RACISMO – COMO TORNAMOS-NOS DIFERENTES

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Por LOWRY LANDI

Enquanto os humanos modernos estavam restritos à África, a melanina funcionava bem para todos. Eles eram um grupo bastante homogêneo, porque, por motivos desconhecidos, os primeiros humanos estiveram perto da extinção há cerca de 200 mil anos, com talvez não mais de 20 mil pessoas. Posteriormente, a descoberta de novas ferramentas e o crescimento da população tornou a África pequena demais para eles e, cerca de 100 mil anos atrás, os homens modernos chegaram à Ásia. De lá se espalharam para a Oceania, depois para a Europa e, há pelo menos15 mil anos, à América.

Nas regiões menos ensolaradas. A pela negra começou a bloquear demais os raios ultravioleta. Esse tipo de radiação é nocivo em quase todos os aspectos, mas tem um papel essencial no organismo: iniciar a formação na pele de vitamina D, necessária para o desenvolvimento do esqueleto e a manutenção do sistema imunológico. A tendência então foi que populações que migraram para regiões menos ensolaradas desenvolvessem pela mais clara para aumentar a absorção de raios ultravioleta. Em regiões intermediárias, o truque evolutivo foi o bronzeamento – uma camada temporária de melanina para proteger o folato em épocas de sol e produzir vitamina D quando ele não fosse tão forte. Ou seja, de acordo com os novos estudos, a cor da pele é apenas uma forma de regular nutrientes. Hoje sabemos que adaptações ao clima afetam primordialmente características superficiais.

Ao se espalhar pelo mundo, os seres humanos tiveram que lidar com todo tipo de ambiente e o principal elemento a se adaptar aos extremos de temperatura, umidade, iluminação e ventos do planeta foi a aparência. Um exemplo seria o tamanho do corpo: em regiões quentes é vantajoso ser baixo como os pigmeus, ou alongado como os quenianos, com a superfície do corpo grande quando comparada ao volume, o que facilita a evaporação do suor. O cabelo encarapinhado ajuda a reter o suor no couro cabeludo e a resfria-lo. O oposto ocorre em regiões frias como a Sibéria. O corpo e a cabeça dos mongóis, que se desenvolveram por lá, tendem a ser arredondado para guardar calor, o nariz, pequeno para não congelar, com narinas estreitas para aquecer o ar que chega aos pulmões, e os olhos, alongados e protegidos do vento por dobras de pele.

A origem de muitas características, no entanto, permanece desconhecida. Muitas delas podem ter surgido por serem consideradas belas ou simplesmente por acaso. Populações de nativos da América, por exemplo, devem ter passado por momentos em que se reduziram a algumas dezenas de indivíduos, o que eliminaria os traços menos comuns, como alguns tipos sanguíneos. Há também a influência da cultura: algumas mudanças podem não ter ocorrido porque os homens já tinham meios de se proteger do ambiente. Alguns traços humanos podem ter ocorrido como fruto da adaptação. Mas existem pesquisadores que falam em sorte, mas, o que advogamos só acontecerá com o estudo sistemático do genoma humano que, em dez anos, explique muitas dessas perguntas no formato científico.

O que se comprova, no entanto, que as modificações não foram muito além das aparências, graças à homogeneidade da população humana em seus primórdios e ao pouco tempo que ela teve para evoluir desde então, por cerca de 7.500 gerações. Os poucos traços que mudaram também não estão ligados entre si, o que permitiu que uma mesma pessoa tivesse características de diferentes etnias e criou um contínuo de cores entre as populações.  Entretanto, a visão, após tantos estudos, passou a ser considerado o sentido mais apurado do ser humano e o fato dessas diferenças estarem na aparência levou muitos estudiosos a considera-las profundas.

Em 1758, o botânico sueco Carolus Linnaeus – o criador do atual sistema de classificação dos seres vivos – deu à humanidade o nome científico de HOMO SAPIENS e a dividiu em quatro subespécies: os vermelhos americanos, “geniosos, despreocupados e livres”; os amarelos asiáticos, “severos e ambiciosos”; os negros africanos, “ardilosos e irrefletidos”, e os brancos europeus, evidentemente, “ativos, inteligentes e engenhosos”. Estava aberta a discussão sobre a existência de raças humanas e o valor de cada uma. No entanto, essas características nunca foram comprovadas e a principal consequência desse tipo de ideia foram as câmaras de gás nazistas, o que levou os cientistas do século XX a acreditar que todas as diferenças entre humanos estavam na cultura. A ideia de que as raças humanas não existem biologicamente foi reforçada nos anos 70, quando pesquisas analisaram as diferenças entre as proteínas de diversas populações. Os seres humanos  estavam muito longe de apresentar uma diversidade comparável à de espécies que de fato possuem raças, como elefantes e ursos. Na verdade, a diferença genética entre dos chimpanzés de uma mesma colina na África pode ser maior que o dobro da existente entre sete bilhões de humanos do planeta.

1866 = KU KLUX KLAN: Surge a Ku Klux Klan, um marco da intolerância racial nos EUA, que promovia assassinatos e aos terroristas contra negros e que, continua a existir até hoje.

1899 = CESARE LOMBROSO: Criminologista italiano famoso por tentar relacionar certos traços físicos a tendências criminosas. Fez discípulos em todo o mundo. No Brasil, seus seguidores estudam os crânios de Lampião e de Antônio Conselheiro para explicar suas atitudes.

1934 = ADOLPH HITLER: O governante nazista comanda a morte de seis milhões de judeus. O objetivo era eliminá-los da Europa e abrir caminho para a criação de uma raça alemã superior a todas as outras.

1948 = APARTHEID: a África do Sul cria um regime de segregação entre brancos e negros. Ruas, bancos de praças e até banheiros eram de uso exclusivo de cada grupo.

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