Vídeo: idoso recebe vacina “de vento” contra a Covid-19 em Goiás

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É o terceiro caso registrado no estado em que idosos não recebem a dose da vacina contra a Covid-19 adequadamente

 

Goiânia – O estado de Goiás registrou mais um caso de não aplicação da vacina contra a Covid-19 em idosos. Desta vez, a técnica de enfermagem usa uma seringa vazia para simular a imunização. O caso ocorreu em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital.

O aposentado José Calastro Pires, de 64 anos, foi se vacinar na última quarta-feira (31/3), quando a campanha de imunização foi ampliada para a idade dele. No entanto, um vídeo registrado pela esposa do idoso mostra o momento em que a profissional enfia a agulha no braço dele, porém sem a vacina.

Veja o vídeo:

Ao G1, a filha do idoso, Carla Pires, de 35 anos, informou que a mãe gravou o momento da vacinação para registrar e mostrar para a família, no entanto, ela não percebeu. “No momento da vacina, a minha mãe fez o vídeo, mas estava sem os óculos. Depois que ela me mandou a imagem é que percebemos que a seringa estava vazia”, contou ela.

Segundo Carla, o pai ficou chateado com a situação. “Quando meu pai soube do erro, ficou muito chateado e chorou à noite, mas o acalmamos para que dormisse bem. Agora que ele foi vacinado, está mais calmo e feliz. Triste é imaginar que pode ter outros idosos nessa situação, pois nunca iremos saber se foi um caso isolado”, destacou.

Ao voltar nesta quinta-feira (1º/4) ao posto de vacinação drive-thru da Cidade Administrativa, em Aparecida, Carla mostrou o vídeo, conversou com a responsável pela vacinação e José Calastro foi imunizado com a Coronavac. O cartão de vacina foi refeito.

Por meio de nota, a prefeitura do município informou que esse foi o primeiro caso de erro na cidade e que a técnica de enfermagem que não aplicou a vacina foi afastada da função.

Veja a nota na íntegra:

A Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia esclarece que os profissionais de imunização são treinados para a aplicação de vacinas e que a pasta tem um protocolo de segurança, inclusive, com a prática de mostrar a seringa antes e depois da aplicação para conferência da população.

Sobre essa denúncia em questão, a secretaria esclarece que foi a primeira vez que o município identificou a situação, justamente pela prática de conferência da seringa, e prontamente corrigiu o erro, vacinando o idoso. Destaca que diante do erro evidente, a profissional responsável foi afastada dessa função.

A secretaria informa ainda que irá reforçar junto às equipes todos os protocolos.

Terceiro caso

Esse foi o terceiro de irregularidade na aplicação da vacina contra a Covid-19 registrado em Goiás. Ainda nos primeiros dias da vacinação no estado, em fevereiro, a filha de uma idosa de 88 anos registrou o momento em que a mãe receberia a primeira dose da Coronavac, em Goiânia, e percebeu, além da rapidez da enfermeira, que o líquido da vacina continuava na seringa, após ele ter sido aparentemente injetado.

A filha, a aposentada Luciana Maria Jordão, de 57 anos, diz ter questionado a enfermeira na hora. A princípio, a profissional de saúde desconversou, mas, em seguida, reconheceu o erro, pediu desculpas e injetou novamente a seringa na idosa Floramy de Oliveira Jordão, sob os olhares atentos da filha, que fez questão de certificar que a mãe, enfim, havia sido vacinada.

A enfermeira que aparece no vídeo confirmou o erro. Ela compareceu ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), onde foi ouvida pela promotora Marlene Nunes Freitas Bueno, que instaurou procedimento de investigação para apurar o caso e os fluxos padrões da campanha de vacinação contra a Covid-19 na cidade.

Dias depois, houve mais uma polêmica, também na capital. Leonardo Lopes Peres, de 45 anos, filmou o momento em que uma técnica de enfermagem enfia a agulha no braço do pai, Osvaldo de Almeida de Peres, de 84 anos, mas a profissional não injeta o líquido.

Na gravação, é possível escutar que Leonardo chama a atenção da técnica de enfermagem quanto à aplicação da vacina. Ao ser cobrada, a profissional reconhece que o líquido não foi aplicado e pede “desculpas de verdade”.

“Até passarmos pela triagem estava tudo certo. Quando ela veio com a seringa, eu comecei a filmar e vi que ela só enfiou a agulha no braço do meu pai e tirou sem injetar nada. Na hora, eu vi o líquido na seringa e falei para ela que ela não tinha vacinado meu pai”, disse Leonardo.

Estímulo

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia afirmou que tem estimulado a população a filmar o gesto vacinal, o que pode oferecer maior tranquilidade às famílias, além da adoção de um protocolo de segurança no qual enfermeiros e técnicos de enfermagem trabalham em dupla, sendo que um deles mostra a seringa antes do preparo e também após a aplicação da dose.

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