Respeito e cuidado como a responsabilidade afetiva impacta as relações das pessoas

Exercitar a responsabilidade afetiva pode até não ser fácil, mas torna-se fundamental na superação de dificuldades e desafios cotidianos; o Correio ouviu uma especialista que explica como o conceito pode ser chave nas relações interpessoais

Atitudes como não deixar claro o que queremos em um relacionamento — ou simplesmente sair da vida de uma pessoa sem dar uma explicação — vão em total contramão à chamada responsabilidade afetiva. E se engana quem acha que o termo refere-se apenas a relações amorosas. Em conversa com a Mestre, docente e coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Católica, Ana Cristina de Alencar, para entender o conceito de responsabilidade afetiva, na teoria e — especialmente — na prática.

A especialista explica que a responsabilidade afetiva é a aplicação de noções básicas de respeito e honestidade nas relações interpessoais. É demonstrar cuidado com o sentimento do outro, zelando pela transparência na relação.

“Não significa falar tudo o que pensa sem pensar na consequência do que está sendo dito, mas cuidar em compartilhar com o outro o que sente de forma genuína e honesta, sendo cuidadoso nesta comunicação. Não é também compartilhar apenas informações positivas ou elogios, mas transmitir o que se pensa e sente sobre o outro e em especial sobre a relação estabelecida com o outro de forma cuidadosa, responsável. Comprometendo-se neste processo comunicacional direto e verdadeiro”, detalha Ana Cristina.

A psicóloga afirma que a transparência e a fluidez que a responsabilidade afetiva confere ao compartilhar o que se sente (e o como se sente) com o outro são pontos importantes para as relações interpessoais.

“Essa transparência deve ser cuidadosa, de forma a ilustrar para o outro que a forma como ele se sente diante do que eu me sinto é importante para mim. Reconhecer o outro como uma pessoa que merece respeito, atenção e cuidado é tornar essa relação positiva e produtiva”, explica.

Ana Cristina acrescenta que, mesmo o sentimento compartilhado não sendo o mais agradável naquele momento, a iniciativa em ser verdadeiro e cuidadoso é um importante indicativo de que eu me importo com o outro e quero contribuir para o seu desenvolvimento. Essa ação sugere uma disposição para a mudança, para o aprendizado.

É comum relacionar o termo “responsabilidade afetiva” a relacionamentos amorosos, no entanto, a docente esclarece que isso é um mito e que deve ser aplicada às relações interpessoais em geral, que pressupõe um envolvimento afetivo significativo, podendo se aplicar para diferentes relacionamentos familiares, por exemplo.

“Entre pais e filhos, entre irmãos, assim como entre amigos; além é claro de ser importante para os relacionamentos amorosos. Fica difícil e confuso pensar que uma pessoa possa ter uma postura responsável afetivamente com o companheiro, compreendendo a importância dessa ação; e, ao mesmo tempo, agir com indiferença ou desrespeito para com seus filhos ou pais, por exemplo. Seria uma situação que geraria, no mínimo, um estranhamento”, pontua.

Observando e identificando a responsabilidade afetiva

A psicóloga afirma que devemos estar atentos ao que pensamos e sentimos diante de determinada relação. “Esse processo inicial de autorreflexão é fundamental, pois se não conseguirmos identificar como nos sentimos afetivamente diante do outro como poderemos expressar isso de forma transparente e genuína?”, argumenta.

Ela acrescenta que, ao conseguir reconhecer sentimentos, existirá uma maior capacidade para compartilhá-los e consequentemente para acolher o outro.

“Se não consigo ter clareza de como me sinto, como poderei compartilhar com o outro e na sequência dialogar sobre isso ou interagir com esse sentimento? Não será possível. Sendo assim, ser responsável afetivamente com o outro implica em antes exercitarmos o nosso autoconhecimento, a nossa autopercepção”, completa.

Como colocar em prática a responsabilidade afetiva no dia a dia

Ana Cristina ensina que a responsabilidade afetiva pode ser exercitada em atividades cotidianas de observação e contemplação do que se pensa e sente em relação ao outro. “Na observação cuidadosa da reação do outro diante do que é falado ou de como agimos diante dele. A reação da outra pessoa poderá ser um bom ‘termômetro’ do quanto nossa interação com ela é positiva e ecoa afetivamente”, afirma a profissional.

Ela acrescenta, no entanto, que esse não é um exercício fácil, mas se faz necessário e possível quando se tem clareza da importância que as pessoas têm para o desenvolvimento, pessoal e afetivo, e do quanto elas podem contribuir para a superação de dificuldades e desafios cotidianos.

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