Plano Safra cria grandes expectativas de aceleração nacional

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Programa atende às expectativas do setor, mas especialista alerta que aumento de 6,3% não compensa a inflação

 

Lançado na semana passada pelo governo com um total de R$ 251,2 bilhões em créditos aos pequenos, médios e grandes agricultores brasileiros, o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2021/2022-Plano Safra criou grandes expectativas de aceleração do cenário econômico nacional. O programa, que visa à expansão de mercados, deve tornar o agronegócio “ainda mais competitivo”, segundo Tereza Cristina, ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Criado pelo governo em 2003, o Plano Safra garante crédito para o agricultor investir e custear sua produção. Se por um lado, houve aumento de 6,3% — 14,9 bilhões do último programa para o atual —, por outro, também subiram os juros, em média 10%.

Para Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, embora ofereça maior valor de crédito do que o programa passado, o novo Plano Safra está menor, devido à inflação. “Em termos reais, descontada a inflação, o valor é menor do que a gente teve no ano passado. Ela comeu esse ganho de 6,3%. Um levantamento revela que houve aumento, nos últimos 12 meses, entre 20% e 30% no custo de produção rural”, explica.

O Plano Safra 2021/2022 oferece à agricultura familiar uma fatia de R$ 39,34 bilhões em créditos por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), 19% a mais que o programa anterior. Os juros para os pequenos produtores ficaram entre 3% e 4,5%.

Apesar do aumento no valor de crédito oferecido pelo programa, burocracias podem dificultar o acesso ao crédito, especialmente pelo pequeno produtor, além do alto risco de inadimplência, segundo o economista Virgílio Lage, assessor da Valor Investimentos.

“Por se tratar de agropecuária e agricultura, vários fatores externos, como o clima, agravam o risco de calote sistêmico, pois, mesmo que a garantia preveja questões climáticas, ela não cobre riscos fora da curva”, alerta.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que as medidas foram anunciadas dentro das expectativas do setor. Entre os pontos positivos, a entidade destaca o aumento dos recursos para pequenos e médios produtores, para a produção sustentável e aumento dos investimentos.

Segundo o vice-presidente da CNA, deputado José Mário Schreiner (DEM/GO), o programa agradou ao setor e compreende o momento de dificuldade fiscal do país. “Nós entendemos que é um plano do tamanho que o Estado suporta”, declarou.

Hoje, o Banco do Brasil realizará cerimônia de lançamento do Plano Safra 2021/2022, quando deve anunciar, oficialmente, a destinação de R$ 135 bilhões para a safra 2021/2022, 17% a mais que o volume aplicado na safra anterior.

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