Secretário do PT é solto e comemora: “Fora Bolsonaro genocida”

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Arquidones Bites, dirigente petista em Goiás e ex-vereador, não foi enquadrado por crime contra a Lei de Segurança Nacional. Ele relembrou ter perdido o irmão caçula para a covid-19

 

O secretário estadual de movimentos populares do Partido dos Trabalhadores (PT), Arquidones Bites, foi solto pela Polícia Federal (PF) após ter sido levado para a sede do órgão em Goiânia (GO) por se recusar a tirar o adesivo do carro que dizia: “Fora Bolsonaro genocida”. Com a mesma frase, o dirigente, ex-vereador e professor comemorou a liberação.

Ao ser solto, o professor fez um discurso emocionado, lembrando a perda do irmão mais novo para a covid-19. “Foi morrer justamente o caçula. Ele saiu da ordem por causa que o presidente da República, esse genocida, não comprou vacina em tempo hábil. Além disso saiu nas ruas provocando aglomeração. A todo o momento dizia que era simplesmente uma gripezinha”.

A PF não o enquadrou pelo crime contra a Lei de Segurança Nacional, motivo pelo qual policiais militares o acusaram e o levaram até a delegacia. Ele foi abordado em Trindade, mas levado até Goiânia, onde a queixa foi registrada.

O policial que deu voz de prisão a Arquidones alegou que houve infração ao artigo 26 da referida lei, que prevê pena de um a quatro anos de reclusão pelo crime de calúnia ou difamação do Presidente da República, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal. O militar ainda alegou que houve desacato.

Segundo o secretário, além da prisão, ele “quase foi enforcado” e levou “empurrão e soco”. “Mas continuamos na luta”, finalizou.

O advogado do PT que acompanhou o caso, Edilberto Castro Dias, afirmou que o professor foi liberado de todas as acusações após prestar um depoimento de quase uma hora. “Juntou a militância na porta da PF, nas redes sociais e conseguimos essa vitória”.

Dias conta que os policiais responsáveis pela prisão atuaram em razão das próprias convicções políticas, demonstrando abuso de autoridade. “Arquidones ainda vai decidir se entra ou não com uma ação contra [os policiais]. Daremos todo o apoio. Agora, ele vai descansar porque está abalado”.

Por enquanto, corre uma ação interna contra o policial militar envolvido na autuação, que foi afastado das funções operacionais. “A Polícia Militar não compactua com qualquer tipo de abuso de autoridade. Todas as condutas que extrapolem os limites da lei são apuradas com o rigor pertinente”, disse a nota da corporação.

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