MULHERES NEGRAS EXISTIMOS E RESISTIMOS PARTICIPAÇÃO DE MULHERES NEGRAS NA POLÍTICA 

O racismo estrutural infelizmente é uma marca que estrutura a desigualdade de raça, gênero e classe no Distrito Federal. Segundo dados da CODEPLAN, a população negra representa 57,4% da população do DF, esse levantamento permite-nos verificar as dimensões das desigualdades econômicas, sociais e políticas existentes na capital. Como acontece no país do racismo estrutural, a população negra é alvo preferencial do desemprego, da violência urbana e policial, subemprego, racismo ambiental, insegurança alimentar, têm obstaculizado o acesso à saúde, mobilidade e educação de qualidade.

No quesito gênero, o Distrito Federal possui 1.504.068 mulheres, o que representa 52% da população local. Segundo dados dos retratos sociais do DF, as mulheres representam a maior parcela da população em todas as faixas etárias a partir dos 25 anos. Cruzando os dados entre raça e gênero, é possível notar que o racismo agrava a desigualdade de gênero no DF e nos municípios metropolitanos, ou seja, mulheres negras – embora sendo maioria numérica – estudam menos, ganham menos e ocupam posições de pouco ou nenhum prestígio          social no mercado de trabalho e, quando observamos posições de destaque, vemos que somos desacreditadas, que nossa competência e qualificação é posta em dúvida, que temos diferenças salariais em relação aos homens. E nisso as mulheres são as maiores vítimas de feminicídio, de mau atendimento em unidades de saúde, de mortes durante a gravidez, parto e puerpério.

As mulheres negras vivenciam duplamente preconceitos e discriminações, tanto pela sua condição de mulher quanto pela questão racial. Segundo o Atlas da Violência 2021, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), os feminicídios de mulheres negras aumentar na última década.

O atlas indica que os assassinatos contra mulheres brancas, amarelas e indígenas diminuíram 26,9%, enquanto que de mulheres negras cresceu 2%. O estudo concluiu que o risco de uma mulher negra ser assassinada é quase o dobro do que outra não negra. Além da violência que é de gênero e racista, a representatividade de mulheres negras no parlamento continua muito baixa. Na Câmara Federal, de um total de 77 mulheres deputadas, 13, apenas, se autodeclaram negra. Na Câmara Legislativa, são apenas 4 mulheres e nenhuma se declara negra  Entendemos que uma das formas de mudar esse cenário é que se tenha mais representatividade de mulheres e principalmente de mulheres negras na política, já que os dados em relação a nossa participação nos espaços políticos são de extrema invisibilidade. Em 2018, as mulheres negras representavam apenas 2% do Congresso Nacional, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

A democracia é autogoverno e, como tal, pressupõe que as pessoas sejam autoras das decisões capazes de afetar suas próprias vidas. Nota-se, portanto, que há, sob o prisma da efetivação de uma justiça corretiva e redistributiva, um dever de integração dos negros, sobretudo as mulheres negras em espaços de poder, noção que é reforçada pela perspectiva integrativa da diversidade. Quando a representação política é excludente, afeta-se a capacidade das decisões de políticas públicas de refletirem as vontades e necessidades das maiorias subrepresentadas.

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