Nova operação contra o Iges-DF faz distritais reiterarem pedido de abertura de CPI

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Além de iniciar investigação sobre o IGES distritais defenderam que o GDF retome os serviços prestados pelo Instituto

A operação deflagrada pelo Ministério Público do DF, com apoio da Polícia Civil, cujo alvo foi o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), para apurar indícios de superfaturamento na contratação de leitos de UTI levou deputados de vários partidos a reiterarem o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a organização. Na sessão ordinária da Câmara Legislativa desta quarta-feira (18), os distritais salientaram a ação realizada na manhã de hoje.

“Mais uma vez, fomos surpreendidos com uma operação dirigida ao Iges-DF”, afirmou a deputada Arlete Sampaio (PT), primeira ao abordar o tema, destacando a desproporcionalidade de recursos destinados pelo Governo do Distrito Federal ao instituto, que fica com um terço das verbas do Fundo de Saúde. “Temos de agir em defesa do patrimônio público e do erário”, disse, incentivando os demais colegas a unirem-se ao grupo que defende a instalação da CPI.

Por sua vez, Leandro Grass (Rede), autor do requerimento para a criação da comissão, considerou “lamentável que a saúde do DF frequente as páginas policiais, quando deveria estar junto das melhores noticias”. O parlamentar fez críticas contundentes ao governador Ibaneis Rocha, a quem responsabilizou pela situação. “Este é um governo genocida”, declarou, chamando a atenção para um dado da investigação que aponta, como consequência dos desvios de recursos, para altas taxas de mortalidade nesses leitos de UTI.

A deputada Júlia Lucy (Novo) também ratificou a urgência da CPI e informou que poderá entrar com um mandado de segurança para garantir a instalação da Comissão de Inquérito na CLDF. Ela lembrou de pronunciamento que fez nesta terça-feira (17) alertando para a necessidade de fiscalizar o Iges-DF e voltou a insistir: “Somos parte do controle externo”. Destacou ainda o montante da dívida oficial do instituto, perto de R$ 370 milhões. “Para mim, o número real só é conhecido se multiplicarmos por três”, argumentou.

Já o deputado Chico Vigilante (PT) recordou as vezes em que chamou a atenção do GDF e do Legislativo local para os problemas que adviriam da criação, inicialmente, do Instituto Hospital de Base e, posteriormente, do Iges-DF. O distrital pediu apoio dos colegas para votar a favor de proposição de sua autoria que trata da extinção do instituto. “A CPI é importante, mas, a extinção desse monstro é mais importante ainda”, justificou.

Em seguida, o deputado Professor Reginaldo Veras (PDT) propugnou que a Secretaria de Saúde inicie um planejamento tendo com fim a devolução das estruturas geridas pelo Iges-DF. O parlamentar anunciou que não votará favoravelmente a qualquer proposta encaminhada pelo governo à CLDF que trate de reposição de verbas para a organização. “É um poço sem fundo”, pontuou. Para ele, o Iges-DF vai “colapsar” e sobrará para a secretaria toda a “massa falida”.

O deputado Fábio Felix (Psol) instou o conjunto dos distritais a apoiarem a CPI. “A Câmara Legislativa tem responsabilidades com esse tema. Por isso, temos que instalar a comissão como uma resposta à população”, defendeu. Na mesma linha que Veras, o parlamentar se colocou favorável a uma transição das unidades de saúde do Iges-DF para a pasta da Saúde. “O governo precisa abrir essa agenda”, sugeriu.

O deputado João Cardoso (Avante) foi mais um distrital que fez coro pela instalação da CPI. “É preciso que seja investigado. Devemos apurar sim e, se houver culpados, estes devem pagar”, ponderou. Já Roosevelt Vilela (PSB) apresentou os resultados de dissertação de mestrado, de sua autoria, recém-concluída, que concluiu pela dissociação entre as metas e indicadores e os recursos empregados pelo GDF no Instituto Hospital de Base que foi substituído pelo Iges-DF. A pesquisa o levou a um reposicionamento sobre a questão: “Fui favorável ao modelo de gestão, mas, defendo que a Secretaria de Saúde retome as unidades. Não vemos melhora nos serviços”.

O deputado Eduardo Pedrosa (PTC) disse que está “decepcionado e indignado”, citando a notícia da operação desta quarta-feira: “A falta de planejamento prova o quanto os gestores da saúde não são competentes”. Na análise do distrital, há vários problemas: falta de organização e comprometimento com a população do DF, entre outros. Pedrosa também defendeu que a Câmara Legislativa não pode fugir às suas responsabilidades e tem a obrigação de investigar. “Temos de cumprir o nosso papel”, concluiu.

 Agência CLDF

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