Turismo responsável vira tendência e atende a um novo perfil de viajante pós-pandemia

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Os turistas estão mais preocupados com a segurança sanitária e o desenvolvimento social, ambiental e econômico de seus destinos

O turismo foi um dos setores mais atingidos pela pandemia e, segundo a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), retornará apenas em 2023 aos níveis pré-Covid 19.

Porém, isso não quer dizer que as pessoas deixaram de viajar totalmente. Desde o começo da pandemia, há novos movimentos neste segmento. O primeiro é a busca por deslocamentos no mercado doméstico, e o outro, a preferência por destinos responsáveis.

Embora tenha ganhado fôlego e crescido no último ano, com incentivos do Governo Federal e o aumento das preocupações com o meio ambiente, a questão sanitária e a responsabilidade social por parte do viajante, o turismo responsável já vinha chamando atenção e tem tudo para alcançar voos ainda mais altos.

As viagens durante e após a pandemia

Uma pesquisa realizada pela MaxMilhas, travel tech que desde 2013 oferece compra de passagens aéreas online com desconto mostrou que 92% das viagens realizadas em 2020 foram para destinos nacionais.

Este foi um movimento crescente. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) registrou em dezembro o maior volume de passageiros em voos domésticos do ano passado. Quando comparado ao mesmo mês em 2019, o número de 5,6 milhões de passageiros representou queda de 36,4%, mas ainda assim foi o melhor resultado desde fevereiro de 2020.

Um dos fatores que impulsionou o crescimento do setor foi o turismo responsável, um conceito de viagem que vai além do crescimento econômico e incentiva a preservação do meio ambiente e o progresso social dos destinos.

Na pandemia, a modalidade ganhou uma nova camada: as boas práticas e os protocolos de biossegurança para evitar a disseminação da Covid-19.

Essas medidas, que rapidamente se disseminaram por todo o setor, atendem à demanda de um novo perfil de turista, que busca por destinos e locais que cumprem protocolos sanitários.

Em uma pesquisa realizada pelo site de reservas Booking.com, 89% dos entrevistados afirmam que darão preferência a hospedagens que priorizem a limpeza e higiene dos espaços a partir de agora.

Na esteira das novas preocupações de quem viaja, o Ministério do Turismo lançou o selo “Turismo Responsável”.

Trata-se de um programa que estabelece boas práticas de higienização para os estabelecimentos, como hotéis, restaurantes, pontos turísticos, entre outros.

O projeto é um reforço nos protocolos de segurança, contribuindo com a retomada do segmento. Mais de 28 mil prestadores de serviços e guias de turismo já aderiram ao programa, segundo a Pasta.

Descobrindo o turismo responsável

Essa maneira de viajar, na verdade, vai muito além dos protocolos sanitários para a contenção da Covid-19.

O turismo responsável existe para que as viagens sejam ideais não só para o turista, mas também para todo ecossistema do destino, preservando e desenvolvendo suas diversidades econômicas, culturais, ambientais e sociais.

O conceito foi estabelecido em 2002, durante a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo.

Especialistas e autoridades de 20 países redigiram a Declaração de Cape Town sobre Turismo Responsável, uma vez que apenas a proposta de turismo sustentável acordada 10 anos antes não daria conta do desenvolvimento local.

Na declaração, as preocupações com a sustentabilidade dos lugares somou-se àquelas relacionadas à responsabilidade social, inaugurando este conceito.

Para que o turismo responsável seja o que consta em sua declaração, é preciso unir esforços de todos os lados — governos, iniciativa privada, terceiro setor e turistas —, em especial durante o enfrentamento do coronavírus.

Um olhar para o turismo responsável

Em 2019, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério do Turismo, divulgou um dado animador: mais da metade (60%) das viagens realizadas no Brasil naquele ano foram de turismo de natureza, um dos pilares do turismo responsável.

Ou seja, antes mesmo da pandemia se instalar, o brasileiro já estava de olho em outras maneiras de viajar.

Com a retomada do mercado e a inclusão das medidas sanitárias, sua propagação se adiantou em cerca de 10 anos, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA).

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