Os Benefícios trazidos por uso de anabolizantes não superam os danos causados à saúde

Hormônios utilizados para emagrecer e ganhar massa muscular levam a efeito estético rápido, mas são muitos os efeitos colaterais ao organismo

uso de anabolizantes é frequentemente citado como uma grande solução para ganho de massa magra e para o emagrecimentoA última a falar sobre o tema foi Michele Umezu, musa do Corinthians e mãe de uns dos filhos do ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário.

Em uma postagem no Instagram, a modelo assumiu que perdeu 40 kg e chegou a 6% de gordura no corpo, que não é uma porcentagem recomendada por especialistas, com ajuda de anabolizantes. Toda essa mudança aconteceu porque ela virou fisiculturista e pretende disputar uma competição na próxima semana.

“Desde o momento em que eu procurei um médico especialista em hormônios para mudar meu corpo, fiz vários exames de sangue para autorização. Mas sempre tive preconceito sobre o assunto. Na verdade, muitas pessoas usam de forma errada, sem um médico para acompanhar. Fazem tudo errado e colocam a culpa nos hormônios”, publicou a estudante de biomedicina em rede social.

Todavia, a endocrinologista Lorena Lima Amato, especialista da SBE (Sociedade Brasileira de Endocrinologia) é taxativa: “o uso hormonal para fins estéticos, o benefício nunca supera o risco”.

O uso hormonal para fins estéticos, o benefício nunca supera o risco.

LORENA LIMA AMATO, ENDOCRINOLOGISTA

A médica admite que existem ganhos estéticos com uso hormônios. “Qualquer pessoa que fizer o uso do anabolizante vai ter o efeito, principalmente se associado a treino e dieta. É inegável que o resultado vai ser muito mais rápido se comparado com quem fizer só treino e dieta, que acaba sendo um resultado um pouco mais lento e não tão grande.”

As substâncias usadas para o fortalecimento e emagrecimento são andrógenas, ou seja, estimulam o desenvolvimento de características masculinas no usuário. Normalmente, são utilizadas a testosterona e os esteroides que fazem o mesmo efeito do hormônio masculino.

“Para ter esse efeito diferente não dá para ficar só com o hormônio fisiológico, já que tanto homens quanto mulheres têm produção endógena [produzido pelo próprio organismo] da testosterona. Temos de colocar em níveis além do que já temos, muito acima do fisiológico”, explica Lorena.

E é nesse momento que começam os problemas. “Uma coisa que não é fisiológica é o primeiro passo para os efeitos colaterais”, alerta Lorena.

Efeitos Colaterais

De acordo com a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), o uso de anabolizantes gera efeitos colaterais, como:  aumento de acnes, queda do cabelo, distúrbios da função do fígado, tumores no fígado, explosões de ira ou comportamento agressivo, paranoia, alucinações, psicoses, coágulos de sangue, retenção de líquido no organismo e aumento da pressão arterial.

A endocrinologista destaca, ainda, que existem consequências exclusivas para homens e para mulheres. “Nas mulheres, pode levar à infertilidade, já que elas param de menstruar e tem infertilidade associada à parada. Além disso, há o hirsutismo, que é o aumento de pelos nas mulheres, aumento de clitóris, voz mais grossa, atrofia mamária“, diz Lorena.

Nos homens, o excesso de anabolizantes pode causar aparecimento de mamas, redução dos testículos, diminuição da contagem dos espermatozoides e calvície. “Tem homens que usam a testosterona exógena e isso impede a produção endógena, a dele mesmo. Depois da ingestão daquele tanto de hormônio, o corpo entende que não precisa mais produzir”, lamenta a médica.

A não-produção natural de testosterona é chamada de hipogonadismo. “Os efeitos desse hipogonadismo pelo uso de anabolizantes causam cansaço extremo, dificuldade de ereção, fadiga, a longo prazo, pode causar até levar a repercussões como dificuldade de ganho de algumas vitaminas e a pessoa pode adquirir anemia, depressão”, afirma Lorena.

Sem anabolizante os efeitos estéticos diminuem

Entre os prós e contras do uso de hormônios, vale destacar, também, que os resultados estéticos não são duradouros. Então, o corpo mais magro e musculoso pode acabar rapidinho após a interrupção do uso.

“O ganho não é duradouro. Se a pessoa para, perde os benefícios. Claro que se ela construiu uma massa muscular gigante, quando você pode até perder um pouco, mas você já tem aquele músculo. Se você continuar treinando, alguma coisa se mantém, não exatamente igual, porque não está com os mesmos níveis de hormônio”, ressalta a médica.

A endocrinologista conclui: “a medicina estética existe e está muito bem estabelecida, que é a cirurgia plástica e a dermatologia. Quer melhorar a composição corporal, vai no cirurgião plástico. Quer melhorar a flacidez, vai no dermatologista.”

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