Folha de S. Paulo tira de contexto fala de Bispo para sugerir extorsão

0

Entenda o que está por trás da publicação que afirma que “igreja pediu doação do auxílio emergencial do fiel”

 

 

Você já foi vítima de uma fofoca sobre algo que não falou? Ou então, descontextualizaram uma declaração sua para te prejudicar de alguma forma? Se já passou por isso, sabe as consequências negativas que atitudes irresponsáveis como essas trazem.

Infelizmente, nos últimos anos, temos observado um crescimento assustador das fake news, fomentadas por alguns veículos de comunicação. E, por confiarem neles, muitas pessoas deixam a checagem de lado e acabam sendo influenciadas por informações inverídicas ou descontextualizadas.

Um exemplo recente desse tipo de conduta foi a matéria de capa do jornal Folha de S. Paulo do último domingo. A publicação acusa Renato Cardoso, Bispo da Igreja Universal, de pedir a doação do auxílio emergencial dos fiéis. Não sei se eles estavam sem pauta, mas com certeza, essa publicação foi um verdadeiro “tiro no pé”.

Isso porque o jornalista menciona supostas declarações que estariam em um vídeo divulgado em março no YouTube e, por meio delas, acusa a Instituição de extorquir os fiéis. Os leitores inteligentes se interessaram em procurar o vídeo citado pela Folha de S. Paulo, afinal, nem a publicação impressa nem a digital o disponibilizou. Quem assistiu ao vídeo, entendeu que as falas foram tiradas do contexto. Mas, quem não checou, acreditou na versão que estimula o ódio.

“Neste caso, é tão evidente a busca para que os leitores tirem as conclusões que eles querem, que o jornal sequer teve o cuidado de disponibilizar o vídeo para que os leitores tivessem a oportunidade de tirar suas próprias conclusões. Isso representaria um risco para o endosso das narrativas que eles próprios criaram. Porque quem tem a honestidade de checar antes de formular uma opinião percebe perfeitamente a distância existente na fala dele entre pedir uma doação e utilizar a verba do benefício do governo para financiar a igreja”, acrescenta o jornalista e analista político, Fernando de Castro.

Fernando é católico e, na igreja que frequenta não é diferente, doações também são pedidas para ajudar a igreja a fazer o seu trabalho. Os templos e as igrejas de praticamente todas as religiões necessitam de auxílio financeiro dos fiéis. Sem doações, a verdade é que as religiões não sobreviveriam. “Então, o problema desse tipo de atitude é que, com a desinformação, boa parte do público acessa a notícia distorcida, que termina sendo propagada com informações incorretas. Com isso, a população desconfia da igreja, que passa a ter descrédito, passando a ser alvo de intolerância religiosa por diversas pessoas”, acrescenta.

Em nota, o Departamento de Comunicação Social da Universal (UNIcom) afirmou que a liberdade de imprensa existe para informar a sociedade, não para promover o ódio e a intolerância religiosa

Em nota, o Departamento de Comunicação Social da Universal (UNIcom) afirmou que a liberdade de imprensa existe para informar a sociedade, não para promover o ódio e a intolerância religiosa

REPRODUÇÃO

Posição oficial

Além de manipular o entendimento do leitor, a publicação não incluiu o posicionamento do Departamento de Comunicação Social da Universal (UNIcom) diante de tais acusações, como manda o bom jornalismo.

Em nota, o UNIcom afirmou que “no trecho do vídeo que o repórter cita, o Bispo Renato NÃO pede a ‘doação do auxílio emergencial do fiel’, como afirmou a manchete espalhafatosa do jornal. (…) Como está claro no vídeo — e foi, de modo inútil, esclarecido à Folha de S.Paulo –, o Bispo Renato jamais pretendeu estimular ou mesmo solicitou a ‘doação do auxílio emergencial’. Para quem entende o bom português, o objetivo era apenas levar, através da Fé Cristã, as pessoas a não depender do mesmo. O sentido desta fala é estimular que acreditem em si mesmas e em seu potencial, para que não necessitem de auxílio de governo algum”.

Perseguição irracional 

Segundo dados do Disque 100, as denúncias de casos relacionados à intolerância religiosa aumentaram 41,2% no primeiro semestre de 2020, em relação ao mesmo período de 2019. E só não percebe que os cristãos têm sido alvos frequentes, quem não quer ver, ou ler. Basta observar os comentários divulgados pelo jornal de leitores revoltados com a suposta denúncia. As mensagens pediam punição aos “estelionatários da fé”, acusavam os pastores de serem “falsos profetas que não querem o bem das pessoas”, entre outras agressões verbais.

“Existe uma polarização enorme entre religião e política que vem crescendo cada vez mais, no decorrer da pandemia. E esse tipo de conduta da Folha de S. Paulo estimula essa divisão e olhar preconceituoso aos cristãos. Porque a intolerância religiosa nada mais é que o termo usado para ilustrar a inaptidão de aceitar e respeitar a religião ou crença de outros indivíduos. Ela é configurada principalmente pela discriminação, violência física e ideológica, ou qualquer ato que fira a liberdade de culto”, explica o advogado civilista, especializado em Direito Digital, Antônio Carlos Marques Fernandes.

Ao contrário do que a imprensa incentiva, não são apenas as igrejas evangélicas que dependem das doações de fiéis, praticamente todas as religiões do mundo contam com a ajuda de seus membros

Ao contrário do que a imprensa incentiva, não são apenas as igrejas evangélicas que dependem das doações de fiéis, praticamente todas as religiões do mundo contam com a ajuda de seus membros

REPRODUÇÃO / SHARI DEANGELO

Para ele, as críticas, neste caso, podem ir além do campo ético. “Quando um veículo de comunicação distorce ou manipula um fato para abordar o tema com outra ótica, ele automaticamente fere a democracia, o direito de imprensa e a liberdade de expressão.  É flagrante que a opinião pública está sendo conduzida de forma equivocada. Por isso, esse tipo de conduta é passível de processos cíveis de cunho indenizatório, direito de resposta, manifestações e até mesmo amparo na esfera criminal, que siginifica quando o ato gera crimes contra a honra, como injuria, calúnia e difamação”, esclarece.

Liberdade e responsabilidade

Todos os veículos de comunicação têm o direito de tecer críticas. Afinal, a imprensa tem uma importância fundamental para construção dos valores democráticos. Por isso mesmo, é essencial que os profissionais busquem os fatos de forma mais responsável possível.

Em casos polêmicos, é princípio básico publicar a versão de todas as partes envolvidas, deixando o receptor da mensagem decidir sua opinião a respeito do tema. Porque, além da liberdade, é preciso que haja responsabilidade.

Infelizmente, não é o que estamos presenciando. Assim, as publicações que seguem o perfil da citada aqui parecem seguir o conselho daquela declaração famosa que diz que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” de autoria de Joseph Goebbels, braço direito de Adolf Hitler, que proclamava essas palavras aos quatro ventos enquanto comandava a máquina de propaganda nazista.

Assista ao trecho citado na matéria do jornal Folha de S. Paulo:

anuncio patrocinado