Fisioterapia do Hospital de Base supera 5,2 mil atendimentos na UTI Covid  

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Atividades prescritas pelos fisioterapeutas da UTI Covid-19 minimizam sequelas físicas causadas pelo vírus

 

Os fisioterapeutas da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid-19 do Hospital de Base (HB) realizaram 5.246 atendimentos, de abril de 2020 a junho de 2021. O serviço, que consiste em promover atividades físicas em pacientes internados que ainda não estão curados da covid, ajuda a reduzir o tempo de internação hospitalar e minimizar seqüelas.  Entre os exercícios estão levantamento de pesos, pedaladas, caminhadas e atividades com uso de caneleiras e halteres.

A fisioterapeuta rotineira da UTI Covid-19, Lara Rocha, explica que os resultados tem sido satisfatórios para a reabilitação motora e muscular de pacientes. “Os exercícios físicos reduzem o número de dias de ventilação mecânica dos indivíduos e diminuem o delirium, que é a perda de consciência, atenção e comprometimento cognitivo. Eles também reduzem a fraqueza muscular e os pacientes recebem alta para casa mais rápido”, garante a profissional.

As atividades são feitas com indivíduos com boa estabilidade motora, ausência de fraturas e com baixo uso de drogas vasoativas (utilizadas como sedativos) e de bloqueadores neuromusculares (que interrompem a transmissão neuromuscular de impulsos nervosos).

Para os casos mais graves, em pacientes sedados, é garantido o tratamento por eletroestimuladores neuromusculares, aparelhos que fortalecem os músculos por meio de leves choques elétricos. Os fisioterapeutas dispõem ainda de um dispositivo de treino muscular respiratório, utilizado para melhorar a capacidade respiratória dos pacientes por meio da compressão e relaxamento dos pulmões, com o lançamento de ar via oral nos pacientes.

Tanto os de treino muscular quanto os eletroestimuladores foram cedidos ao HB pela Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) para a realização de uma pesquisa sobre a reabilitação precoce. 

 

 

Reabilitação 

 

Após 48 dias internada por causa da covid-19, Andréia Cristina Maria de Andrade, de 44 anos, finalmente conseguiu dar os primeiros passos, na segunda-feira (5/7), com o auxílio de profissionais de saúde e de um andador. A cena, registrada em vídeo, é completamente diferente daquela de quando a operadora de caixa chegou à UTI Covid-19, em 12 de junho, intubada e com mais de 80% dos pulmões comprometidos.

Desde a chegada de Andréia, os fisioterapeutas iniciaram uma árdua jornada que compreendia diversas atividades para estimular os músculos da paciente, todos os dias da semana, três vezes por dia. “Ver essa cena traz uma sensação de dever cumprido e de que estamos contribuindo para o retorno seguro dos pacientes, por meio da atuação de uma equipe extremamente competente e empenhada”, descreve Lara.

Cada vez mais perto de receber alta da unidade, Andreia só tem a agradecer. “Não sei expressar em palavras o quanto sou grata por estar viva”, disse. Aos poucos, o medo vivenciado no dia da intubação da paciente é substituído pela emoção de retornar à vida normal. “A primeira coisa que pensei ao acordar foi: estou viva”, contou. A paciente já tem planos do que fazer quando sair do hospital. “É dar um abraço bem forte na minha família”, conta, com um sorriso no rosto.

O marido Ricardo Marques dos Santos, de 50 anos, também está ansioso pelo encontro, assim como as enteadas Ana Julia Andrade, de 14 anos e Caroline Andrade, de 25 anos. O tecnólogo em gestão financeira acompanhou de perto o sofrimento da esposa, que recebeu o diagnóstico positivo para covid-19 em 18 de maio.  Ele não chegou a se contaminar com o vírus.

“Desde então ela começou a piorar e no mesmo dia a levei para o Hospital Regional do Gama, na região da nossa casa”. Sem vaga na unidade, o casal se deslocou para o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), onde Andréia ficou até 24 de maio, até ser transferida para o Hospital de Ceilândia, local em que foi intubada.

“O quadro de saúde dela continuou a piorar e a equipe do hospital decidiu transferi-la para o Hospital Base”, conta Ricardo. “Foi lá que ela começou a melhorar e de onde vai sair com mais saúde e vencedora da luta contra a covid-19”, disse orgulhoso.

Texto: Thaís Umbelino/ Ascom IGESDF

Edição: Ailane Silva/ Ascom IGESDF

Fotos: Davidyson Damasceno/ Ascom IGESDF

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