PROJETO TURÍSTICO SEM PLANEJAMENTO É INSUSTENTÁVEL

0

Por Leiliane Rebouças

No dia 12 de Março, o Conselho de Planejamento Territorial Urbano do Distrito Federal (Conplan) aprovou, por ampla maioria de votos, a primeira etapa do projeto do Percurso Turístico Cultural da Vila Planalto, que de acordo com o governo do Distrito Federal vai requalificar o espaço com obras de urbanização, drenagem, iluminação pública e sinalização turística e cultural.

O projeto não é novo, foi desenvolvido no governo de José Roberto Arruda e fazia parte do Plano de Ação para a Vila Planalto, que contava com ampla participação de vários órgãos governamentais e cuja parte urbanística foi desenterrada agora pela SEDUH.

De acordo com o governo, as obras da  chamada “rota cultural e turística da Vila Planalto” foram divididas em três fases, que juntas somam 2,69 quilômetros de rua compartilhada. Terá início e fim nos arredores da igrejinha de madeira da Vila, a Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, reconstruída em 2007 após um incêndio que destruiu o prédio original construído pela Construtora Planalto em 1958.

Na rota turística e cultural, o turista poderá conhecer além da igrejinha reconstruída,  o terreno vazio onde funcionava uma das primeiras escolas de Brasília que foi destruída nos anos 90 após ser invadida. Os visitantes também conhecerão os importantes locais de memória da construção de Brasília como o Alojamento de solteiros, o cinema e o consultório dentário que atendia os candangos da construtora Rabello, todos destruídos e aguardando por reconstrução e ainda sem previsão alguma de revitalização pelo Governo do Distrito Federal. Sendo assim, acreditamos que a Secretária de Turismo do DF deve pensar que os visitantes e turistas ficarão entusiasmados para conhecer alguns restaurantes , porque isso seria uma experiência que eles nunca terão em nenhum outro lugar de Brasília, quiçá do mundo! Não é mesmo? Pra quê se dar ao trabalho de revitalizar espaços de memória da construção de Brasília,  se é mais fácil pra SETUR-DF  enrolar uns visitantes criando um “cenário”, algo bem artificial copiando , por exemplo, a Vila Madalena? Ou quem sabe criando um  “Caminito Candango” cópia fajuta do original?

Será que a Secretaria de Turismo do DF considera que projetos que levam o rótulo de “ turístico cultural” não precisam ser antecedidos por um planejamento turístico local? Pois, até agora não vimos a SETUR-DF consultar a população e muito menos envolvê-la na gestão turística do território assegurando que o turismo será vantajoso  para o lugar e beneficiará a população nativa da Vila Planalto.

É necessário garantir que a atividade turística seja sustentável; que os negócios locais não serão prejudicados por grandes redes; evitar a gentrificação ( expulsão da população nativa que tem baixo poder aquisitivo); evitar que o fluxo massivo de pessoas  exceda a capacidade do nosso ambiente provocando efeitos negativos no lugar onde vivemos, como por exemplo: a poluição visual e sonora, a produção de lixo em excesso, comportamentos irresponsáveis de turistas como desrespeito às regras locais e até mesmo a exploração sexual de crianças e adolescentes (que ocorre em muitos segmentos do turismo que é bastante vulnerável em relação a isso).

E somente com gestão responsável do Turismo e um Plano Local de Turismo elaborado com a participação da comunidade da Vila Planalto de preferência com a criação de um Conselho Gestor é que os impactos negativos gerados pelo turismo que excedem os limites físicos, sociais, ecológicos e econômicos do lugar poderão ser evitados no futuro.

O Plano de Turismo Local da Vila Planalto já deveria ter sido feito antes mesmo do lançamento do projeto do circuito turístico cultural para garantir o turismo sustentável.

Caso não sejam tomadas providências imediatas para essa gestão responsável cabe aos cidadãos acionar às Varas de Meio Ambiente do Ministério Público do DF para recomendar para as autoridades competentes gestores do Turismo e do Patrimônio Cultural que façam o “dever de casa”.

anuncio patrocinado