Estudantes da UnB produzem conteúdos educacionais do PAS no Instagram

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O “Do Centrão para a UnB” é formado por ex-alunos do Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina-DF e busca levar novos estudantes da escola para a universidade

 

 

Em Planaltina-DF, um grupo de estudantes da Universidade de Brasília decidiu se reunir para criar um projeto de extensão que produz materiais referentes ao Programa de Avaliação Seriada (PAS) para os alunos do Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina, mais conhecido como “Centrão”, escola pública localizada no centro da cidade.

O “Do Centrão para a UnB” é vinculado a um projeto de extensão coordenado pelo professor Jair Reck, o “LEdoC Itinerante: Seminários Campo e Cidade, nas Escolas e Comunidades de Inserção” da FUP – campus da UnB localizado em Planaltina.

Para ele a iniciativa possui uma atitude nobre de união entre as duas instituições. “É importante que estudantes falem da importância da extensão da universidade integrada com a realidade das escolas e comunidades”, afirma o coordenador.

Os integrantes do coletivo são ex-alunos da instituição, que estudavam juntos no tempo livre e ingressaram na universidade por meio do processo seletivo que leva os estudantes do ensino médio para o ensino superior.

Os conteúdos feitos pelos universitários são disponibilizados no Instagram. Na rede social do grupo existem posts, reels, lives e stories que buscam conectar os jovens à temática estudantil de forma virtual, misturando humor, conteúdos acadêmicos e diferentes formas de comunicação entre os organizadores e o seu público.

A ideia de criar a organização partiu da estudante Lívia Simara, estudante do 5º semestre de pedagogia da UnB, que acompanhava o projeto “Do CIEM para a UnB”, com sede no Centro Integrado de Educação Modelo (CIEM), escola localizada em Planaltina-GO.

Em agosto de 2020, inspirado no coletivo goiano, Lívia reuniu cinco ex-colegas de escola e então formou a iniciativa. “Nós desejávamos que os outros estudantes do Centrão sentissem o que a gente sentiu”, afirma a estudante, que foi aprovada em 2019 por meio do Programa de Avaliação Seriada (PAS).

Lívia Simara, 19, estudante de pedagogia na Universidade de Brasília, idealizadora e responsável pelo conteúdo de história e biologia do projeto
Lívia Simara, 19, estudante de pedagogia na Universidade de Brasília, idealizadora e responsável pelo conteúdo de história e biologia do projeto(foto: Arquivo Pessoal)

Para a futura pedagoga, o projeto é uma forma de levar conteúdos que não são ensinados para os estudantes. “O Do Centrão ajuda na democratização, ao trazer conteúdos que não temos oportunidades de conhecer na escola”, observa a estudante que durante o ensino médio estudava no tempo livre os assuntos que não eram discutidos na sala de aula.

Dificuldades

As dificuldades para a inserção no ambiente acadêmico permaneceu mesmo após o ingresso na universidade. É o que afirma Marília das Neves, aluna do 4º semestre de filosofia na Universidade de Brasília (UnB) e participante do projeto planaltinense.“Eu não imaginava que eu poderia passar mais tempo dentro de um ônibus do que na própria universidade”, afirma a estudante, ao relembrar o caminho que fazia diariamente entre Planaltina e o campus Darcy Ribeiro, onde estuda.

Para Marília, a distância entre os dois locais faz com que poucos estudantes da cidade conheçam a Universidade de Brasília. “Falar para os estudantes que a UnB existe é muito importante, porque as pessoas de Planaltina não têm muito contato com a universidade pública e acabam indo para as faculdades privadas”, afirma.

Marília das Neves, 20, estudante de filosofia e responsável pelos conteúdos de filosofia no projeto
Marília das Neves, 20, estudante de filosofia e responsável pelos conteúdos de filosofia no projeto(foto: Arquivo Pessoal)

 

A universitária ingressou na instituição em 2019 pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS) e é responsável pelos conteúdos de filosofia do “Do Centrão para a UnB”. O que a motivou a escolher o curso foi a paixão que tem pelas ciências Humanas e pelo ensino.

Engajada, a participante diz que a importância da existência do coletivo transpassa os sonhos de ingresso à universidade pública. “Nós queremos mostrar para qualquer jovem que eles são capazes, independentemente do que eles desejam fazer no futuro”, observa.

Novas vozes

Levar novas possibilidades de transformação social é um dos principais intuitos da iniciativa dos alunos da UnB. Segundo Maysa Lannah, estudante do 3º semestre de ciências sociais na instituição, o objetivo do projeto vai além da intenção de colocar os estudantes de Planaltina na universidade. “A gente pretende também dar voz para aqueles que não têm”, afirma.

