Avanço da vacinação esbarra na dificuldade de obtenção de insumos

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Promessa de acelerar a proteção dos brasileiros contra a covid-19 esbarra na dificuldade de obtenção de insumos para a produção de imunizantes no país. Além disso, doses compradas de outros fabricantes só chegarão em grande quantidade no segundo semestre

 

A promessa de acelerar a campanha de imunização contra a covid-19 em junho, lema da gestão do quarto ministro da saúde do governo Bolsonaro, Marcelo Queiroga, esbarra em desafios como a dificuldade na obtenção de insumos para a produção de vacinas e as entregas de doses previstas apenas para o segundo semestre. Desde a atualização da projeção de entregas de fármacos, em 24 de abril, o governo reduziu em mais de 14 milhões a previsão de injeções que receberá em junho.

Na última quarta-feira, a pasta diminuiu, mais uma vez, a estimativa da disponibilidade deste mês. O ministério informou que receberá, ao todo, 39,8 milhões de doses, baixando a expectativa de entregas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Butantan, que produzem, respectivamente, a vacina da AstraZeneca e a CoronaVac no Brasil.

Ao comparar os dois últimos cronogramas divulgados pelo ministério, foram reduzidos 2,9 milhões de vacinas da AstraZeneca e 1 milhão da CoronaVac. Para especialistas, a falta de regularidade da imunização no país passa pelo problema de recebimento de insumos do exterior, necessários para produção, em território nacional, dos principais fármacos utilizados contra a covid-19 no Brasil.

“O maior problema, hoje, é o atraso no recebimento do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), por conta dos problemas de negociação com os governos produtores. Nossa política internacional não ajuda”, explica a professora Anamélia Lorenzetti Bocca, do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília (UnB).

Em maio, a Fiocruz e o Butantan chegaram a suspender a produção por causa da falta do insumo. Com isso, a vacinação contra o novo coronavírus desacelerou, e o país registrou menos aplicações, na média diária, do que em abril.

Anamélia afirma que a instabilidade na produção dos laboratórios nacionais não garante o programa vacinal prometido pelo governo para este mês. “As doses da Pfizer só chegarão em maior número no segundo semestre. Até lá, estaremos muito vulneráveis ainda. Particularmente, não vejo melhora a curto prazo se a importação do IFA não for estabilizada”, disse a especialista.

Atraso

O ministério assinou dois contratos com a Pfizer para adquirir 200 milhões de doses da Cominarty, produzida pela farmacêutica, mas a maior parte das doses só chegará ao país no terceiro e no quarto trimestres. A demora no fechamento de contrato para a compra na gestão do general Eduardo Pazuello foi exposta na CPI da Covid, e é criticada por médicos infectologistas e epidemiologistas. Agora, o ministro Marcelo Queiroga tenta adiantar a entrega de imunizantes já contratados, a fim de acelerar a campanha nacional de imunização.

Na última sexta-feira, em entrevista ao CB.Poder, programa realizado pelo Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília, Queiroga anunciou a chegada das primeiras doses da vacina contra a covid-19 da Janssen para este mês. Segundo a previsão inicial do contrato firmado com a empresa, as primeiras unidades do imunizante só estariam no país em julho. As novas injeções ainda não foram incluídas no cronograma, que amanhã será atualizado novamente.

Queiroga voltou a prometer atender toda a população com mais de 18 anos até o final do ano. No entanto, Anamélia Bocca pontua que o avanço do cronograma depende da velocidade de vacinação e da disponibilidade de doses. “Não estamos vendo melhora em nenhum desses dois parâmetros. A previsão no Brasil é de vacinarmos 57% da população em dezembro, o que é um percentual baixo, considerando a redução da eficácia das vacinas com as novas variantes”, alerta.

O país se vê, ainda, sob a ameaça de uma terceira onda da pandemia do novo coronavírus e se preocupa com o avanço da cepa indiana, que já tem casos confirmados no Brasil. Pesquisadores da Fiocruz ressaltaram, na última edição Boletim do Observatório Covid-19, divulgado na sexta-feira, que ainda há um longo caminho a percorrer para que o país alcance um percentual próximo de 75% da população vacinada com duas doses, apontado pelos estudos como capaz de interromper a circulação do vírus.

Anvisa aguarda papeis da Butanvac

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou, ontem, que o processo de pedido de anuência dos estudos clínicos da vacina Butanvac contra a covid-19, desenvolvida pelo Instituto Butantan, está em fase de “exigência”. Isso significa que a agência reguladora aguarda ainda o envio complementar de documentação necessária para que a análise científica seja concluída. Em 26 de maio, o diretor-executivo do Instituto Butantan, Rui Curi, disse que havia uma expectativa de que o órgão regulador desse uma resposta, hoje, sobre o início dos testes clínicos da Butanvac. Mas a segundo a Anvisa, a entrega da documentação é essencial para permitir a finalização da análise.

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