Guarda civil aplica mata-leão em professor de educação física em SP

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Quatro guardas imobilizaram profissional que dava aula individual em uma quadra pública. Ele pretende processar os agentes

 

 

Um professor de educação física foi imobilizado por guardas municipais após se negar a interromper uma aula ao ar livre em uma quadra de futebol pública de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na sexta-feira (23).

Testemunhas gravaram com celulares o momento em que Felipe Francisco, de 27 anos, foi contido por quatro guardas, recebeu um golpe chamado popularmente como “mata-leão” e foi algemado.

O mata-leão ou chave cervical é um tipo de técnica de imobilização em que uma pessoa faz uso de suas mãos, braços ou pernas contra o pescoço de uma outra pessoa, aplicando uma pressão que pode provocar o estrangulamento, a asfixia e até levar à morte.

técnica é proibida na Polícia Militar de São Paulo. Na capital paulista, a Guarda Civil é impedida de aplicá-la desde outubro de 2020.

Um vídeo publicado nas redes sociais mostra treinador sendo dominado e imobilizado e, quando recebe o golpe, o guarda é advertido por quem filma sobre o excesso de força.

Ele estava dando um treino individual de condicionamento físico, mas a atividade está proibida por causa da fase vermelha de combate ao novo coronavírus. O professor publicou imagens da aula nas redes sociais e uma denúncia anônima levou a guarda municipal ao local. Ele chegou a fazer um desabafo aos guardas, mas não adiantou. “Você quer que eu viva do que do auxílio emergencial? R$ 300? Sendo que eu vou pegar só no mês que vem ainda, na data do aniversário? É certo?”

 

O educador fisico acabou levado para a delegacia, onde foi registrado um boletim de ocorrência de uso particular de espaço público. Os guardas alegaram que ele foi advertido para interromper o trabalho e ao negar, solicitaram reforço de mais viaturas. Quando o educador disse que não iria para o Distrito Policial, foi usada força física para contê-lo e Felipe teria dado uma mordida em um dos oficiais.

O treinador acusa a guarda civil de ter diferentes condutas: minutos antes de tudo acontecer, outra viatura teria passado pelo local e acabado com outras aglomerações nas quadras e deixado ele trabalhar normalmente.

Felipe reclama que somente bairros populares são alvo de fiscalização. Ele passou por um médico, que confirmou as marcas das agressões, e deve fazer exame de corpo de delito nesta segunda-feira (26). O treinador pretende processar os guardas que participaram da ação. Ele

A prefeitura de Ribeirão Preto e a Guarda Ccivil informaram, por nota, que o caso está sendo apurado e que um processo administrativo deverá ser instaurado. A guarda, no entanto, reiterou a necessidade da população de obedecer os decretos municipais e estaduais para a contenção da pandemia.

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