IBGE: Alta da desocupação no início de 2021 é movimento esperado

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Número de desempregados a crescer no último trimestre e chegou ao maior nível desde o início da série histórica: 14,4 milhões

 

O mercado de trabalho no País mostra tendência de alta na taxa de desemprego, avaliou Adriana Beringuy, analista da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), apurada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Economia e Estatística). A taxa de desemprego passou de 14,1% no trimestre encerrado em novembro para 14,4% no trimestre terminado em fevereiro.

“A gente começa a observar a volta da desocupação, o que é um movimento relativamente esperado. A gente tem recuo da desocupação nos meses finais de cada ano, e esse avanço pode ocorrer na virada do ano, pode ocorrer em janeiro, pode ocorrer também em fevereiro”, disse Adriana.

O País registrou um recorde de 14,423 milhões de pessoas desempregadas no trimestre encerrado em fevereiro. O total de desocupados cresceu 2,9% em relação a novembro, 400 mil pessoas a mais em busca de uma vaga. Em relação a fevereiro de 2020, o número de desempregados aumentou 16,9%, 2,080 milhões de pessoas a mais procurando trabalho.

“Tem uma maior pressão (de pessoas buscando emprego) nesse momento sobre o mercado de trabalho, sem que haja geração suficiente de ocupação para dar conta dessa pressão. Essa pressão não é suficientemente elevada para mexer na taxa. Do ponto de vista estatístico, (a taxa de desemprego) é considerada estável, mas apresenta tendência de crescimento. Já tem indícios de maior pressão sobre o mercado de trabalho via crescimento da desocupação”, afirmou Adriana.

A população ocupada somou 85,899 milhões de pessoas, 321 mil trabalhadores a mais em um trimestre. Em relação a um ano antes, 7,811 milhões de pessoas perderam seus empregos. O saldo de ocupados se manteve positivo em fevereiro ante novembro graças à expansão da informalidade, apontou Adriana. Em apenas um trimestre, mais 526 mil pessoas passaram a atuar como trabalhadores informais.

“Ou seja, não fosse a expansão da informalidade, o movimento da população ocupada como um todo poderia ser de perda líquida de trabalhadores”, frisou.

Para a pesquisadora, o mercado de trabalho está perdendo a “robustez do crescimento da ocupação visto no fim do ano passado”. Além da questão sazonal de dispensa de trabalhadores temporários contratados no fim do ano anterior, o mercado de trabalho também mostra impacto do recrudescimento da pandemia de covid-19. Embora as medidas restritivas tenham sido mais marcantes em março, ela lembra que em fevereiro já havia sinalização de restrições em função do combate à covid, com o cancelamento de eventos como o carnaval. Um terceiro elemento que contribui para a maior busca por trabalho é a redução do auxílio emergencial, que diminui a renda das famílias.

“Se você pensar que o valor que está sendo conseguido é bem menor que o anteriormente conseguido, é natural de se esperar um crescimento de mais pessoas procurando trabalho. O que vimos em 2020 é que muitas vezes a menor procura de trabalho estava ligada às medidas de restrição para o combate à pandemia”, disse Adriana. “Mas também o movimento da desocupação vai estar ligado à dinâmica da pandemia em si e da economia. A dinâmica da pandemia mexe com a dinâmica da economia, que por sua vez mexe com as perspectivas de trabalho e renda”, completou.

A população inativa somou 76,431 milhões de pessoas no trimestre encerrado em fevereiro, 18 mil a mais que no trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2020, a população inativa aumentou em 10,494 milhões de pessoas. Entre os inativos, houve um recorde de 5,952 milhões de pessoas em situação de desalento em fevereiro, 229 mil a mais em apenas um trimestre, que inclui os que não procuram uma vaga por acreditar que não encontrariam uma oportunidade.

“Mais importante que falar que é o maior contingente de desalentados é dizer que é uma população que não para de crescer”, concluiu Adriana Beringuy.

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