Rosa Solidário, o salão que eleva o astral de quem tem câncer

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Espaço funciona no Jardim do Hospital de Base, oferece corte de cabelo, tratamento capilar e peruca grátis às pacientes

“Rosa Solidário”. Este é nome de um salão de beleza bastante diferente. Ele é o único onde clientes não pagam um centavo para cortar o cabelo. É também o único a funcionar dentro de uma unidade pública de saúde, o Hospital de Base (HB). E ainda é o único mantido por voluntários, a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília, que atua no hospital administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF).
O “Rosa Solidário” foi criado com o propósito de levantar a autoestima de pessoas com câncer tratadas no Hospital de Base, principalmente de mulheres que perdem os cabelos em razão da quimioterapia. O salão fica no Jardim do HB, em instalações cedidas pela direção do hospital à Rede Feminina. Os serviços são prestados por profissionais de beleza, voluntários que veem no salão uma forma ajudar pacientes a enfrentar o câncer.
Para manter a gratuidade dos serviços aos pacientes hospitalizados, o salão cobra de quem não está em tratamento médico no hospital, como visitante ou mesmo colaborador. Mas os preços são bem camaradas: R$ 20 pelo corte masculino e R$ 30 pelo feminino. Já o pacote “cronograma capilar” (hidratação, nutrição, reconstrução, escova e chapinha) sai por apenas R$ 50 cada sessão.
Todo o dinheiro arrecadado com os serviços “é totalmente revertido para a manutenção do salão”, garante Maura França, cabeleireira profissional e voluntária do projeto.
Cabelos para perucas
Além dos pacientes internados, também nada pagam pelos serviços as clientes que doarem seus cabelos ao “Rosa Solidário”. O material é usado para a confecção de perucas, que são fornecidas gratuitamente às pacientes oncológicas que perderam os cabelos.
Entre clientes que já doaram seus cabelos está a também Francisca Costa, cabeleireira profissional e voluntária. “Bem mais do que tratamento estético, aqui nós oferecemos amor aos enfermos”, define. Ali elas recebem mulheres que chegam fragilizadas, mas que saem mais otimistas ao ganhar a peruca. “Aqui ouvimos os relatos, oferecemos nosso ombro amigo e elas saem se sentindo lindas como, de fato, são”, afirma.
Para a psicóloga Aliny Andressa de Souza, lotada na Unidade de Oncologia do HB, o trabalho do “Rosa Solidário” ajuda as pacientes a lidarem melhor com a doença. “Os efeitos colaterais do tratamento costumam causar importante impacto físico e emocional”, ressalta Aliny.
“No caso da queda de cabelo, esse sofrimento pode estar associado a uma mudança da autoimagem e diminuição da autoestima”, explica. Mas quando a paciente recebe uma peruca ou algum serviço de embelezamento, ela se sente melhor e com mais qualidade de vida — “e isso é fundamental para pacientes com câncer”, ensina a psicóloga. Daí a importância dos serviços do “Rosa Solidário”.
A experiência de quem doa
A empreendedora Liliane Bueno, 38 anos, faz quimioterapia no Hospital de Base para tratar de câncer de mama. “Sempre fui muito vaidosa. Quando soube que meu cabelo cairia, me imaginei careca e fiquei bastante abalada emocionalmente”, conta. Mas ela enfrentou o problema de outro jeito: foi ao salão, cortou e doou as madeixas. Pela doação, recebeu uma peruca. “Saí do salão como a mulher mais feliz do mundo”, comemorou Liliane.
Moradora do Jardim Botânico, Liliane é casada, tem uma filha e dois netos gêmeos. “Eu descobri que tinha câncer no início deste ano”, conta. “A verdade é que ninguém espera receber uma notícia dessas, mas, quando ela vem, é preciso encarar da melhor maneira. Estou cuidando do meu corpo, e este salão me ajudou a cuidar do meu lado emocional.”
O “Rosa Solidário” também já recebeu doações em família. Na semana passada, num gesto de solidariedade, a dona de casa Marlene Dantas, 54 anos, e a filha Érika, 34, doaram suas madeixas ao salão. A mãe já teve câncer e a filha a acompanhou o tratamento. Doando os cabelos, elas querem ajudar outras mulheres a enfrentarem a doença.
“Agora que superei, vim com muito orgulho doar o meu cabelo para outras mulheres que estão passando pelo que eu passei um dia”, contou Marlene. “Espero que outras mulheres também doem seus cabelos como um ato de amor”, recomendou Érika, seguindo o exemplo da mãe.
Como ajudar a Rede Feminina
A Rede Feminina de Combate ao Câncer é uma instituição sem fins lucrativos que atua no Hospital de Base desde 1996. Voluntários oferecem apoio emocional e orientações sobre o tratamento contra o câncer.
Roupas, sapatos e itens diversos podem ser entregues na sede da Rede Feminina no Hospital de Base ou na Casa de Apoio (3ª Avenida, AE 5, módulo M, Núcleo Bandeirante).
Salão Rosa Solidário
Jardim do Hospital de Base
De segunda a sexta, das 9h às 16h com horário marcado.

Agendamento: 3364-5467 e 98421-7268.

 
Texto: Ascom Iges-DF
Fotos: Divulgação e Davidyson Damasceno/Ascom Iges-DF
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