Maysa, que se deslocava diariamente para estudar no Centro de Ensino Médio Elefante Branco (CEMEB) durante um período do seu ensino médio, observa que os jovens planaltinenses não deveriam se deslocar para tão longe em busca de uma educação de qualidade. “Nós não desejamos que os alunos saiam de Planaltina para estudar, e sim que eles continuem na cidade estudando, que não precisem pegar um ônibus às 5 da manhã para chegar nas suas escolas e faculdades”, diz.

A estudante que é responsável pelo conteúdo de ciências sociais do projeto, diz que o que a motivou a tentar o ingresso na UnB foi a vontade de ajudar as pessoas. “A gente tem a liberdade para levar a cultura até os alunos”, observa.

O Instagram como plataforma de ensino

Uma das principais estratégias que o projeto utiliza é a comunicação informal e leve nos seus conteúdos. A universitária Kéttrin Helena, do 4º semestre de pedagogia na Universidade de Brasília, considera as formas de contato pela internet o principal desafio a ser enfrentado pelo coletivo, mas que ao mesmo tempo os ajudam a chegar até os jovens planaltinenses. “A forma jovial do Do Centrão de se comunicar ajuda muito na comunicação entre professor e aluno”, diz a futura pedagoga.

As integrantes do projeto Marília, Kéttrin e Lívia em 2017, período em que estudavam no "Centrão e estudavam por conta própria para o PAS
As integrantes do projeto Marília, Kéttrin e Lívia em 2017, período em que estudavam no “Centrão e estudavam por conta própria para o PAS(foto: Arquivo Pessoal)

O uso de memes e músicas é uma das formas em que os organizadores usam para levar as diversas obras do Programa de Avaliação Seriada (PAS) aos estudantes. Para Kéttrin, que é responsável pelo conteúdo de língua portuguesa e redação no projeto, diz que decidiu cursar pedagogia devido a sua facilidade em ensinar outras pessoas. Uma das maneiras que ela usa para expor o seu conteúdo é o “reels” — funcionalidade do Instagram que consiste na criação de pequenos vídeos — como uma importante ferramenta de aprendizagem oferecida pela rede social.

Apesar de gostar de usar o aplicativo como forma de produzir conteúdos para os alunos do Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina, a universitária não esconde a sua vontade de lecionar para os jovens nas salas de aulas da sua antiga escola. “A gente pensa muito em ir para a sala de aula, mas como a previsão de volta é bastante confusa, a gente fica com essa incerteza, principalmente porque prezamos pela saúde dos estudantes”, afirma.

Novos integrantes

Devido a necessidade de inserir outras áreas de conhecimento no coletivo, novos integrantes foram chamados para compor a equipe do “Do Centrão para a UnB”, foi o caso de Lylite Alves, estudante de física na Universidade de Brasília e técnica de enfermagem em um hospital da rede privada do Distrito Federal.

A estudante que também estudou no “Centrão” quando mais jovem, conheceu o projeto pelo Instagram, por meio dos conteúdos que eram compartilhados por amigos próximos. “Quando eu vi que era um projeto de um lugar que eu tinha vindo, eu fiquei maravilhada”, relembra.

O que a motivou a cursar física na UnB foi, além da sua afinidade com as ciências exatas, a vontade de desmistificar a realidade presente nesses cursos, majoritariamente composto por homens. “Não é fácil, mas as mulheres que desejam cursar as ciências exatas precisam ter forças para vencer o machismo e a dificuldade de inserção no ambiente acadêmico, eu fui até lá para conseguir ter o meu espaço, e aos poucos eu vou conseguindo”, conta.

Lylite Alves, 20, estudante de física e responsável pelos conteúdos de física e também de saúde do projeto
Lylite Alves, 20, estudante de física e responsável pelos conteúdos de física e também de saúde do projeto(foto: Arquivo Pessoal)

 

Uma das ideias presentes no projeto é a de ser renovado “por gerações” de novos estudantes do “Centrão” que ingressarem na Universidade de Brasília. Dessa forma, o projeto busca recrutar os calouros que entrarem na instituição de ensino superior nos próximos anos. “Esperamos chamar aqueles que passarem nessa próxima prova do PAS para compor o nosso projeto”, afirma Marília das Neves.

Segundo as novas atualizações do Centro Brasileiro de Avaliações e Seleção de Promoção de Eventos (CEBRASPE), as aplicações das provas do Programa de Avaliação Seriada (PAS) acontecerão nos dias 20 de junho (etapa 2), 27 de junho (etapa 1) e no dia 18 de julho (etapa 3).

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