Inflação de julho foi maior para famílias de baixa renda

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De acordo com o Indicador de Inflação por Faixas de Renda, divulgado hoje (13) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), houve um crescimento da inflação na margem de Junho a Julho para todas as faixas de renda.

Porém, esse crescimento foi maior para as famílias de baixa renda (1,12%), em comparação com 0,88% para as famílias de alta renda.

A economista Maria Andreia mencionou que a diferença para a parte mais pobre da população ocorreu porque os produtos que aumentaram acentuadamente nos últimos meses são os que mais pesam na cesta de consumo dos mais pobres.

“Você tem aí alimentos, energia elétrica e gás de cozinha. Isso tudo pressiona mais a inflação dos mais pobres, porque o percentual da renda gasto com esses itens é maior do que para os mais ricos” Afirmou, Maria Andreia.

Entretanto, o efeito da alta inflação sobre os mais ricos acaba por ser menor, uma vez que o peso dos itens consumidos na cesta dos mais ricos é menor. Enquanto, para quem receberá apenas o salário mínimo 2022 será maior.

Além disso, em Julho houve uma queda no custo dos planos de saúde (1,4%), o que contribuiu para aliviar a inflação para os mais ricos.

“Por isso, deu essa diferença.” mencionou, Maria Andreia.

Acumulado

Com o acumulado do ano até Julho, a pesquisa demonstra que o grupo que registrou o maior aumento foi o das famílias de classe média baixa que recebem entre R$ 2.471,09 e R$ 4.127,41 por mês, para o qual a variação atingiu 5% ao ano.

O grupo de baixa renda, que recebe até R$ 1.650,50, a inflação de Janeiro a Julho foi de 4,8%, enquanto que para as famílias com rendimentos maiores, que recebem mais de R$16.509,66 por mês, a inflação acumulada atingiu 4,28%.

Sob o mesmo ponto de vista, Maria Andreia explicou que o aumento se deve à alta nos preços dos alimentos, eletricidade, gás de cozinha, tanto botijão como canalizado, gasolina, o que atinge um pouco a classe média.

No último ano, acompanhamos o retorno de uma inflação mais elevada para as famílias de baixa renda (10,1%), a maior desde 2016 (10,6%), enquanto que as famílias de alta renda tiveram uma inflação mais baixa (7,1%).

A pesquisadora do Ipea salientou que no segundo semestre de 2020, que está na conta dos 12 meses, o grupo de alimentos cresceu muito, afetando a cesta dos mais pobres. Maria ainda explicou que “O período de 12 meses ainda está muito contaminado por alimentos”.

Como resultado das medidas de restrição e circulação, que foram extensas e impostas pelas autoridades para conter a propagação da covid-19, o setor de serviços jogou muito para baixo a inflação dos mais ricos. Por exemplo, na educação, que teve descontos de mensalidades no segundo semestre.

“Além disso, gastos com serviços pessoais e recreação deram um alívio na inflação dos mais ricos. Por isso, ela fica mais alta para os mais pobres”, mencionou a economista.

Reajustes

Os reajustes que tiveram maior impacto em julho para as famílias de baixa renda foram os das tarifas de energia elétrica (7,88%), gás de botijão (4,17%), carnes (0,77%), aves e ovos (2,84%), leite e derivados (1,28%).

Para os mais ricos, os principais impactos foram os reajustes da gasolina (1,6%), das passagens áreas (35,2%) e do transporte por aplicativo (9,4%). Em 12 meses, a alta da inflação para as famílias de baixa renda reflete as variações de 16% dos alimentos no domicílio, de 20,1% na eletricidade e 29,3% do gás de botijão, sinaliza a pesquisa do Ipea.

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