Entre o tempo e o espaço | Galeria Casa | Casapark

Resultado de uma pesquisa curatorial em acervos de galerias de Brasília, o curador de Carlos Silva reuniu esculturas, fotografias, gravuras e pinturas de artistas de diversas gerações que mostram a complexidade e a velocidade que os movimentos artísticos que se sucedem. A exposição reúne obras de Anna Maria Maiolino, Amilcar de Castro, Antonio Dias, Artur Lescher, Capra Maia, Franz Weissmann, Lina Cruvinel, Ludmila Alves, Marcelo Camara, Rubem Valentim e Samantha Canovas

No dia 9 de agosto, das 18h às 22h, a Galeria Casa realiza a mostra coletiva “Entre o tempo e o espaço”, com obras de 11 artistas de diversas gerações que trabalham com figuração e abstração.  A exposição dá sequência à pesquisa curatorial de Carlos Silva em acervos de galerias de Brasília e coloca lado a lado obras de artistas consagrados e de seus pares em início de carreira. A visitação acontece até o dia 28 de agosto, de terça a sábado, das 14h às 22h, e domingo, das 12h às 20h. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos. A Galeria Casa fica no Casapark, Piso Superior, dentro da Livraria da Travessa.

Ampliar a visibilidade da produção local e reverberar o trabalho das galerias e escritórios de arte de Brasília é uma das missões da Galeria Casa.  Em sua oitava mostra desde que passou a ocupar o mezanino da Livraria da Travessa, a galeria apresenta a coletiva “Entre o tempo e o espaço”. Para a mostra, Carlos Silva contou com a parceria com duas jovens galerias de Brasília para apresentar um recorte que incidiu sobre a arte brasileira moderna e contemporânea, nacional e local. Com perfis distintos, as galerias estabeleceram seus acervos com o objetivo de oferecer aos colecionadores obras importantes produzidas a partir da segunda metade do século XX.

A Tachotte&Co é um projeto de Monica Tachotte que combina trabalhos dos mercados primário e secundário das artes no Brasil. Para a mostra na Galeria Casa, apresenta as produções dos artistas jovens contemporâneos Capra Maia, Lina Cruvinel, Ludmila Alves, Marcelo Camara e Samantha Canovas, além de obras de Anna Maria Maiolino, que faz parte do acervo da galeria.  Fundada por Gabriel Fonseca no ano de 2017, a Galeria Fáver é uma galeria de arte que opera exclusivamente no mercado secundário, com uma variedade de obras de artistas modernistas e contemporâneos. De seu acervo foram selecionadas obras de Amilcar de Castro, Antonio Dias, Artur Lescher, Franz Weissmann e Rubem Valentim.

“A produção atual e local é apresentada em paralelo a obras de artistas representantes e consagrados pela história da arte brasileira. Trata-se de uma produção artística ampla, complexa e diversificada, em que os movimentos se sucederam velozmente”, diz o curador Carlos Silva, que em seu acesso aos acervos das galerias privilegiou a perspectiva modernista e a pós-modernista, em um conjunto de obras que ampliam o estatuto do objeto de arte. O curador ressalta a presença de algumas linhas de força como a figuração moderna e a geometria abstrata em paralelo ao objeto artístico e à instalação.

Conheça os artistas

Anna Maria Maiolino (Scalea, 20 de maio de 1942) é uma artista plástica ítalo-brasileira, que vive e trabalha em São Paulo. Filha de pai italiano e mãe equatoriana, ela é a última criança de dez filhos. Gravadora, pintora, escultora, artista multimídia e desenhista. Por meio de uma obra com viés político e provocador, a artista investiga diferentes materiais e explora diversos meios de expressão, como a xilogravura, a fotografia, o filme, a instalação e a performance.

Amilcar de Castro (Paraisópolis (MG), 1920, Belo Horizonte (MG), 2002) em Paraisópolis, MG foi um dos fundadores do movimento Neoconcreto no país e peça chave da escultura brasileira. Em 1941, ingressou na faculdade de direito da Universidade Federal de Minas Gerais, tornando-se bacharel em 1945. Em 1944, inscreve-se na Escola de Arquitetura e Belas Artes, frequentando o curso de desenho e pintura dado por Guignard. Em 1947, recebeu a medalha de bronze no V Salão de Arte Moderna do MEC, no Rio de Janeiro, sendo esse o primeiro reconhecimento oficial da sua carreira artística. Assina o Manifesto Neoconcreto em 1959 ao lado de Ferreira Gullar, Lygia Clark, Lygia Pape e Franz Weissmann. Em 1965 ganha o prêmio da Fundação Guggenheim, se tornando o primeiro artista brasileiro a receber bolsa da prestigiada instituição. Traz em sua obra influência do Concretismo, tornando-se um ponto de transição de um movimento para o outro. Retorce a rigidez concreta e a transforma literalmente, tendo a transposição do desenho para o tridimensional da escultura como uma de suas questões mais trabalhadas. Entre suas exposições recentes destacam-se individuais O Jardim De Amílcar de Castro: Neoconcreto Sob O Céu De Brasília CCBB, Brasília em 2022.

