Comerciantes se arriscam para garantir sustento na fase emergencial

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Trabalho ás escondidas foi solução encontrada por quem não exerce atividades essenciais. As demais estão proibidas até 11 de abril

 

Comerciantes de São Paulo que não trabalham nos chamados serviços essenciais têm travado uma luta diária para conseguir sobreviver em meio às restrições impostas pela prefeitura e pelo governo do estado. Com a prorrogação da fase emergencial do Plano SP, muitos não encontram alternativa, e se arriscam a trabalhar escondidos, para conseguir algum dinheiro.

Um comerciante contou  que, até que tentou, mas a situação em casa chegou ao limite e ele decidiu atender aos clientes na loja. “A gente tá correndo esse risco, sabe que não pode. Se as dívidas parassem junto com a gente…”

 

Em um bar, um comerciante vendia marmitas para empresas da região. Com a pandemia e o trabalho remoto, ele perdeu todos os contratos. Para não fechar de vez, decidiu servir na calçada, “Eu tinha mais três  funcionários. Ttive que demitir eles porque o movimento caiu. Meu faturamento era em torno de R$ 25 mil a R$ 30 mil no mês. Hoje, se chegar bruto em R$ 9 mil, é muito. Aí tem agua, luz, internet, funcionário para pagar. Não sobra quase nada”, desabafa.

As finanças de uma loja de produtos de beleza também não resistiram apenas ao delivery, única modalidade de venda permitida nesta fase da quarentena. A loja voltou a funcionar, às escondidas. “Caíram bastante as vendas com delivery. A gente tem nossa família pra sustentar. Como é que vai fazer se tiver tudo parado?”.

É na fome dos quatro filhos que Juana pensa quando se arrisca nas ruas da capital paulista. Ela perdeu o emprego como costureira e virou ambulante. “Tenho medo, as pessoas passam e falam: ‘vai passar o rapa, vai passar o rapa”. Mas as contas nao param de chegar e as crianças nao param de pedir comida.”

Pelo decreto estadual, os chamados serviços não essenciais estão poibidos de funcionar até o dia 11 de abril. Os proprietários podem ser multados e ter o estabelecimento interditado. “Eu sei que meu trabalho nao é servico essencial, mas eu preciso trabalhar igual todos os brasileiros, tenho coisas pra pagar e não dá pra esperar”, lamenta um comerciante de um lava-rápido.

Um estudo do Sebrae e da FGV (Fundação Getúlio Vargas) feito em todo país indicou uma redução de um terço no faturamento anual dos pequenos negócios por causa da pandemia, e um aumento de 11% no número de empresas que demitiram funcionários.

Em imagens gravadas no fim da semana passada no rio de janeiro, também vemos comerciantes trabalhando às escondidas. Renata tentou manter a loja fechada, mas neste fim de semana, reabriu. “É uma tentativa de salvar o salário dos funcionários e arcar com as despesas da loja”, afirma.

A borracharia do Tassildo tem autorização para funcionar, mas os principais clientes, pequenos empresários e comerciantes, estão sem trabalhar e não procuram mais o serviço. A renda caiu pela metade e o aluguel está atrasado.

O proprietário vem aqui pra receber, eu tenho que me esconder porque já não tenho mais o que falar. Então a tendência é o que? Fechar as portas. O governo tinha que ter uma coerência com os pequenos comerciantes. Tá gastando dinheiro com pessoas indo lá pra fechar as portas do que eles podiam pegar esse dinheiro e gastar com o pequeno comerciante”, lamenta Tassildo.

 

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