O IBGE prevê aumento de 3,8% na produção agrícola em 2022

16/03/2017 Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press. Brasil. Buritis - MG. Problemas por falta de juiz. Produção agricola da cidade de Buritis, Minas Gerais.

Safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 263 milhões de toneladas em 2022. Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás terão os melhores resultados, segundo o levantamento

A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 263 milhões de toneladas em 2022, 3,8% maior do que a de 2021, quando foram colhidos 253,2 milhões de toneladas de grãos. A informação é do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quarta-feira (8/6), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Comparada ao previsto no mês anterior, a produção deve crescer 0,6%, o que representa 1,5 milhão de toneladas a mais. De acordo com gerente de agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, o crescimento da estimativa é explicado pelo desempenho de produção do milho, do trigo e da soja.

“A produção do milho deve alcançar novo recorde. A colheita da segunda safra está começando agora e as condições climáticas são boas, especialmente em Mato Grosso e Paraná, que são os principais produtores desse grão”, explica o especialista do IBGE. A segunda safra responde por 77% da produção brasileira desse cereal.

O milho, com a soma de suas duas safras, deve totalizar 112 milhões de toneladas. É um crescimento de 0,1% frente ao mês anterior e de 27,6% na comparação com o que foi produzido no ano passado. O atraso no plantio e a falta de chuvas causaram uma forte queda na produção do grão em 2021, o que não deve acontecer neste ano.

Entre os estados com maior crescimento na segunda safra do milho frente à produção de 2021 estão Paraná (178,3%), Mato Grosso do Sul (80,9%), Mato Grosso (17,1%) e Goiás (9,9%).

Grãos

Já a soja, que está com a colheita praticamente finalizada nos principais estados produtores, deve somar 118,6 milhões de toneladas. Principal produto de exportação do país, essa cultura teve a safra atingida pelos efeitos da estiagem nos estados do Sul, em parte de Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Os problemas climáticos fizeram a produção da soja cair 12,1% na comparação com 2021.

O arroz é outra cultura com queda na produção na comparação com o ano passado. A produção do cereal deve chegar a 10,6 milhões de toneladas neste ano, uma queda de 8,4% na comparação com o colhido em 2021.

“A queda é relacionada à falta de chuvas no Rio Grande do Sul, que responde por cerca de 70% da produção do arroz no país. Embora seja uma cultura irrigável, os produtores tiveram que racionar a água da irrigação. Essa falta de água fez a produção cair 10,4% na comparação com 2021”, explica Guedes, que acrescenta que a quantidade produzida de arroz deve ser suficiente para atender a demanda interna do país. Juntos, o arroz, a soja e o milho respondem por 91,7% da produção nacional de grãos.

Outro produto importante na mesa do brasileiro é o feijão, cuja produção deve chegar a 3,2 milhões de toneladas neste ano. O aumento frente ao produzido em 2021 é de 2,0%. Já a produção de milho foi estimada em 8,9 milhões de toneladas, um crescimento de 12,1% em relação à previsão anterior e de 13,6% na comparação com o ano passado.

“Com a guerra entre Ucrânia e Rússia, que são dois grandes produtores e exportadores de trigo, os preços desse produto cresceram. Isso fez os produtores brasileiros expandirem as áreas de plantio. Se tiver uma boa condição climática, a produção deve ser recorde em 2022”, diz Guedes, ressaltando que, apesar disso, o Brasil ainda precisará importar o produto, uma vez que o consumo interno é de cerca de 12 milhões de toneladas.

Já para o café, a estimativa é de 3,2 milhões de toneladas, um declínio de 3,7% em relação ao mês anterior e aumento de 7,8% frente ao ano passado. Há dois tipos de café: o canephora, cuja produção deve ser de 1,1 milhão de toneladas, e o arábica, que deve chegar a 2,1 milhões de toneladas.

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