Não há previsão para imunidade de rebanho, diz especialista

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A afirmação foi feita pelo infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Pediatria, durante a Live RJ desta sexta (7)

 

 

O infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Pediatria, afirmou durante a Live JR, programa de entrevistas do Jornal da Record realizado nesta sexta-feira (7), que não há previsão para que se atinja a imunidade de rebanho contra o novo coronavírus.

Também participou da conversa, realizada pelos jornalistas Celso Freitas e Luiz Fara Monteiro, a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

“Esse seria o tripé necessário para que tivéssemos a imunidade: vacinas em grande quantidade; vacinas que sejam esterilizantes, que evitem a transmissão do vírus; e vacinas altamente eficazes. Não temos nenhum desses três fatores para falar em imunidade coletiva ou proteção de rebanho, não temos nenhum dado exato para fazer essa previsão”, explicou Kfouri.

Além disso, o especialista destacou que não há nenhuma evidência que garanta que um determinado número de pessoas infectadas faça com que a transmissão do vírus seja interrompida.

“Ele [o coronavírus] circula de maneira mais intensa na comunidade, hoje na Índia, antes no Brasil, já temos a variante indiana circulando pela Europa e certamente isso vai trazer novidades e novas ondas até que a gente consiga controlar a transmissão”, afirmou.

Atraso na 2ª dose

A pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destacou que o atraso na segunda dose da vacina contra a covid-19 não requer recomeço do esquema vacinal.

“O atraso da vacina CoronaVac significa mais lentidão no processo de vacinação. Não vai precisar recomeçar o esquema de doses, mas tomar assim que possível”, disse Isabella.

Sobre o risco da formação de coágulos com uso da vacina de Oxford, a médica explicou que a chance é maior em relação à covid do que à vacina contra a doença.

“O que tem de concreto é que o risco de ter trombose na covid é de 1 em 5, já com a vacina, a relação é de 0,004%. Então, essa medida da Europa de fazer a segunda dose com outra vacina é feita sem nenhuma evidência de que isso vai dar certo”, disse.

Intervalo entre as vacinas contra a gripe e covid-19

Kfouri destacou a importância não só da população se vacinar contra a covid-19, como também fazer a vacinação contra a gripe. O especialista orienta que seja cumprido um intervalo de pelo menos 14 dias entre elas.

“Se está na sua vez de tomar a vacina da covid, dê prioridade a ela, e faça a influenza 14 dias depois. Mas se você tiver tomado a CoronaVac, que o intervalo é de 28 dias, não dá tempo de você fazer entre uma dose e outra, então faça a da influenza 14 dias após a segunda dose da CoronaVac. Com a da vacina de Oxford é possível fazer, porque o intervalo entre as doses dela é de 3 meses”, disse.

O especialista avalia que não há prejuízo se o prazo de 14 dias não for cumprido. “Se alguém receber a dose com um intervalo menor, não há nenhum prejuízo, pode ficar tranquilo que está vacinado duas vezes, só ficar atento a possíveis reações”, disse.

Já Isabella destacou a importância da vacina contra a influenza neste momento pandêmico, sobretudo porque a gripe causada por este vírus provoca sintomas similares aos da covid-19 e pode confundir, além de contribuir para que o sistema de saúde fique sobrecarregado.

“A influenza é uma infecção potencialmente grave, que leva à SARS (Síndrome respiratória aguda grave), ao quadro grave que leva à internação e à UTI (Unidade de Terapia Intensiva), que vai exigir a intubação e ventilação mecânica”, explicou.

Assista à live na íntegra: 

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