98% dos moradores de favelas vão usar auxílio para comer

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Pesquisa conduzida em comunidades brasileiras ainda mostrou endividamento, desemprego e dependência do auxílio emergencial

 

auxílio emergencial de 2021, que já começou a ser distribuído a partir desta semana, será usado por 98% dos moradores de favelas no Brasil para a compra de alimentos. A conclusão é de pesquisa realizada pelo instituto Locomotiva em parceria com o Data Favela e a Cufa (Central Única das Favelas), que entrevistaram 742 moradores em comunidades de todas as regiões do país.

O instituto realizou as entrevistas por meio da internet durante os dias de 9 a 12 de março deste ano. A margem de erro da pesquisa é de 3,6 pontos.

O documento também mostrou que nove em cada dez moradores de favela têm dificuldades financeiras para comprar itens básicos de alimentação, enquanto revelou por meio de outras perguntas que a grande maioria destes não tem dinheiro guardado e teve de cortar despesas básicas durante o hiato de três meses sem receber o benefício.

O corte do benefício a partir de dezembro de 2020, junto à piora drástica da pandemia de covid-19 em fevereiro e março, fez o desemprego e fome explodirem nas comunidades que, segundo especialistas entrevistados, correm risco real de convulsão social.

Mesmo a volta do auxílio não deve ser suficiente para conter a pobreza causada pela pandemia. Com problemas para fechar o Orçamento de 2021, o governo federal conseguiu recriar o benefício com valores médios de somente R$ 250, valor 160% inferior ao necessário para comprar uma cesta básica.

“Sem auxílio, a escolha da favela é entre o vírus e a fome, o que é cruel. Ainda que insuficiente, o auxílio traz um alívio momentâneo. Mas, mesmo com ele, a situação nas favelas permanece dramática”, diz o fundador do Data Favela, Renato Meirelles.

O salto da pobreza já vem sendo demonstrado em diversos levantamentos nacionais. De acordo com estudo da FGV Social, o número de brasileiros com uma renda inferior a R$ 246 saltou de 9,5 milhões para quase 27 milhões em menos de um ano desde o início da pandemia.

Enquanto isso, mais da metade da população brasileira não tem acesso pleno e permanente a alimentos durante a pandemia, segundo levantamento da Rede PENSSAN (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar).

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