Deputado Luis Miranda diz que: “Governo me deve um pedido de desculpas”. Siga

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Ao Metrópoles, deputado afirmou que defendeu o presidente e disse que não precisa mentir sobre a compra da vacina Covaxin

 

 

Em entrevista ao Jornal Metrópoles, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que “falar a verdade” na CPI da Covid-19, em seu depoimento na sexta-feira (25/6), significa “atacar o governo”. De acordo com o deputado, ele defendeu o presidente e afirmou que não precisa mentir sobre a compra da vacina Covaxin.

Luis Miranda e o irmão, servidor concursado do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, depuseram à CPI da Covid-19 na última sexta-feira (25/6). Na ocasião, o deputado afirmou que o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), foi mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como possível envolvido em esquema de corrupção, ao ouvir denúncia sobre os supostos problemas no contrato da vacina Covaxin. Barros nega envolvimento.

Os irmãos se reuniram com Bolsonaro em 20 de março, no Palácio da Alvorada. Segundo o parlamentar, a conversa durou 50 minutos. O chefe do Executivo nacional teria citado o nome do líder do governo já nos primeiros 10 minutos de diálogo. “Esse pessoal, meu irmão, tá foda. Não consigo resolver esse negócio. Mais uma desse cara, não aguento mais”, teria dito Bolsonaro, segundo Luis Miranda.

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“A gente precisa saber se o presidente levou ou não levou [a denúncia para autoridades]. Todo mundo sabe que o Barros é investigado nessa situação, o nome dele está vinculado nesse processo. Não acredito que ele sabia do envolvimento de Barros, ele me perguntou se o Barros está envolvido nisso”, diz Miranda.

De acordo com o deputado, o governo federal deve um pedido de desculpas para ele por conta das ameaças que recebeu. “Fui ameaçado pelo Onix, fui ameaçado pela Polícia Federal sem propósito. Eu vou fazer um requerimento e ainda hoje vou encaminhar para a Polícia Federal para saber se ele [Onix] abriu uma investigação contra mim. Isso é usar a máquina pública para investigar uma testemunha que está falando a verdade”, completou.

Democratas

Quando questionado sobre os ataques de deputados do seu próprio partido, o Democratas, Miranda afirmou que pensou em abrir um pedido de expulsão aos deputados citados, mas não encontrou elementos “dentro do regimento” do partido para fazer abertura do inquérito.

“Eu acho que eles erraram, e uma prova que eles erraram é o que vem se desdobrando depois que dissemos a verdade na CPI. Isso não é caso de partido. No início até analisei, achei que caberia um caso de expulsão, mas não tem elementos dentro do regimento do Democratas por uma discussão que está representando o governo federal. No momento que ele ataca de forma sorrateira, ele tem que saber que isso tem consequências legais, e eu vou tocar para frente. Mas no partido, não”, garante.

De acordo com documentos do Tribunal de Contas da União (TCU), o imunizante indiano foi o mais caro negociado pelo governo federal, custando R$ 80,70 a unidade. O valor é quatro vezes maior do que o da vacina da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a AstraZeneca, por exemplo.

A CPI da Covid investiga por que o governo agilizou os trâmites na compra da Covaxin. Segundo um levantamento do TCU, o Ministério da Saúde levou 97 dias para fechar o contrato do imunizante indiano, enquanto demorou 330 dias para ter um acordo com a Pfizer.

Além disso, o contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos para aquisição da Covaxin foi o único acordo do governo que teve intermediário sem vínculo com a indústria de vacinas – o que foge do padrão das negociações e dos contratos de outros imunizantes.

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