Os desafios de ser escritor brasileiro na Alemanha

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Telma Brites e C. A. Saltoris contam o quão complicado é morar em outro país enquanto publicam livros em sua terra de origem: Brasil

Enquanto o Brasil mantém os dolorosos 52% em hábito de leitura, a Alemanha é o país que mais lê no mundo, com 39% da população geral lendo uma média de 5 livros por ano. Baseando-se nos fatos citados, as autoras brasileiras Telma Brites e C. A. Saltoris têm muito a contar sobre como é morar na Alemanha enquanto publicam suas obras no Brasil.

“Não temos o controle das nossas obras”, relata Telma Brites, autora da Trilogia Gaia, que traz uma envolvente narrativa de fantasia sobre a mitologia grega. A baiana mora há vinte anos na Alemanha, onde formou família, e foi publicada pela primeira vez em 2016. Os três livros foram relançados na 1ª edição da FLISP (Festa Literária de São Paulo) pelo Grupo Editorial Coerência em 2020. Formada em Ciências Sociais, a escritora afirma que estar longe do Brasil a afasta dos leitores e das experiências do mercado brasileiro, que é tão cheio de eventos presenciais. “Os custos são enormes”, ela diz sobre as dificuldades de se locomover de país em país para participar de Bienais do livro e feiras literárias no geral. Atualmente Telma mora em Sechtem, no bairro alemão de Bornheim, onde ensina português em uma escola particular.

Mesmo morando há quase 600 quilômetros de distância de Telma Brites, a autora C. A. Saltoris, pseudônimo de Ariane de Melo, compartilha da mesma experiência. “Nunca planejei ficar”, ela fala sobre permanecer no país após completar 15 anos em Berlim. Ela relançará “A História Esquecida da Hospedaria na Estrada” também pelo Grupo Editorial Coerência. Quando perguntada sobre os desafios de morar em outro país enquanto escritora, a resposta é padrão: “Dificuldades óbvias de não poder estar sempre presente em eventos”, muito embora a pandemia do novo coronavírus já tenha afastado todos os eventos presenciais. Apesar das redes sociais ajudarem, a experiência de morar por aqui é bem diferente. “Eu nunca planejei me tornar escritora”, disse a autora de mais dois títulos publicados. “Estava depressiva em 2013 e decidi fazer o que mais gosto: escrever”. Além do lançamento, Ariane conta com “Banshee: Os Guardiões”, pela Editora Viseu e “As Cores do Além”, disponível na Amazon.

O Brasil perdeu 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019, segundo apontou a pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”. O levantamento, feito pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural, foi realizado em 208 municípios de 26 estados entre outubro de 2019 e janeiro de 2020. “Perspectiva”, reflete C. A. Saltoris, que vê na Alemanha o que não existe no Brasil: oportunidades de mergulhar em uma cultura mais assertiva. “É uma chance de encontrar uma boa editora para traduzir nossos livros e lançar por lá”, completa Telma Brites.

Duas grandes feiras de livros são realizadas na Alemanha todos os anos, uma em Leipzig, em março, e a outra, em Frankfurt, em outubro, que é a maior e mais antiga feira de livros do mundo, estendendo-se por mais de 500 anos. Todos os anos, a Alemanha se torna o centro do universo editorial por cinco dias. Cerca de 7.500 expositores, 10.000 jornalistas e 300.000 visitantes de mais de 100 países se reúnem na Feira do Livro de Frankfurt, que fica bem à frente das Bienais do Livro de São Paulo e Rio de Janeiro.

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