Pesquisadores “reencontram” gruta “perdida” há 186 anos em MG

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Caverna descrita em livro por paleontologista dinamarquês em 1835 fica em local até então desconhecido para os cientistas

 

 

Cento e oitenta e seis anos após o naturalista dinamarquês Peter Lund e o pintor Andreas Brandt relatarem em um de seus livros as peculiaridades da “Lapa Quatro Bocas”, na região Central de Minas Gerais, a gruta voltou a ser explorada por cientistas.

Desde que o pai da paleontologia e arqueologia no Brasil passou por lá há mais de um século, muito pouco se ouviu falar sobre a estrutura no meio científico. Os textos, escritos enquanto Lund e Brandt desbravavam as terras mineiras, não indicavam as localizações exatas das cavernas, mas deixavam pistas da região.

Com apoio de uma expedição montada com pesquisadores da faculdade Newton Paiva e um pouco de sorte, o espeleologista e professor universitário Luciano Emerich reencontrou a gruta dentro de uma fazenda na zona rural da cidade de Curvelo, a 168 km de Belo Horizonte.

O grupo saiu da capital mineira com o objetivo de encontrar uma outra formação geológica também descrita pelo dinamarquês, mas entre uma conversa e outra com moradores da região, veio a “redescoberta”.

— O pessoal falava que tinha uma outra gruta maior e mais bonita próximo ao local onde estávamos. Quando entrei nela, não tive dúvidas. Era a Lapa Quatro Bocas que Lund havia relatado no livro.

Desenho feito em 2021 mostra similaridade com registro feito por Lund e Brant em 1835

Desenho feito em 2021 mostra similaridade com registro feito por Lund e Brant em 1835

As características batem com os desenhos deixados pelo naturalista. Ela tem aproximadamente 600 metros de largura em linha reta e tem uma formação que se assemelha a dois níveis de uma casa. Em um deles, segundo o pesquisador, a altura é suficiente para abrigar um ônibus de dois andares. A cavidade estava em perfeito estado e não tem uso turístico.

A pesquisa realizada pelo professor foi realizada em 2021 para marcar o 220º ano de nascimento de Lund, celebrado no último dia 14 de junho. Os resultados da expedição seriam apresentados em um congresso internacional que foi desmarcado em função da pandemia de covid-19.

— É como ter o mapa do tesouro nas mãos e decifrar o que foi deixado. A documentação sempre esteve disponível, mas ninguém tinha tentado seguir os primeiros passos [de Lund].

De acordo com Emerich, o projeto motivou a prefeitura a avaliar o potencial turístico das cavernas da região, mas a gruta Quatro Bocas fica em uma propriedade particular. A reportagem procurou o município para comentar sobre os projetos, mas não teve retorno.

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