Casa Branca admite que a Rússia pode invadir a Ucrânia a qualquer momento

A situação é classificada como “extremamente perigosa” e Casa Branca envia o secretário de Estado, Antony Blinken, a Genebra para tentar diálogo com o chanceler Serguei Lavrov

 

Vídeos mostrando o deslocamento de tanques e caminhões do Exército da Rússia sobre uma locomotiva e a presença de militares de Moscou na Bielorrússia sugeriam, ontem, que o alerta do governo dos Estados Unidos parecia fazer sentido. “Acreditamos que estamos em um estágio em que a Rússia pode, a qualquer momento, lançar um ataque contra a Ucrânia”, declarou Jen Psaki, porta-voz da Casa Branca, ao classificar a situação como “extremamente perigosa” e garantir que “nenhuma opção está descartada”. Em uma insistente e quase desesperada aposta na  diplomacia, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, viajou ontem a Genebra para se reunir com o chanceler russo, Serguei Lavrov, na sexta-feira. Washington espera convencer Moscou a desescalar a tensão. O presidente Vladimir Putin deslocou mais de 100 mil soldados para a fronteira da Ucrânia.

“O que o secretário Blinken fará é destacar que existe um caminho diplomático pela frente”, ressaltou Psaki. “É escolha do presidente Putin e dos russos decidir se vão sofrer graves consequências econômicas ou não.” A tarefa de Blinken não será nada fácil. Ontem, a Rússia exigiu respostas “concretas” antes de continuar a discutir sobre a Ucrânia. Uma das exigências do Kremlin é impedir um avanço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no leste da Europa, com a incorporação de países da região.

Em conversa telefônica, Blinken disse a Lavrov que a diplomacia é a solução para mitigar a crise. Ele ouviu do homólogo russo que Moscou aguarda um retorno imediato sobre as demandas apresentadas ao Ocidente. A Rússia teme que a Ucrânia, ex-república da extinta União Soviética, se transforme em uma espécie de base militar para forças norte-americanas e europeias.

Para Olexiy Haran, professor de política comparativa da Universidade Nacional de Kiev-Mohyla (Ucrânia), há indícios de que a Rússia busca um casus belli — evento ou ato usado para justificar uma guerra. “As demandas russas são totalmente irrealistas. Exigir que a Otan não apoie a Ucrânia ou que a aliança militar cesse as operações com a Suécia, a Finlândia e com países-membros do leste da Europa, como as nações bálticas. Além disso, a Rússia ocupou parte da Ucrânia (a Península da Crimeira) e, agora, exige da Otan garantias de segurança”, criticou ao Correio. “A situação é assustadora, porque Moscou não parece interessado em um acordo real. Pode ser que o Kremlin queria abrir um escritório da Rússia na Otan e uma representação da aliança militar em Moscou, a fim de estabelecer uma cooperação em potencial. Mas os russos têm rejeitado essa possibilidade publicamente.”

Petro Burkovsky, especialista da Fundação de Iniciativas Democráticas Ilko Kucheriv, em Kiev, contou à reportagem que, entre 17 e 23 de dezembro do ano passado, a entidade para a qual trabalha fez uma pesquisa de opinião pública para conhecer percepção dos ucranianos sobre um ataque russo. “Nós ouvimos 2 mil pessoas. Mais de 45% dos entrevistados disseram que se alistarão ao exército e 21% fornecerão ajuda às tropas do país. Outros 4% afirmaram que fugirão da Ucrânia”, explicou.

Burkovsky acredita que uma ofensiva russa na ex-república soviética é iminente. “O próprio Kremlin não nega isso. Quanto mais a Rússia ameaça, mais os países do Ocidente reconhecem que ela deve ser dissuadida e contida. Se os russos invadirem a Ucrânia, o custo será alto. Se, em algum caso, o Kremlin decidir desescalar as tensões e reconhecer que começou a guerra de 2014, então, vejo perspectivas para a normalização gradual”, acrescentou.

Por sua vez, Anton Suslov — especialista da Escola de Análise Política (NaUKMA), em Kiev — afirmou que, por enfrentarem oito anos de guerra, os ucranianos estão “acostumados” a novas tensões e tréguas. “No entanto, os cidadãos se preocupam com a possibilidade de uma agressão completa. Outra sondagem recente indica que 49% dos ucranianos consideram o acúmulo de tropas russas na fronteira com a Ucrânia como um perigo de intrusão russa”, lembrou, por e-mail. No caso de uma invasão, Suslov prevê milhares de baixas do lado russo e o agravamento de tensões internas. “Também veríamos sanções políticas e econômicas mais rígidas contra Moscou. Uma escalada generalizada na Europa não ocorreria por um motivo: a Rússia não está pronta para lutar contra a Otan”, disse.

Brasileiros

A reportagem conversou com brasileiros que vivem na Ucrânia. Natural de São Paulo, a relações-públicas Fernanda Hilario da Silva, 29 anos, mora em Kiev há um ano e meio. “Em caso de invasão da Rússia, eu e meu marido pretendemos sair do país por terra. Estamos montando uma mala com documentos e dinheiro. Temos dois cães e estamos organizando a documentação para levá-los conosco. A intenção é ir para qualquer nação vizinha que esteja com as fronteiras abertas”, desabafou. “Não entendo a ganância da Rússia em invadir a Ucrânia. O povo ucraniano não deseja ser anexado ao território russo. Tanto que houve a revolução de 2014 em torno disso. Eu só gostaria que tudo isso acabasse e todo mundo vivesse em paz.”

Brasileiros

A reportagem conversou com brasileiros que vivem na Ucrânia. Natural de São Paulo, a relações-públicas Fernanda Hilario da Silva, 29 anos, mora em Kiev há um ano e meio. “Em caso de invasão da Rússia, eu e meu marido pretendemos sair do país por terra. Estamos montando uma mala com documentos e dinheiro. Temos dois cães e estamos organizando a documentação para levá-los conosco. A intenção é ir para qualquer nação vizinha que esteja com as fronteiras abertas”, desabafou. “Não entendo a ganância da Rússia em invadir a Ucrânia. O povo ucraniano não deseja ser anexado ao território russo. Tanto que houve a revolução de 2014 em torno disso. Eu só gostaria que tudo isso acabasse e todo mundo vivesse em paz.”

 

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