezes, altera a forma como deputados seriam escolhidos no pleito. Os mais votados nos estados seriam eleitos, o que privilegia políticos consagrados e nomes muito conhecidos. Hoje, o sistema é proporcional, que leva em conta os votos para os partidos na divisão de cadeiras.

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