Decór afetivo: como compor os ambientes com itens de valor e história

 

Peças que valorizam sentimentos, revelam boas memórias e traduzem momentos vividos tornam o projeto de interiores ainda mais elegante, moderno e singular

Nesse projeto executado pela arquiteta Cristiane Schiavoni, o cavalo de murano que adorna a cristaleira foi trazido pela moradora, com todo o cuidado, diretamente de uma pequena ilha na Itália. Entretanto, mesmo com todo zelo, acabou sendo quebrada. No processo de reforma, a arquiteta propôs a restauração do objeto, que ganhou nova vida e status com o destaque alcançado no living| Foto: Carlos Piratininga

Em meio à correria de nossos compromissos e a movimentação das cidades, incluindo as grandes metrópoles como São Paulo, nossas casas são, cada vez mais, entendidas como nosso ponto de aconchego, refúgio e bem-estar. Mas para que essas sensações sejam, de fato, alcançadas, a decoração precisa traduzir a personalidade dos moradores – não só pela disposição dos ambientes, mas com a presença de objetos que façam sentido à história particular de vida e o convívio estabelecido com as demais pessoas.

 

É nessa premissa que nos deparamos com o conceito de decoração afetiva, conquistada por meio da utilização de peças de cunho sentimental ou itens de grande valor simbólico dentro do décor de interiores. De acordo com a arquiteta Cristiane Schiavoni, à frente do escritório que leva seu nome, o estilo se conecta automaticamente com a psicologia e o humor de cada um de nós. “Seja por meio de uma foto ou elementos que nos façam recordar de uma viagem, de um momento ou de alguém, nosso eu interior se transporta e transforma aquele minuto que estamos vivendo. É o poder de nos arrancar sorrisos, atenuar a saudade, e nos lembrar de quem realmente somos“, filosofa.

 

Nesse universo, valem os pequenos adornos comprados em viagens, um presente concedido por alguém muito especial, um porta-retrato, peças de família que atravessam gerações e, até mesmo a inserção de cores, sons e aromas. “Muitas vezes, o significado não é claro para todos. Apenas os envolvidos são impactados pelas reminiscências afetivas presentes”, declara Cristiane.

Para a composição do décor dessa estante, a arquiteta aproveitou diversos objetos trazidos de viagens, além de um acervo literário composto por livros herdados dos pais, exemplares adquiridos em momentos especiais ou presenteados por pessoas queridas. Essa conjunção deixa o ambiente elegante e, ao mesmo tempo, aconchegante | Foto: Carlos Piratininga

Como aplicar o décor afetivo

Peça antigas contam histórias e engrandecem a decoração de qualquer ambiente. Seguindo o estilo da família, do projeto residencial ou combinadas às peças modernas, são capazes de conceber ambientes únicos e personalidade singular. Visto isso, a arquiteta Cristiane Schiavoni listou uma série de dicas para não errar no décor com sentimentos.

Nesse projeto, a cristaleira acumula diversos cristais herdados de família. Posicionada com destaque no living, os objetos de grande valor afetivo impõem personalidade e trazem a sensação de conexão e pertencimento aos seus moradores, enquanto a estrutura de vidro e serralheria dá um toque de modernidade. | Foto: Carlos Piratininga

A profissional explica que a exposição não é aleatória e, assim como o projeto de interiores, deve fazer sentido. Para tanto, ela sempre busca compreender com seus clientes qual o significado dessa decoração afetuosa. “É primordial termos esse conhecimento para trabalhar com a ideia de identidade e conexão“, detalha. Em paralelo, faz-se relevante também compreender o valor – primordialmente sentimental, mas muito vezes até financeiro –, dos objetos como uma maneira de conceder a devida valorização e destaque no ambiente.

 

Nesse emaranhado de emoções, ela recomenda atenção e sutileza na exposição, pois a depender da proposta, a falta de conexão com o décor do espaço por percorrer o caminho inverso e transmitir justamente o oposto: a via da desconexão e de memórias incômodas. Então, como é possível revelar, de forma harmônica, as tão almejadas boas lembranças dentro de um ambiente? Ao responder essa indagação, a profissional relativiza a inexistência de um segredo, mas ao mesmo tempo ressalta que sua busca é pautada pelas combinações que se harmonizam.

 

Ao mesmo tempo, o orientação não elimina a possibilidade de mesclas e doses de criatividade, bem como o equilíbrio do antigo com o novo. “Se a lembrança for uma peça decorativa que atravessa gerações e que pareça esteticamente antiga, uma ótima saída é combiná-la com móveis modernos que podem ser colocadas em qualquer ambiente, desde o dormitório até a garagem”, menciona a arquiteta.

Nessa sala de estar integrada com a varanda, Cristiane Schiavoni valorizou a presença da cristaleira, móvel que simboliza o início da vida e uma das primeiras conquistas do casal de moradores. Na leitura do décor contemporâneo, sua tonalidade combinou com os demais tons incorporados ao projeto | Foto: Luis Gomes

Mesmo com todas as dicas, é sempre interessante contar com ajuda especializada de quem acumula estudo e experiências suficientes para guiar a decoração na direção certa. “É muito importante procurar profissionais de arquitetura que trabalham explorando esta técnica e que ajudam a encontrar novas formas de empregar e despertar sensações por meio da peça. Tudo começa com uma boa conversa com os clientes para entender a relevância de cada uma, assim como as lembranças envolvidas e os anseios que a envolvem. Particularmente, eu amo esse processo de mergulhar no infinito particular das pessoas por meio do nosso trabalho”, diz a especialista.

 

Muito além do óbvio 

Os itens de decoração afetiva podem ser peças de decoração, louças ou móveis passados de pai para filho, itens trazidos de viagens, coleções ou até mesmo peças compradas em garimpos ou antiquários. Para as coleções, a arquiteta reforça: “Assim como outros itens de muito afeto, temos que encontrar uma solução que não seja simplesmente guardar dentro de um armário ou esconder dentro de um monte de caixas. Podemos trabalhar com uma estante ou prateleiras na parede devotadas para essa exposição, como também podemos espalhar pela casa. O importante é respeitar os moradores e entender as suas preferências e necessidades”.

 

Já com relação às peças de antiquário, elas podem não carregar o passado dos moradores, mas com certeza são repletas de história e podem adquirir valor simbólico no contexto da compra. Por isso, as mesmas dicas também servem para quem busca trazer referências do passado no décor de interiores.

Nesse projeto, a arquiteta optou, juntamente a projeção da marcenaria, um espaço para os objetos e cristais comprados em antiquários pela sua moradora | Foto: Carlos Piratininga

Sobre a arquiteta Cristiane Schiavoni

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (FAU-USP), Cristiane Schiavoni atua na área de arquitetura, decoração e reforma desde 1996 e hoje, o escritório que leva seu nome, tem mais de 20 anos de história, reunindo centenas de projetos dentro e fora do Estado de São Paulo. Em suas criações residenciais e comerciais, publicadas em importantes veículos brasileiros, elementos-surpresa e toques de cor se misturam aos recursos que garantem o conforto e o aconchego dos moradores.

 

Acabamentos aplicados de maneira incomum e materiais versáteis também são presenças constantes nos trabalhos de Cristiane Schiavoni. O resultado se reflete na concepção de ambientes modernos, humanizados e dinâmicos, que convidam ao bem-estar e, principalmente, traduzem a essência de cada cliente.

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