Antonio Dias (Campina Grande (PB), 1944, Rio de Janeiro (RJ), 2018) iniciou sua carreira na década de 1960, produzindo obras marcadas pelo conteúdo de crítica política na forma de pinturas, desenhos e assemblages típicas do Neofigurativismo. A partir de 1966, se auto-exila em Paris, após críticas sutis à ditadura militar. Nesse contexto europeu, voltou-se cada vez mais para a abstração, transformando seu estilo. Em seguida, parte para a Itália e adota uma abordagem conceitual, criando pinturas, vídeos e filmes, utilizando cada uma dessas mídias para questionar o sentido da arte. Ao abordar o erotismo, o sexo e a opressão política de forma subversiva, construiu uma obra ímpar e conceitual, dotada de sofisticação formal e permeada por críticas contundentes ao sistema da arte. Na década de 1980, voltou novamente sua atenção à pintura, realizando experimentos com pigmentos metálicos e minerais. A maioria de suas obras desse período contém grande variedade de símbolos – ossos, cruzes, retângulos, falos –, que remetem às suas primeiras produções. Suas obras foram apresentadas em mais de uma centena de exposições individuais e coletivas nas mais importantes instituições do mundo.

Nascido em São Paulo, em 1962 Artur Lescher obteve reconhecimento no âmbito nacional a partir de sua participação na 19ª Bienal de São Paulo, em 1987, onde apresentou Aerólitos, obra que consiste no diálogo estabelecido entre dois balões de ar quente, cada um com onze metros de comprimento. Ao justapor sólidas estruturas geométricas e materiais resistentes como metal, pedra, madeira, latão e cobre a outros que guardam características de impermanência ou inconstância, como água, azeite e sal, Lescher enfatiza a imponderabilidade, ou “a inquietude”, como observou o crítico e curador Agnaldo Farias. Há mais de trinta anos, ele apresenta um sólido trabalho, resultado de uma pesquisa em torno da articulação entre matéria, forma e pensamento. São trabalhos que excedem o caráter de escultura e cruzam as linguagens da instalação e do objeto, a fim de modificar a compreensão destas e do espaço em que se inserem. Ao mesmo tempo que sua prática está atrelada a processos industriais, sua produção não tem por único fim a forma. Ao escolher nomear obras como Rio Máquina, Metamérico ou Inabsência, Lescher sugere narrativas, por vezes contraditórias ou provocativas, que abrem espaço para o mito e a imaginação.

Capra Maia (Brasília, 1985) Vive e trabalha em Brasília. Em sua produção transita entre linguagens diversas, investigando os vestígios que a passagem do tempo imprime na matéria, num constante diálogo entre orgânico e inorgânico, sendo a materialidade central no desenvolvimento de sua poética. Possui mestrado em Artes pela Universidade de Brasília/UnB e graduação pela mesma instituição. Realizou a exposição individual Pele pedra pó com curadoria de Marco Antonio Vieira em Brasília (2019) e participou do IIº Prêmio Vera Brant. Espaço Cultural Renato Russo (2019); 1º Salão de Arte em Pequenos Formatos do MABRI – Museu de Arte de Britânia (2019).

Membro do Grupo Frente e um dos fundadores do Movimento Neoconcreto, sendo signatário do manifesto do mesmo ao lado de artistas como Amilcar de Castro, Lygia Pape e Lygia Clark. Franz Weissmann chega da Áustria ao Brasil com a família em 1921 e se estabelece no interior de São Paulo. Em 1931, decide ingressar na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro. Em 1945, morando em Belo Horizonte e influenciado pelos trabalhos escultóricos de Rodin, Brancusi e Henry Moore, Weissmann explora a composição de figuras maciças, passando a recriá-las em linguagem abstrata. A potência de tais incursões no volume e na forma essenciais atualizam-se na obra “Cubo Vazado” (1951), que Weissmann submete à seleção da 1ª Bienal de São Paulo. Já circunscrita no Concretismo, o rigor estrutural e as sugestões volumétricas sutis, mas bem definidas de “Cubo Vazado” desvelam o que Franz Weissmann chama de “vazio ativo”, que pode ser compreendido como presentificação do espaço pela vibração entre matéria e vazio que, numa relação dialética, afirmam-se mutuamente na oposição harmoniosa. Ao longo do tempo, Franz Weissmann mantém-se fiel ao seu processo de criação: nunca desenha a peça a ser construída, prefere trabalhar diretamente no material, cortando e dobrando com as mãos seus pequenos modelos, posteriormente ampliados numa metalúrgica.

