Crimes de stalking e importunação sexual a mulheres crescem no DF

Somente neste início de 2022, foram registrados 572 ocorrências desse tipo de infração, segundo dados da Polícia Civil do DF (PCDF)

Os casos de stalking estão cada vez mais frequentes no DF e as mulheres na capital estão tendo que lidar cada vez mais contra essa prática ilícita. Os crimes acontecem quando a vítima é perseguida por algum conhecido ou não. Somente neste início de 2022, foram registrados 572 ocorrências desse tipo de infração, segundo dados da Polícia Civil do DF (PCDF).

Essas perseguições também são feitas virtualmente. Com o acesso cada vez mais fácil à internet, manter a privacidade e a segurança tem sido uma dificuldade. Dados da PCDF mostraram que foram registradas 18 ocorrências desse crime praticado pela internet em 2020. Em 2021, este número subiu para 156 casos, representando um aumento de 766% no número de denúncias.

Recentemente, um homem incendiou o apartamento da ex-namorada em Valparaíso-GO, região no Entorno do DF. O crime ocorreu na última sexta-feira, o suspeito entrou no condomínio da ex-companheira de bicicleta e invadiu o apartamento. A vítima, felizmente, não estava no local no momento.

A PCDF prendeu o autor na manhã de terça-feira (7), em São Sebastião. O criminoso que não aceitava o término do relacionamento, vivia perseguindo e ameaçando a ex-namorada, que possui medida protetiva contra ele. Em outra ocorrência, em abril deste ano, ele chegou a danificar o veículo da vítima.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, a delegada da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher II da Ceilândia, Adriana Romana, falou que o crime de perseguição ocorre muito no contexto da Lei Maria da Penha, principalmente após o rompimento do relacionamento, no qual o agressor não aceita o fim da relação.

A delegada ressalta que esse tipo de violência afeta o psicológico da vítima, e que é de extrema importância que as mulheres que forem submetidas a essa prática se atentem e denunciem.

“ Se torna uma conduta que não deixa a mulher viver em paz, que segue em injúrias e ameaças, […] Quando a gente tem uma situação dessa na delegacia, a gente cria uma luzinha de alerta que é um caso que a gente tem que ficar muito atento, […] A vítima tem que ter muita atenção, porque esse crime é um precursor e um fator de risco para o feminicídio”, alertou a delegada Adriana Romana.

Nesse caso do incêndio no apartamento, o homem foi submetido a inquérito policial e preso no presídio municipal de Valparaíso-GO, ele segue aguardando a decisão judicial. Já a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher da região, onde ocorreu o crime, continua acompanhando o caso.

Outras ocorrências que chamam atenção, é o de importunação sexual, que é a prática de ato libidinoso feito na presença de alguém, sem seu consentimento, para satisfação própria. No Distrito Federal, houve um aumento de 19% de registros entre 2020 e 2021. foram 433 ocorrências em 2020 e 516 em 2021, desses números, 91% das vítimas são mulheres. Entre janeiro e maio de 2022, já foram 199 casos de importunação sexual registrados contra mulheres na capital, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF.

Na madrugada do mesmo dia da ocorrência em Valparaíso, uma mulher foi alvo de importunação sexual em um bar em Samambaia. Na filmagem local registrada, um homem a alguns metros da vítima está em pé olhando-a constantemente, e alguns minutos depois, ele levanta uma das pernas e começa a tocar nas partes íntimas, se exibindo para a mulher.

A vítima após ver a ação, levanta e vai em direção ao criminoso gravando o ato com o telefone celular. De acordo com a PCDF, essa não teria sido a primeira vez que o homem realizou esse crime, já foram registradas outras ocorrências contra o suspeito, inclusive no mesmo bar.

A 32ª DP de Samambaia identificou o autor que prestou depoimento na delegacia, ele tentou justificar falando que não se lembrava de nada porque tinha bebido muito. O caso segue sendo investigado pela delegacia.

A delegada da DEAM II, Adriana Romana, informou ao JBr, que muitos desses autores de ato obsceno, são homens que apresentam problemas de saúde mental que precisam de tratamento. A especialista também ressaltou que esse tipo de conduta não é justificável e que deve ser denunciado.

“ Se o autor não é denunciado, ele vai tendo uma gradação nesse comportamento, então hoje, mesmo ele não tocando na vítima, pode ser que em um próximo comportamento que ele venha a praticar ele já passe a tocar. E depois desse toque, ele pode praticar um ato mais violento”, contou.

A delegada, também completou falando que essas condutas são crimes que precisam ser denunciados, e que mesmo as vítimas possuindo uma dificuldade em prestar boletim de ocorrência porque são crimes que ferem a dignidade sexual da mulher, é de extrema importância a denúncia para a criação de políticas públicas.

“Embora seja um crime muito difícil, é importante que a vítima vá até uma delegacia de polícia relatar essa intimidade, esses crimes ferem a privacidade daquela mulher, […] Mesmo que seja sutil, às vezes a vítima tem dificuldade de identificar aquele toque, ela tá ali em um transporte público e o indivíduo vai e toca nela, que não consegue identificar a conduta. Então às vezes o indivíduo se aproveita mesmo daquela situação para praticar um crime, […] Quanto mais a gente denunciar, mais a gente vai ter a chance de fazer com que essa conduta seja cessada ”, contou a delegada Adriana Romana.

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