Lina Cruvinel (Goiânia 1996), vive e trabalha em São Paulo. Em sua produção, Lina Cruvinel se dedica a investigar espaços domésticos, como uma voyeuse, curiosa em observar a arquitetura íntima construída por quem a habita. Com intenção de capturar a atmosfera dessas moradas, detém-se pictoricamente na relação entre as cores e as formas, buscando provocar sensações em si e no espectador. A pintora vive e trabalha em São Paulo, é Bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal do Goiás-UFG. Participou da residência artística no Berlin Art Institute (2016); 23º Concurso Sesi Arte Criatividade, Vila Cultural Cora Coralina (2017); Programa Trampolim – mergulho para jovens artistas, que resultou na exposição  “Um corpo no ar pronto pra fazer barulho”, MAC/GO (2018); 44º SARP – Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo, Museu de Arte de Ribeirão Preto – MARP (2019).

Ludmilla Alves (Brasília, 1987) é artista do Distrito Federal. Escreve, pesquisa e desenvolve trabalhos de artes visuais, tais como instalações, colagens, fotografias, pinturas, intervenções e proposições com interesse em noções expandidas de pintura, poema/literatura e site específico. Atualmente se dedica à pesquisa de doutorado Versões Selvagens, na linha Deslocamentos e Espacialidades (PPGAV-UnB). Daí partem investigações de práticas artísticas, transformações da matéria e do espaço, colonialismos, ficções e experiências com o tempo. Utiliza a palavra como ferramenta e matéria. Bacharel em Comunicação Social (FAC/UnB). Mestre em Arte, na linha de Poéticas Contemporâneas (PPGAV-UnB), com a dissertação Noite Oblíqua (2016). Integra os grupos Espaços da Escrita e Vaga-mundo: poéticas nômades.

Marcelo Camara (Brasília, 1989) vive e trabalha em Brasília. Em sua produção explora a fronteira entre a representação e abstração; forma e gesto; linha e mancha. Investigando a construção pictórica através da imagem, que tem como objetivo desacelerar o olhar no frenético tempo atual. Exercitando a ressignificação e reflexão acerca da própria linguagem da pintura. Trabalha e produz em Brasília, é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília/UnB (2015), participou de programa de intercâmbio na École Nationale Supérieure d’Architecture de Strasbourg, França (2013-2014). Atualmente cursa bacharel em Artes Visuais na Universidade de Brasília/UnB. Foi selecionado para exposição Do corpo objeto ao animal político, Arte Londrina 8, da Universidade Estadual de Londrina UEL/PR, com curadoria de Danillo Villa e Michelle Sommer (2020).

Rubem Valentim (Salvador – BA, 1922 – São Paulo -SP, 1991) explora o universo religioso afro-brasileiro, com seus signos e emblemas originalmente geométricos. Esse universo é reorganizado por uma geometria ainda mais rigorosa, composta por linhas horizontais e verticais, triângulos, círculos e cubos. Nesse sentido, o artista desenvolve um repertório pessoal que, com sua noção de espaço pictórico e estudo cromático, abre várias possibilidades. Seu estudo cromático gera uma nova linguagem para os elementos apresentados, um novo alfabeto, permitindo a revelação iconográfica de sua obra para aqueles que conhecem ou não as referências das religiões afro-brasileiras. A semiologia presente em sua obra propõe a união do sagrado e do cartesiano, invocando questões espirituais quase que matematicamente. O trabalho de Valentim torna tangíveis os fatores sócio-políticos e históricos que formam a atual compreensão popular do Brasil.

Samantha Canovas (Brasília, 1990) vive e trabalha em Brasília. É artista plástica, têxtil, escritora, bordadeira e arte-educadora. Iniciou sua trajetória artística pesquisando os limites da materialidade da pintura, buscando adensar sua prática por meio de questões norteadoras, como método, deriva, obsessão e ócio na arte contemporânea. A artista investiga o têxtil enquanto campo escultórico, bem como sua relação com o vestuário, buscando ainda diluir a fronteira entre a arte e o artesanato e pensar a relação entre o doméstico e o feminino.

Serviço:

Entre o tempo e o espaço

Mostra coletiva | Esculturas, fotografias, gravuras e pinturas

Curadoria | Carlos Silva

Obras de | Anna Maria Maiolino, Amilcar de Castro, Antonio Dias, Artur Lescher, Capra Maia, Franz Weissmann, Lina Cruvinel, Ludmila Alves, Marcelo Camara, Rubem Valentim e Samantha Canovas

Abertura | 9 de agosto de 2022

                 A partir das 18h

Onde | Galeria Casa

              Casapark, Piso Superior, dentro da Livraria da Travessa

Visitação | até 28 de agosto

                    De terça a sábado, das 14h às 22h

                 Domingo, das 12h às 20h

Entrada | Gratuita

Classificação Indicativa | Livre para todos os públicos

Instagram | @galeria_casa

Endereço | SGCV Lote 22, Brasília – DF

Contatos | +55 (61) 3403-5300

                 @casapark

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